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The Wonder Years | Primeiras Impressões: Reimaginação da série clássica traz a felicidade, dor e realidade de um jovem negro

E a ABC finalmente estreou a nova versão de The Wonder Years. Eu não diria que é um remake, nem um reboot, mas algo completamente repaginado para uma outra realidade, mais cruel até, sobre a vida de um garoto de 12 anos que precisa lidar com coisas que estão fora de seu controle e com muitas dores que precisam ser trabalhadas.

The Wonder Years é estrelada por Saycon Sengbloh, Laura Kariuki, Dule Hill e Elisha “EJ” Williams, este que interpreta o jovem Dean Williams, enquanto o narrador, Dean Williams mais velho, tem a voz de Don Cheadle. A série tem premissa bem básica, do jovem que não entende o mundo ao seu redor, as cosias de adulto, e conversa com os amigos para compreender essa fase complicada do crescimento, das dores das verdades, dos amores…

ALERTA DE SPOILER!

Este artigo contém informações sobre os principais acontecimentos da série/filme. Continue a ler por sua conta e risco.

No episódio “1×01 – Pilot” vemos muito disso, dele bem avulso ao racismo de dois colegas brancos no colégio que não toma água onde os amigos negros estão, e até mesmo da dor de ver King morrer e não entender a dor dos pais e seus colegas com aquela perda. A própria perda dele é sentida, quando descobre que seu melhor amigo Cory (Amari O’Neil) está trocando beijos com a garota que ele havia contado para ele que estava apaixonado, a jovem Keisa (Milan Ray).

No meio de tudo isso, a apresentação dos pais protetores, e de como ele sente-se menos por ter um pai músico, uma mãe bem sucedida, e uma irmã que tem o quarto cheio de medalhas, e ele é o mais novo, o nerd. A condução das tramas são leves e é legal ver a versão adulta contextualizar em como tudo isso mudou no futuro, em como ele está bem de vida, mesmo com tantos problemas que precisou enfrentar.

O episódio piloto apresenta tudo muito bem, mesmo com um ritmo meio engessado, aí em “1×02 – Green Eyed Monster” vemos as consequências da morte de Martin Luther King Jr. e como isso acaba afetando toda a comunidade negra, e Dean ainda fica meio sem entender a mobilização das pessoas em cima da morte dele. Acaba que ele usa o luto e a preocupação das pessoas para ganhar algumas vantagens, mas sua dor foi ver o amigo Cory beijar Keisa.

Ficou bem sensível a forma como a série acabou lidando com isso, e gostei de colocarem Bill, o pai de Dean, para conversar com ele em um momento de paz na pescaria, e como tudo o faz repensar em suas atitudes. Esses momentos de pai e filho são sempre bem-vindos em série e gosto da forma que The Wonder Years mostrou que é difícil ser pai e levar uma família e ainda pensar nos sonhos e problemas, ainda mais para uma pessoa negra em um mundo tão tenso.

A tarde de Dean e sua irmã Kim também foi divertida, e mostrou muito bem como ela é alheia as coisas do irmão, mas como ambos conseguem pensar e estar conectados em uma situação de risco.

The Wonder Years vem para mostrar com uma certa leveza momentos difíceis da história americana em 1968 do ponto de vista de pessoas negras, e colocar o olhar de um jovem meio alheio a questões políticas, mas sofrendo racismo e aprendendo a conviver e o seu primeiro amor, tudo é bem encaixado.

Acho que ainda exageram na inocência por ser o olhar do jovem Dean, mas podem melhorar muito o que tem por vir na série. The Wonder Years ainda traz o que a série dos anos 1980 fez de bom: família, que acima de quaisquer problemas estão juntos e prontos para se ajudarem.