Agente Oculto | Crítica: Fraco, filme de ação da Netflix é desperdício de bons atores

O que era para ser um verão (americano) inesquecível para a Netflix com Agente Oculto (The Gray Man, 2022), a estreia do filme mais caro da plataforma no competitivo meio do ano, e cercado de nomes A de Hollywood, se tornou bem uma… decepção?

Vendido como um dos grandes lançamentos do streaming no ano, já digo logo de cara que Agente Oculto deveria ficar oculto nas recomendações do que assistir na lista dos assinantes. Que confusão de filme! Mesmo a premissa interessante, baseada em uma série de livros de sucesso, o elenco de peso, e a promessa de uma franquia, o longa fica apenas na promessa de que tudo isso seria o bastante na medida que Agente Oculto, a nova aposta na direção dos irmãos Russo, Anthony e Joe, se mostra um desperdício de atores, tempo, e dinheiro.

Ryan Gosling em gravações de Agente Oculto
Foto: Paul Abell/Netflix © 2022

Mesmo com um elenco de primeira parece que Agente Oculto nunca consegue entregar alguma coisa a mais para se destacar no meio das produções do gênero. Sem o mesmo carisma de Alerta Vermelho (um filme comprado da Universal Pictures), de Resgate, ou até mesmo a apresentação de um mundo novo como foi em Bright e Caixa de Pássaros, Agente Oculto navega por um mar de clichês de produções de filmes de espionagem e que realmente não entrega nada que faça valer seu título de produção mais cara na plataforma.

Aposto que metade do orçamento foi para deixar o bigode, super ocupado pós-Capitão América Chris Evans bem cortado, ou ainda para o departamento de maquiagem responsável pelas cicatrizes do personagem de Ryan Gosling que resolvem sumir e aparecer quando querem em cena. E claro, os diversos testes de Covid que a produção deve ter feito na medida que as locações para Agente Oculto mudavam para acompanhar o ritmo da trama e todos os cenários internacionais que o filme se passa.


Com passagens por diversos países, como falamos, e como uma trama que leva tempo para apresentar seus protagonistas, Agente Oculto nunca parece atingir seu potencial completo. A ideia central, e a premissa até que são interessantes, mas o trio de roteiristas, formado por Joe Russo, Christopher Markus e Stephen McFeely, apenas se apoiam num pouco de mistério para tentar fazer o filme acontecer. E muitas dessas perguntas, e até mesmo de personagens, são esquecidos no meio do caminho na medida que o mercenário Lloyd Hansen (Evans de volta a trabalhar com os Russo depois dos filmes da Marvel), é contratado para uma missão: caçar o espião Sierra Six (Gosling depois de um período sabático), o membro de um projeto ultra secreto da CIA e uma lenda no mundo de espionagem, o codinome 007 já estava ocupado, diz ele de tom de brincadeira em uma das cenas do filme. 

Seu contratante? A própria CIA liderada pelo novo chefão da organização, o misterioso Carmichael (Regé-Jean Page em sua primeira empreitada em filmes pós Bridgerton) e sua colega no governo Suzanne (Jessica Henwick). Ambos têm visões diferentes de como a corporação e as missões devem ser feitas, mas no final, estão todos atrás da mesma coisa. Assim, a linha entre o bem e o mal fica cada vez mais confusa e Agente Oculto trabalha seus personagens com tons de cinza, onde é por onde o mundo está nos últimos tempos e acaba por ser refletido no filme.

Chris Evans e Jessica Henwick em cena de Agente Oculto
Foto: Paul Abell/Netflix © 2022

E Agente Oculto não deixa de entregar algumas reviravoltas, mas que você as vê de longe para acontecer, seja o pendrive/medalhão com informações importantes que passa de mão em mão, seja a personagem da Agente Dani Miranda (Ana de Armas tão melhor no último 007), que é jogada no meio da perseguição e precisa livrar seu nome ao se aliar com o personagem de Gosling, toda a história que envolve o ex-chefão da CIA (Billy Bob Thornton) que precisa fazer de tudo para salvar a sobrinha Claire (Julia Butters) que é sequestrada pelo time de Lloyd, ou até mesmo da breve participação do brasileiro Wagner Moura como um personagem maluco que falsifica passaporte e usa substâncias ilícitas quando tagarela bobagens. 

O jogo de gato e rato que Lloyd e Six fazem cercados por diversos times de operação de elite, as explosões, as frases de efeito e aquele clima de deboche dos personagens, dão para Agente Oculto ter alguma coisa para se trabalhar durante as suas 2 horas. Mas é muito pouco, para um filme desse porte, e com todo mundo envolvido no projeto, é muito pouco. A forma como a trama é conectada, quase como se tivéssemos capítulos colados uns nos outros, de uma forma nada orgânica, deixam o longa com um ritmo estranho mesmo que visualmente Agente Oculto tem seus acertos, principalmente com algumas jogadas de câmera que vem de longe para nos mostrar um panorama geral da ação e que são sim uma boa pedida.

Salvo algumas poucas passagens, como um sólido 15 minutos iniciais, a luta em Viena com Sierra Six preso e algemado em uma praça cercada de agentes de elite, ou até mesmo a tentativa de fuga do personagem de um poço, até dão um certo gás para o filme, mesmo que como falamos Agente Oculto não chega a empolgar. 

Gosling se garante em boa parte das cenas de ação, mas no cenário geral é tudo muito mais do mesmo. Até mesmo Evans, que entrega uma atuação alucinada e bastante maluca, se torna uma presença cansativa de se assistir, afinal, o personagem deveria vir em pequenas doses, mas divide boa parte do tempo do filme com Gosling, onde a dupla está basicamente se alterando em todas as cenas. 

No final, Agente Oculto parecia ser uma opção interessante no papel que não soube se transpor para uma outra mídia. Tem cara de filme de streaming e entrega alguma coisa muito mais abaixo. Nem vou dizer uma pena para todos os envolvidos por que com certeza todos foram bem compensados para estarem nesse filme que definitivamente seria uma coisa bem pior se não fossem as presenças das caras super conhecidas de metade do elenco.  Um elenco, alías, totalmente desperdiçado, mas que não deixa de elevar um pouco o filme.

Avaliação: 2 de 5.


Agente Oculto disponível na Netflix.

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