Críticas Filmes 

Salve-Se Quem Puder! | Crítica: Uma deliciosa e pirada aventura sobre o fim mundo

Cada um por si, e salve-se quem puder… mas primeiro vamos postar nos Stories que o mundo está para acabar… deve ter algum filtro maneiro por aqui. Basicamente é isso o que você precisa saber sobre Salve-Se Quem Puder! (Save Yourselves!, 2020).

Salve-Se Quem Puder! | Crítica
Foto: Sony Pictures HE

A comédia estrelada pelos atores Sunita Mani, vista em Glow, e John Reynolds, visto em Stranger Things, aqui no site, já é uma das melhores do ano disparado. Mani e Reynolds, como um casal de moderninhos e hipsters de Nova York estão incríveis, e fazem um dos casais mais adoráveis do ano, muito bem, obrigado Sundance. 

O longa chega em um momento completamente propício, afinal, o mundo vive em crise, aqui por conta de um colapso de saúde, e durante um bom tempo não soubemos muito bem lidar com esse vírus que nos prendeu de quarentena e nos fez mudar nossos hábitos e comportamentos. E Salve-Se Quem Puder! faz isso, de sua própria maneira, quando Jack (Reynolds) e Su (Mani) descobrem que precisam enfrentar um outro tipo de crise mundial, sozinhos, no meio do interior dos EUA.

Salve-Se Quem Puder! entrega além de ótimas atuações da dupla de protagonistas, um roteiro afiado e sensacional da dupla Alex Huston Fischer e Eleanor Wilson, que dirigem também o longa, e que mostra como esses protagonistas navegam seus relacionamentos antes de precisarem enfrentar uma grande ameaça que vem dos céus quando eles menos imaginam. Jack e Su, um casal aparentemente normal e descolado de Nova York, decidem que precisam fazer mais com suas vidas do que apenas ficar rolando suas telas de seus celulares o tempo todo. Assim, eles se propõem a encararem 1 semana em uma casa no campo isolada, sem seus celulares, sem computadores, e nada mais. O que poderia dar errado, não é mesmo? Tudo.

Ao longo da estadia, na medida que tentam se conectar um com os outros, e discutirem a relação, Jack e Su vão perceber que eles não estão tão sozinhos assim. E assim, enquanto eles matam o tempo livre longe de tentações como “Alexa, toque Whitney Huston” ou em procurarem vídeos no Youtube de “Como fazer um armadilha para coelhos”, eles jogam cartas de baralho, fazem uma fogueira, e bebem vinho demais. Até que vão perceber a visita de um objeto estranho na sala. Deve ser parte da decoração, eles pensam, vida que segue. O que eles demoram para perceber que esse objeto peludo e redondo, “tipo o Sonic the Hedgehog” como afirma Jack, é uma ameaça alienígena que caiu do céu. 

O mais bacana que Salve-Se Quem Puder! tem uma linha narrativa parecida com Um Lugar Silencioso (2018), menos toda atmosfera sombria, a falta de som, e ser um filme de suspense. Aqui, Salve-Se Quem Puder! faz uma comédia afiada, mas que também não entrega o que é, ou qual o tipo de ameaça que a tal bola peluda é, logo de cara, apenas deixa claro que ela é uma ameaça de algum tipo, afinal, o treco tem tentáculos que soltam uma gosma e são muito rápidos. Assim, é divertido de acompanhar o casal não entendendo nada sobre essa invasão do espaço, afinal, eles estão fora do radar por terem desativados seus celulares, e não sabem de nada sobre o que aconteceu em outras cidades, com seus pais, e amigos.

Quando finalmente resolvem pegar, e ligar seus aparelhos, eles percebem a gravidade do problema, e precisam bolar um plano de fuga para sobreviverem. E aqui que Salve-Se Quem Puder! fica muito mais pirada quando vemos Jack e Su correndo para fugir dos ETs peludos e ver que realmente, em tempos de apocalipse, é cada um por si e salve-se quem puder. 

Salve-Se Quem Puder! | Crítica
Foto: Sony Pictures HE

Salve-Se Quem Puder! faz uma crítica poderosa sobre a presença, e a importância, que damos para as redes sociais, e ao mesmo tempo como precisamos cada vez mais da ajuda da tecnologia para lidar com coisas triviais da vida. Enquanto Jack e Su discutem sua relação, e passam por momentos divertidos para tentar descobrir o que fazer para não serem pegos pela ameaça extraterrestre é que o filme ganha força, muito mais do que pelo bom roteiro, mas pelas afiadas atuações de seus protagonistas que realmente estão muito bem no papel.

As atuações de Mani e Reynolds se completam, ela completamente expressiva com seus grandes olhos, e ele mais contido, mas mesmo assim com ar completamente engraçado ah lá Sheldon Cooper, e entregam bons e inspirados momentos.

Bem mais do que desenvolver uma história sobre uma ameaça alienígena e explicar as coisas cientificamente, Salve-Se Quem Puder! acerta em trabalhar e construir esses personagens, suas angústias, aflições, e sobre sua vontade de deixarem sua marca no mundo. Assim, na medida que eles tentam voltar para o mundo que eles conheciam, ou que restou deles, Jack e Su se conectam de uma forma profunda e íntima do que já jamais esperariam. Essa essa a intenção da viagem, certo? Obrigado aliens e celulares.

No final, Salve-se Quem Puder! entrega umas das mais divertidas horas que passei vendo alguma coisa nessa quarentena. Com Puffes ou não, salve-se quem puder, e se possível traga vinho. 

Avaliação: 4 de 5.

Salve-se Quem Puder! chega nas plataformas digitais em 07 de outubro.

Postagens relacionadas