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Round 6 | Crítica 1ª Temporada: Intensa, série mostra que brincadeiras de criança nunca foram tão sangrentas

Batatinha frita 1, 2, 3…

Quem nunca brincou de taco, garrafão, ciranda, bola de gude e até mesmo a dança das cadeiras? Brincadeiras inocentes de criança que em Round 6 (Squid Game ou no original Ojing-eo Geim), vinda diretamente da Coréia do Sul para a Netflix, leva ao extremo as consequências de se perder no jogo. Aqui sai o nosso garrafão ou taco, e entra o Jogo da Lula, onde equipes tem que entrar no corpo do animal desenhado no chão e depois o que se sobressair tem que ir a sua cabeça e anunciar que ganhou.

Nossa filial brasileira soube instigar com o nome da série, Round 6, por conta das 6 rodadas com 6 jogos diferentes, afinal, Jogo da Lula não é apelativo, só que na imagem de divulgação eu achei que fosse mais um reality de competição do tipo Chão de Lava ou American Ninja, com Big Brother… Eu não poderia estar mais enganado.

Mas vamos ao plot principal da série, aqui 456 pessoas com diversos tipos de problemas, principalmente financeiros, são convocadas pra um jogo de vida ou morte onde podem sair com 45 bilhões de wones, a moeda sul-coreana. Logo de começo somos apresentados ao falido Seong Gi-hun (Lee Jung-jae), que após se meter em inúmeras dívidas por aposta, acaba colocando a mãe em risco, por ter diabetes e afastar sua ex-esposa e sua filha. O convite para entrar no jogo é feito de forma bizarra no metrô e tudo só vai tomando uma dimensão cada vez mais absurda, até a chegada na ilha…

Tudo é divertido, parece uma zoação de Survivor com Chão de Lava e American Ninja, até a famigerada cena da boneca gigante e sua “batatinha frita 1, 2, 3“. A chacina é surreal e dá o tom do episódio e também do que vem pela frente na série, que parece uma mistura mais colorida de Jogos Mortais com o filme O Cubo.

De 456 pulamos para 201, depois para 187 e assim vamos vendo os personagens sendo dizimados, arrastados, jogados e todas as possíveis mortes que chegam neles, fora os tiros para os perdedores, pois o que temos é uma chacina em meio a cenários lúdicos e infantis.

A forma como vamos caminhando e vendo os personagens morrer e como cada um fica sendo apenas um número, é muito intenso. Da mesma forma, quando vamos nos conectando a eles, tendo nomes, como Sang-woo, Sae-byeok, Il-nam, Mi-nyeo e o divertido Abdul Ali, um paquistanês que não ganha bem e espera que o jogo lhe traga uma forma de dar uma vida melhor a sua família.

Falando sobre a coragem humana e as decisões que podem ser melhor para si, e que podem afetar os outros, a série mostra uma correria de gente querendo sobreviver, enquanto alguns, como Gi-hun, que ainda quer a ajuda em equipe e pensa em uma forma de salvar a todos ali, mesmo que a morte seja o único caminho e só possa ter um vencedor.

No meio do jogo de sobrevivência, ainda tem um policial que vai atrás de seu irmão que simplesmente desapareceu depois de receber o cartão. Lógico que as reviravoltas, mesmo que muitas delas não muito surpreendentes, como a identidade do irmão de Jun-ho, mas também temos surpresas como o verdadeiro líder por trás dos jogos, que acontecem desde 1988 em diversas partes do mundo.

A vida é curta.

Visto como uma verdadeira crítica ao sistema financeiro e capitalista, Round 6 tem potencial para mais temporadas, e espero mesmo que volte a ver o que o ganhador do jogo irá aprontar, visto que o líder deixou claro para ele que ele precisa seguir a própria vida e esquecer tudo o que aconteceu.

O laço de amizade de Gi-hun com Sae-byeok foi bem legal na construção, assim como uma amizade com rivalidade dele com Sang-woo, o garoto mais inteligente e cheio de oportunidades de seu bairro, mas que era um falido. Inclusive a cena de uma briga entre os dois colegas é sensacional. Gostei dos personagens que rolaram em cena, como a desbocada e cheia de si Mi-nyeo, ou o gângster canastrão e cheio de marra Deok-su. Mas é a união de Gi-hun com Il-nam a conexão mais interessante da série, e que tem uma virada dupla bem bizarra.

Round 6 ainda deixa uma sensação de que pode render mais, e muito mais brincadeiras, e espero que em uma nova temporada explorem as motivações de uma forma mais interessantes, e com o final que vimos, acredito até que ficaria ainda mais sangrenta uma nova rodada dos jogos.

E o sucesso de Round 6 acabou sendo tão grande que na Coréia do Sul uma senhora está processando a Netflix por ter divulgado o número de seu telefone nos cartões de convite, pois ela tem recebido milhares ligações diárias, a resposta? “Troca de número”, afinal, agora não tem muito o que fazer mesmo, né? E um provedor de internet está processando também o serviço de streaming por conta do excesso de tráfego.

Avaliação: 4 de 5.

Round 6 tem seus 9 episódios da 1ª temporada disponíveis na Netflix.