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The Old Guard | Crítica

Lançado em pleno verão americano, The Old Guard (2020) é uma das grandes apostas da Netflix para o mês de julho, afinal, não temos competição nenhuma nos cinemas, afinal, não existe cinema atualmente, não é mesmo?

E para isso, o serviço de streaming precisava de um nome de peso para chamar atenção para o filme, o que chamamos de star power, assim como foi com Resgate (2020) lançado há alguns meses por lá também.

E Charlize Theron tem isso, aquele fator X, onde é inegável o talento da atriz para os filmes de ação… ela realmente tem o star power e aqui faz toda a diferença para The Old Guard. Mas às vezes, é preciso muito mais do isso para fazer um bom filme. E nem a toda poderosa e bad ass Theron consegue salvar The Old Guard em ser mais um filme de ação padrão e igual a todos os outros milhares que já vimos por aí. Por mais interessante que seja sua trama e a ideia de colocar guerreiros imortais lutadores, acho que temos opções melhores e mais empolgantes para se assistir no final de semana.

The Old Guard | Crítica
Foto: Netlfix

The Old Guard vem na onda de adaptações de histórias em quadrinhos, e por isso talvez que a régua esteja lá em cima. São mais de 10 anos de Marvel Studios nos cinemas, temos a Dc Comics que aposta em personagens icônicos e que mesmo assim luta para encontrar seu espaço, e se você não tiver um diferencial, como a série The Boys para a Prime Video, corre o perigo de cair no lugar comum. E é isso que acontece com The Old Guard, temos a entrega de um filme comum, mediano, com algumas cenas boas aqui e ali, cortesia da direção de Gina Prince-Bythewood e que comprova, mais uma vez, como se precisasse, que mulheres na direção conseguem entregar também boas cenas de ação. Amém Cathy Yan.

Theron rouba todas as cenas, nessa versão de Mulher-Maravilha dos tempos modernos, mas sem o laço da verdade, ou a tiara reluzente. The Old Guard poderia ser muito bem um filme da personagem, onde temos desde dos mocinhos, até o vilão ah lá Lex Luthor – aqui um CEO de uma grande industria farmacêutica interpretado por Harry Melling, o Duda da franquia Harry Potter – para deixar o espectador confortável com essa nova aventura, e claro, novos personagens que são apresentados e que não usam capa ou máscaras para combater as injustiças.

E The Old Guard falha em conseguir fazer o espectador se conectar com esses personagens, essas pessoas que se passam como gente comum e se camuflam ao longo dos anos e diversas e perigosas missões, principalmente com a protagonista destemida de Theron. As motivações da personagem vem lá no final, onde o filme se prende muito nas cenas de ação e na porradaria para fazer a história acontecer.

O roteiro de The Old Guard, no meio disso tudo, até que propõe discussões interessantes sobre a utilização dos poderes do grupo imortal, mas que são rasas e pobremente desenvolvidas ao longo do filme. Cercada de uma mitologia superinteressante e que merecia ser melhor trabalhada, talvez numa série de TV, The Old Guard perde oportunidades valiosas para se destacar num gênero que parece que já começou a dar indícios de saturação.

É tudo muito previsível, das poucas reviravoltas, até mesmo para as cenas pós-créditos que seria um insulto se ela não acontecesse. É como se o filme brincasse com a inteligência de quem assiste e menospreza a bagagem do público com esse tipo de filme. 

A busca do grupo de imortais por uma nova integrante é um desvio em uma missão que por mais que entregue uma das boas cenas do filme protagonizadas pela soldado Nile (Kiki Layne, ótima) e Andy (Theron) que estão a bordo de um avião de contrabando de drogas, apenas precisa desenvolver uma nova personagem sem nem ao menos preparar o terreno para os outros personagens terem suas histórias contadas.

Charlize Theron and KiKi Layne in The Old Guard (2020)
The Old Guard | Crítica
Foto: Netlfix

Claro, é incrível ver um protagonismo feminino, e por falta de um, dois, mas aqui parece que o roteiro de The Old Guard corre para condensar tudo nas 2 horas cravadas de duração que o filme tem. Como falamos, os outros membros parecem que são esquecidos literalmente, Nicky (Luca Marinelli) e Joe (Marwan Kenzari, que conseguiu tirar o ranço de seu Jafar no live-action de Aladdin) tem poucas cenas, mas também se garantem no pouco que seus personagens são explorados na trama. A passagem dos dois na van, depois que são sequestrados, é divertida e bem humorada e ajudam o filme a quebrar o clima pesado visto em alguns momentos. O mesmo vale para os personagens de Chiwetel Ejiofor e Matthias Schoenaerts que parecem que estão ali por estarem mesmo que movimentam a trama em certo ponto.

The Old Guard tem o combo tiro, porrada, e bomba, mas parece que precisava mais, sabe? No final, o filme serve mais uma vez para comprovar o talento de Theron, que se consagra como uma excelente opção para liderar filmes de ação, mesmo que sua Andy fique lá no fundo da sala junto com Lorraine Broughton, de Atômica (2017), e Furiosa de Mad Max: Estrada da Fúria (2015).

Para uma produção que foi lançada direto no streaming, The Old Guard chega até ser uma opção válida mesmo que bata na mesma tecla todas as vezes, igual a personagem de Theron que apanha e bate repetidamente sem morrer em nenhuma delas.

Nota do Crítico:

The Old Guard disponível na Netflix.

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