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TIFF 21 | The Story of My Wife: Um romance de época longo, cansativo e com uma Léa Seydoux que se destaca

Do que se trata:

O nono filme da diretora Ildikó Enyedi’, o seu primeiro em Inglês, é um redemoinho de amor, perda e loucura. The Story of My Wife se passa nos anos 1920 e é uma adaptação do livro de mesmo nome do poeta húngaro Milán Füst e também livremente baseado na lenda do Holandês Voador, um navio fantasma que é obrigado a navegar pelos mares para sempre.

No elenco temos o ator Gijs Naber, como o charmoso e amaldiçoado Capitão Jakob Störr que aposta com um colega que ele vai se casar com a primeira mulher que entrar no café que eles estão sentados. Assim, a jovem Lizzy (Léa Seydoux (Blue Is the Warmest ColorThe Lobster, e que também estará no TIFF 21 com o filme France) entra no lugar e o resto, como eles dizem, está escrito nas estrelas. Ela e o capitão se casam, mas Störr sempre suspeita das infidelidades de Lizzy na medida que a atração da jovem pelo mulherengo Dedin (Louis Garrel) ficam claras iguais a luz do dia.

O que achamos:

Com 7 partes e mais de 2 horas e 40 minutos, The Story of My Wife poderia muito bem ser uma minissérie. A diretora Ildikó Enyedi consegue nos fazer ficar entretido com a trama romântica logo no início quando o Capitão propõe o desafio para o amigo de casar com a primeira mulher que ele vê. Mas infelizmente esse sentimento não é segurado por muito tempo no longa, afinal, depois disso temos uma longa, longa, longa jornada pela frente.

Enyedi consegue apresentar bem as diferenças entre as personalidades do casal principal que com certeza irão se chocar ao longo do filme. E bem é isso que acontece. Além de serem muito diferentes, ambos tem visões de mundo e sobre relacionamentos bastante opostas e que são esmiuçadas exaustivamente pelo texto do filme. E na tentativa de contar a história desse casal, o filme entrega uma dose de paranoia e “será que Lizzy realmente trai o marido?” gigante, e que o filme deixa se arrastar por minutos que parecem ser intermináveis. Com o vai e vem, temos um detetive contratado, o momento da indiferença, e depois o momento do conforto, onde tudo no final acaba por não funciona muito, mesmo que seja interessante os desdobramentos que a relação entre o Capitão e Lizzy ganha quando vemos os passar dos anos e os dois percebem que estão presos neste casamento.

Do início divertido com o flerte e o momento de paixão, ao jogo de gato de rato e o teste do relacionamento fora da bolha do quarto, e a introdução e a presença do cativante Louis Garrel na história, onde o ator entrega cenas bem intensas com o casal principal, o longa parece que vai se perdendo assim como a relação entre os dois. Como falamos, o maior destaque de The Story Of My Wife fica nas atuações, principalmente da Léa Seyoux que está muito bem e realmente se mostra uma força da natureza ao dar vida para a jovem Lizzy que choca o mundo certinho do rígido Capitão. O novato Naber consegue realmente passar ao longo do filme todo o sentimento de angústia e de se conflitos que seu personagem vive e como o Capitão evolui por conta do furação que foi a passagem de Lizzy na sua vida.

Quando termina The Story of My Wife deixa um sabor agridoce na boca, onde a finalização da história desses personagens com um tom mais melodramático e cheio de simbolismos que o filme apresenta parece não conseguir compensar os momentos cansativos que foram apresentados e nos levaram até ali.

Avaliação: 2.5 de 5.

Visto em sessão digital da edição 2021 do Festival de Toronto.