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Razão e Sensibilidade | Crítica: Nova adaptação de Jane Austen é bonita, mas entrega filme bege

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Talvez a adaptação mais famosa da história das irmãs Elinor e Marianne Dashwood, vista na obra de Jane Austen, seja o longa da década de 90 que foi estrelado por nomes como Emma Thompson, Kate Winslet, Hugh Grant e o falecido Alan Rickman. 

Dirigido por Ang Lee, essa adaptação foi indicada para vários Oscar, inclusive Melhor Filme, e levou Melhor Roteiro Adaptado para Thompson, que também estava indicada a Melhor Atriz. E, agora, 30 anos depois, uma nova versão de Razão e Sensibilidade (Sense & Sensibility, 2026) chega aos cinemas. Dirigida por uma mulher, Georgia Oakley (de Blue Jean), e roteirizada novamente por uma mulher, aqui no caso, Diana Reid, a nova adaptação acerta em diversas frentes, sem dúvidas.

Seja por conta do elenco liderado pela talentosa Daisy Edgar-Jones e pela relativamente novata Esmé Creed-Miles (onde sobrenomes compostos foram a escolha para fazer parte do elenco, risos), seja pela recriação belíssima da época com figurinos, cenários e tudo mais. Mas, ao mesmo tempo, essa nova versão não tem brilho, é pálida e faz, em resumo, um filme bege.

Photo by Courtesy of Focus Features – © 2026 FOCUS FEATURES LLC. ALL RIGHTS RESERVED.
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Claro, Oakley nos agracia com cenas bem-feitas, bem dirigidas e tudo mais. O elenco dá o seu melhor para contar essa história e ainda dar um toque mais moderno, mas sinto que falta alguma faísca, alguma coisa: um certo atrevimento e o sentimento arrebatador de torcer pelo casal principal, de ver um romance avassalador em tela. E não estou falando de cenas mais ousadas, não. Não esperava ver um softporn, não. Mas sim, romance.

Sabe o sentimento de coração na boca, de ver toques de mão que contam mais que tudo, olhares apaixonantes de duas pessoas, cada uma de um lado da sala…. falta tudo isso em Razão e Sensibilidade. É um filme totalmente técnico e sem paixão, se formos fazer um paralelo com o título e com a personalidade contrastante das irmãs Dashwood. Se for para pegar carona em Bridgerton e fazer um revisionismo de um dos maiores clássicos da literatura, que faça com um tchan.

E, falando assim, parece que o novo Razão e Sensibilidade é ruim. E não é. Daisy Edgar-Jones segura o longa como uma verdadeira lead actress, uma atriz principal, protagonista. George MacKay também está bem como o partidão da vez; Fiona Shaw, como a srta. Jennings, entrega uma atuação marcante pelo tom cômico e curiosamente estará também em outra obra de Austen que chega em 2026, só que no streaming: Orgulho e Preconceito.

Photo by Courtesy of Focus Features – © 2026 FOCUS FEATURES LLC. ALL RIGHTS RESERVED.

Mas fica claro, que sim, todo mundo entrega o seu melhor: dos nomes mais conhecidos do grande público e do cinema americano para os não tão conhecidos, como Esmé Creed-Miles, que faz uma adorável e cativante Marianne; Frank Dillane (curiosamente o jovem Tom Riddle nos filmes de Harry Potter), como o polêmico e dúbio Willoughby; e também Stacy Martin, como a ardilosa e esnobe Fanny.

Em termos de narrativa, e de história, a trajetória das irmãs Dashwood segue a história que já conhecemos em Razão e Sensibilidade: as duas irmãs, a mais nova Margaret (Bodhi Rae Breathnach) e a mãe, a Sra. Dashwood (Caitríona Balfe), precisam deixar o casarão onde vivem depois da morte do pai. O meio-irmão mais velho, John (Tom Brooke), e sua esposa, Fanny (Martin), assumem o local, e as jovens mulheres partem para viver em locações mais humildes e com uma mesada menor do que esperavam.

Assim, todos os percalços que as irmãs Dashwood vivem enquanto buscam parceiros (e o amor idealizado) são contados ao longo das mais de duas horas que a nova versão possui. A ambientação caprichada ajuda a embarcar na trama, até mesmo se você não sabe bem do que se trata essa história, quem são os personagens e tudo mais. Os momentos mais cômicos ficam nas mãos das personagens caricatas, aqui liderados por Shaw e que parece ter se divertido nas gravações. Já as reviravoltas, típicas dos romances de Austen, estão presentes e ajudam a narrativa a fluir. E, como falei, os atores entendem o projeto, seus personagens e estão realmente muito bem.

No final, é mais como se realmente Oakley e companhia não quisessem mexer no clássico, assim como foi com O Morro dos Ventos Uivantes no começo do ano, e entregassem o feijão com arroz. Alimenta, mas falta alguma coisa, sabe?

Nota:

Razão e Sensibilidade está em cartaz nos cinemas nacionais.

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Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

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