Críticas Destaques Filmes 

Luca | Crítica: Alto-astral, animação faz uma celebração para toda criança cheia de imaginação que existe por aí

Silêncio Bruno! É o que eu digo se você pensar em não dar uma chance para Luca (2021), a nova animação da Pixar que chega no Disney+ na próxima sexta-feira. O novo longa animado do estúdio faz uma belíssima história de descobrir seu lugar no mundo e serve como uma carta de amor tanto para a Itália quanto para todas as crianças com a mente fértil e cheias de imaginação de todo mundo.

A animação pode se passar na Itália, mas trata de assuntos universais e que podem ser sentidos por qualquer um, em qualquer parte do mundo. Luca entrega um sopro de divertimento no meio do caos que vivemos, e faz uma animação gostosa de se assistir, assim como, tomar um sorvete gelado numa tarde de verão.

A amizade de Luca e Alberto é uma que deve se conectar com várias amizades por aí, não importa se você é uma jovem criança, um jovem adulto ou um monstro marinho com escamas e uma cauda gigante. A aventura desses amigos criaturas marinhas em terra seca faz um filme sobre amizade, companheirismo e uma história visualmente tão bonita enquanto engraçada e tocante. 

Luca – Crítica
Foto: Disney/Pixar

A nova animação dos estúdios Pixar, que chega diretamente no Disney+, nos apresenta a figura de Luca Paguro (voz de Jacob Tremblay no original) um garotinho curioso e com uma mente não muito aberta para novas ideias e sair do lugar comum. Lembrou alguém? Pois então, a diferença é que Luca é um monstro marinho que vive nos mares cristalinos e verdes da Itália. Com uma curiosidade gigante para o que tem na superfície e para os objetos humanos, ah lá A Pequena Sereia, Luca vive seus dias na supervisão ferrenha da mãe Daniela (voz de Maya Rudolph no original), ah lá Procurando Nemo, e ainda com seu pai Lorenzo (voz de Jim Gaffigan no original) e sua avó (voz de Sandy Martin no original).

Um dia, nadando por aí, Luca conhece Alberto (voz de Jack Dylan Grazer no original), um outro jovem, e também criatura marinha, completamente diferente dele.  Alberto diz ser “um especialista” em várias coisas e muito mais safo e descolado que Luca. Uma amizade de verão surge e Luca e Alberto passam o tempo juntos como areia no corpo num dia de praia, ou um refresco que ajuda a matar a sede quando as temperaturas estão elevadas. Os amigos podem ter personalidades diferentes, mas compartilham os mesmos sonhos (uma Vespa! para sair por aí) e passam bons dias brincando tanto no mar quanto na superfície.

O diretor Enrico Casarosa consegue capturar bem, e transportar para a tela de uma forma super colorida e lúdica, as personalidades desses protagonistas e suas imaginações férteis que faz da dupla dois rapazes que sonham acordados em pleno verão italiano. Quando Luca e Alberto se encontram em uma enrascada, eles partem para o único lugar que eles pensam que poderia os abrigar: a vila dos pescadores perto de onde eles moram. 

E assim, Luca faz os jovens Luca e Alberto embarcarem numa jornada rumo ao desconhecido ao mesmo extremamente divertida e alto-astral.Luca tem quê de doçura para contar essa história e de ver a vida de uma forma mais simples que há tempos não via em um filme animado. A produção parece dar um passo para trás, não que isso seja ruim, ao contrário, para o que o gênero tem feito ultimamente, onde tudo precisa ser um espetáculo ou uma coisa grandiosa, e aqui faz uma animação com um tom muito mais intimista, sem deixar de ser leve e convidativa. Diferente de Soul, Luca não nos faz pensar no sentido da vida, e sim, nas pequenas coisas que fazem a vida valer a pena, e faz isso de uma forma extremamente mais fácil e sem exigir muito de si mesmo como produto cinematográfico. E ao mesmo tempo, faz igual Viva – A Vida é Uma Festa ao se debruçar em uma cultura totalmente única e cheia de pequenos momentos que deverão deixar o espectador babando com a qualidade técnica e visual que novamente a Pixar acerta.

Luca
Luca – Crítica
Foto: Disney/Pixar

Ao colocar os jovens adolescentes na simpática, mas ao mesmo tempo não muito amigável Portorosso, Luca e Alberto encontram na jovem Giulia (voz de Emma Berman no original), finalmente os seus lugares na superfície e na jovem uma guia para a cidade e suas peculiaridades. O trio parada dura, mussarela peperoni, faz algumas das cenas mais divertidas em uma animação do ano enquanto precisam fugir dos valentões de Portorosso que acham que Giulia é uma garota estranha e diferente deles. A personalidade da jovenzinha é de uma garota curiosa, destemida e inteligente e que deve ser um modelo para diversas garotinhas por aí que não se enquadram no perfil princesa da Disney do estúdio.

E ao mesmo tempo que Luca mostra que nossas semelhanças nos unem uns com os outros, o time de roteiristas, a dupla Jesse Andrews e Mike Jones, conseguem mostrar também que ao respeitar e entender as nossas diferenças, também é uma coisa faz uma amizade valer a pena. Ao juntarem suas forças em uma competição que acontece em Portorosso todo ano – em que Luca e Alberto precisam também se esconderem suas verdadeiras identidades de todos os moradores, principalmente de sua nova amiga Giulia, do pai dela, o pescador Massimo (voz de Marco Barricelli no original) e do gato ranzinza deles – a dupla mostrará que algumas coisa valem a pena para se lutar sim.

Todas as passagens que mostram Luca e Alberto desviando das chances que eles tem de serem descobertos e exporem suas verdadeiras identidades são extremamente engraçadas e uma mais maluca que a outra, afinal, eles estão em uma cidade litorânea e praticamente cercados por água o tempo todo, mas Andrews e Jones conseguem se sair bem no texto, e acertam nas mais diversas peripécias dos garotos, e também dos pais de Luca que chegam na cidade em busca do filho. E eu aqui destaco o trabalho da genial e hilária, Maya Rudolph como voz de Daniela, que rouba totalmente as cenas, quando aparece.

No final, Luca faz uma animação visualmente encantadora, e que aposta em personagens carismáticos para contar uma história para lá de bonita e que como em um bom filme da Pixar se apoia em uma mensagem inspiradora. Aqui, temos um verdadeiro novo acerto da Disney/Pixar, assim como um cafezinho expresso depois do almoço… um para se assistir e assistir diversas vezes.  

Avaliação: 4 de 5.

Luca está disponível no(s) seguinte(s) streaming(s):

Luca chega no dia 18 de junho no Disney+. sem custo adicional.