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Zero | Crítica 1ª Temporada: Netflix traz um novo amigo da vizinhança cheio de drama, talento e bem urbano

A Netflix continua variando bem o seu catálogo e disponibilizou agora a série italiana Zero (2021). Baseada no romance Non ho mai avuto la mia eta (Eu nunca tive a minha idade em tradução livre), de Antonio Dikele Distefano, a série traz para o público a dificuldade de um bairro pobre de Milão que começa a ver sua decadência e o aumento da criminalidade, mas um grupo de jovens não abrem mão de salvar o que chamam de lar.

A questão é que ninguém tem muito o que fazer, a não ser expor sua realidade nas redes sociais, até que um jovem aparece, ou melhor, desaparece, e pode fazer a diferença para todos. A história principal é centrada no bom garoto da vizinhança, Omar (Giuseppe Dave Seke), que além de lidar com o fato de ter sua mãe desaparecida há anos, acaba mostrando a um outro garoto que é capaz de ficar invisível.

Sempre sozinho e trabalhando para juntar dinheiro para sair da casa do pai, Omar é querido pelo seu empregador Sandokan e em uma de suas entregas acaba conhecendo Anna (Beatrice Grannò), que traz mais cores a sua vida, e o incentiva a continuar sua arte. Omar desenha mangás, e seu talento chega a ser reconhecido em um evento.

O problema é que ao se juntar a Shariff (Haroun Fall), Momo (Dylan Magan), Sara (Daniela Scattolin) e Inno (Madior Fall), ele vê sua vida de cabeça pra baixo, mas com um apelido para suas habilidades: Zero, assim como o seu personagem dos quadrinhos. Shariff quer ser notado, quer fazer a diferença pelo bairro, mas só leva os amigos para o buraco, chegando a quase perder um deles no processo.

O desenvolvimento da série é rápido, vamos nos aproximando dos personagens e curtindo a diferença de cada um deles, que é sempre destacada por Omar, e a paixão deles pelo bairro afro-italiano, cheio de imigrantes, é o que movimenta a trama, com a especulação imobiliária destruindo tudo, chegando a contratar pessoas para atear fogo e saquear o bairro. Ao chegar a Rico, eles quase morrem, pois o vilão vai com tudo sem mediar as consequências.

O mais interessante é o passado de Omar, que não lembra o que houve com sua mãe, e precisa viver sob os olhares conservador do pai, enquanto Awa, sua irmã, acaba ficando meio de lado. Seus poderes é desenvolvido e explorado na série, mas o que não sabemos como acontece é que sua irmã também tem poderes, e eles são chamados de “As Crianças”, e são procurados pela vilã Virgem.

Shariff e Anna são jovens sonhadores de mundos bem diferentes ao de Omar. Anna quer ir para Paris, trabalhar com urbanismo, mas ao cruzar com Omar, vê que sua vida e seu pai, não são as coisas mais perfeitas que ela poderia imaginar. Já Shariff é o ponto que muda a vida de Omar, que de abatido e sozinho, acaba encontrando um propósito para seus poderes, Shariff vê a maldade e quer o bairro livre dela, mas suas ações acaba subindo a sua cabeça, o que o faz cometer alguns erros.

Muitos segredos vão sendo abertos e jogados em cena, e nos deixa intrigados em querer saber mais sobre esses jovens, e a temporada terminar com um gancho foi algo genial, afinal, como tudo isso começou?

Zero vai além do herói e discute de forma muito interessante a raiva das pessoas pelos imigrantes e como o bairro é levado como uma doença na cidade, a pobreza e a forma como todos precisam lutar para seguir adiante, mas ao mesmo tempo a união de um povo alegre e sorridente que estão juntos para o que precisar. O pé urbano e a forma como tudo se desenvolve mostra uma Milão bem diferente do que imaginamos.

Zero tem seus 8 episódios da 1ª temporada disponíveis na Netflix.