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Ron Bugado | Crítica: Uma divertida animação que fala sobre amizade e nossa relação com a tecnologia

Uma coisa é certeza: depois de assistir Ron Bugado (Ron’s Gone Wrong, 2021), definitivamente você vai querer um B-bot para chamar de seu. O novo longa do estúdio 20th Century Studios pode não ter o mesmo charme dos primos da Disney Animation ou da Pixar, mas entrega sim aqui uma divertida e contagiante animação. E aqui, Ron Bugado fala sobre amizade e nossa relação com a tecnologia de uma forma feita como uma verdadeira animação do selo Disney.

Uma animação com um tom completamente descompromissado que arranca boas risadas e entrega momentos bem espirituosos para contar a história desse jovem garoto que fica amigo desse robô sem filtro, onde juntos eles descobrem o verdadeiro sentido da amizade, e ainda lidam com uma corporação multimilionária e outros milhares de robôs que são “infectados pela febre Ron” que se espalha pelo mundo quando o código de Ron se multiplica por aí.

Mas, só um minutinho nessa sua leitura, que estamos já partindo para a atualização e nem tiramos Ron da caixa, não é mesmo ?

Ron Bugado
Foto:  Locksmith Animation/LOCKSMITH ANIMATION – © 2021 20th Century Studios. 

Ron Bugado é a história do jovem Barney (voz de Jack Dylan Grazer no original), um garoto desajustado que vive num mundo onde parece que toda criança tem um b-bot, um robô que serve de função de ser um melhor amigo, onde por conta de suas configurações, entende compreende os gostos da criança, o que ela gosta de fazer e tenta criar uma rede social com outras pessoas que o código combina. Legal né? Mas para Barney isso significa ficar ainda mais sozinho, afinal, ele não tem um b-bot para quebrar o gelo e fazer essa ponte durante o intervalo.

O que para ele é um terror, afinal, os professores vivem por colocar o jovem no Cantinho para Fazer Amizade, um banco frio e sem graça no canto do pátio do colégio. Tudo muda quando seu pai esforçado e vendedor de cacarecos (voz de Ed Helms no original) e sua avó excêntrica do leste Europeu (voz de Olivia Colman no original) compram um b-bot para o jovem no seu aniversário. Mas claro que temos uma pegadinha aqui!

Os familiares de Barney compraram um robô para o jovem de segunda mão, um que caiu do caminhão, e tem um pequeno defeitinho. Quando Barney tentar ligar e configurar o b-bot, descobre que ele está bugado, mas mesmo com vários erros, liga e funciona. Como Barney nunca teve um, ele não sabe efetivamente o que esperar do robô. E nossa aventura começa.

Ron Bugado coloca esses dois personagens, bem opostos um dos outros, em diversas situações em que vemos essa amizade improvável crescer. Assim, boa parte do filme vemos Barney colocar o b-bot agora chamado Ron (voz de Zach Galifianakis no original) para descobrirem tudo que Barney gosta, mas na medida que essa amizade floreia, os dois vão descobrir que amizade é via de mão dupla. 

É como se em Ron Bugado tivemos uma mistura de Wall-E (da Disney lançado em 2008) com A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas (Sony Animation para a Netflix lançado agora em 2021) , mas sinto que o texto, e o roteiro da dupla Peter Baynham e Sarah Smith se esforça ao máximo para conseguir criar uma ambientação bacana para as crianças, como muita cor, sequências barulhentas e muita coisa acontecendo em tela, e ainda consegue também criar por cima disso uma história, e um comentário sobre o que acontece no mundo da tecnologia, aqui muito mais para os adultos, muito interessante. Afinal, na medida que descobrimos que Ron acabou por desenvolver uma personalidade própria, um novo código que foi criado com tudo que ele aprendeu com Barney, a empresa que ele criou começa a ficar de olho e querer saber o que realmente aconteceu.

Ron Bugado
Foto:  Locksmith Animation/LOCKSMITH ANIMATION – © 2021 20th Century Studios.

Um de seus executivos, o jovem criativo Marc (voz de Justice Smith no original) quer entender mais sobre isso, já o outro, mais velho, e a figura clássica e clichê de um executivo de tecnologia, o executivo Graham (Ed Helms) quer apenas coletar dados e fazer com que os b-btos sirvam muito mais como uma ferramenta de venda de produtos do efetivamente serem “amigos” das pessoas. Com a figura de Ron efetivamente em perigo Barney parte em missão para tentar salvar esse único amigo e quem sabe também não fazer outras amizades ao longo do caminho. 

Assim, Ron Bugado vem desses filmes recentes do estúdio na veia de Free Guy – Assumindo o Controle que consegue entregar um longa divertido e ao mesmo tempo interessante sobre nossa relação com a tecnologia. Aqui o que temos são momentos que você ri, outros que você se emociona, e como animação é tudo que a gente espera de uma. No final, o que temos em Ron Bugado é uma, com uma mensagem que é contada de uma forma muito lúdica e cheia de momentos agradáveis.

E isso Ron Bugado tem de sobra. 

Avaliação: 3 de 5.

Ron Bugado chega exclusivamente nos cinemas em 21 de outubro.