Três Horas Para Viver (The Runner, 2026) propõe exatamente àquilo que parece ser: uma diversão sem compromisso.
E aqui, o longa tem no trio do elenco principal aquele sentimento de ser uma experiência de ver um filme de streaming na telona. Afinal, a combinação de parear o fortão Alan Ritchson com o hilário Owen Wilson é uma que só beneficia Três Horas Para Viver e dá um tipo de charme para essa aventura explosiva e cheia de altos e baixos.
Aliada à dupla temos também a presença do brasileiro Rodrigo Santoro, que serve como o grande vilão do filme, onde ele pega uma carona do que poderia ser uma atuação digna de Jared Leto ou de Joaquin Phoenix antes do Oscar e coloca um tempero brasileiro nonsense que o filme apresenta.
E isso vai desde chamar Ritchson de Whey Protein até mesmo à brasilidade apresentada para esse figurão do mundo do crime australiano que vê na oportunidade de roubar um órgão destinado a uma criança a chance de salvar um ente querido.
Três Horas Para Viver é isso: é uma perseguição implacável pelas ruas de uma cidade australiana, onde o ex-soldado Hank Malone (Ritchson) recebe a missão de acompanhar um mensageiro (Wilson) enquanto ele carrega uma maleta com um órgão destinado a uma criança.
O filme embarca na proposta de parear os dois personagens, com personalidades completamente opostas, e coloca Ritchson e Wilson nesta aventura maluca. É uma coisa que Wilson tem feito há anos, seja nos cinemas ou no streaming. O veterano é craque nessa dinâmica e realmente pareceu extremamente confortável aqui, sabendo que provavelmente Três Horas Para Viver foi um cachê fácil.
Enquanto o time de roteiristas de primeira viagem, Miles Hubley e Tommy White, coloca um monte de pequenas reviravoltas na trama e obstáculos para impedir que os personagens saiam do destino A e cheguem ao destino B o quanto antes, o diretor Scott Waugh usa o que aprendeu em Os Mercenários 4 para jogo.
Mesmo que seja uma direção extremamente protocolar para um filme do gênero, Waugh coloca as cenas de perseguição, de lutas, tiros e porradaria para preencher o espaço entre os momentos em que o texto de Hubley e White deixa a desejar (e que são muitos não dá para negar) onde até mesmo Ritchson, Wilson e Santoro soam canastrões demais em tela.
Mas muito menos do que diversos dos personagens de apoio e coadjuvantes que realmente parecem ter sido da pior série teen americana possível. É tudo tão ruim, e oras vergonhoso que só dá para prestar atenção no que os protagonistas fazem e falam.
No final, Três Horas Para Viver faz uma combinação interessante de se assistir, já que o longa coloca no meio da história doida um questionamento moral disfarçado de filme de um brucutu saindo no soco por aí e derrotando bandidos e carteis de droga.. Claro, nada que vá mudar a história do cinema ou ser alguma coisa memorável,mas como um entretenimento é assistível sem ser sofrível. E faz a máquina de Hollywood e de filmes com orçamento baixo rodar. Tem valor, sem dúvidas, mesmo que vá realmente atingir seu público no streaming daqui a alguns meses.
Três Horas Para Viver está em cartaz nos cinemas nacionais.
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