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Perry Mason (HBO) | Primeiras Impressões

O retorno de Perry Mason na HBO era uma das apostas mais arriscadas no ano do canal. Afinal mexer com um dos grandes símbolos da TV americana não é uma tarefa muito fácil, mas a HBO é conhecida pela sua qualidade, e isso aqui vai desde do elenco escolhido, até mesmo os nomes na nova produção que estreou esta semana.

O canal lançou o primeiro episódio numa data chave nos EUA e isso se refletiu na audiência, Perry Mason foi a melhor estreia do canal nos últimos dois anos, impulsionada pela possibilidade de se assistir a série nos canais de streaming da HBO americana. 

Série Perry Mason – Crítica
Foto: HBO

E o reboot de Perry Mason mantém algumas semelhanças com a série original – antes foi um programa de rádio, e parece que vem sempre se adaptando as novas tecnologias – como o fato do investigador principal se chamar, claro Perry Mason, e a secretária do escritório que ele auxilia se chamar Della Street. E todo esse apelo para a nostalgia pareceu fundamental para fisgar o espectador mais velho, e o público alvo da HBO, com essa nova versão, assim como as outras gerações mais jovens e conectadas.

Nos anos 60, Perry Mason fascinava o público com casos do dia que pareciam ser completamente difíceis de se resolver, mas lá no final do episódio uma reviravolta surgia onde provas ou testemunhas chaves ajudam o investigador a completar o caso. Aqui, na versão 2020, parece que os produtores estão muito mais interessados em criar uma certa construção de personagem para Perry Mason onde vão firme, já no episódio 1, em mostrar um pouco da mente brilhante, mas um pouco perturbada do personagem que trabalha como detetive particular logo após ter voltado da guerra.

E esse é tom que Perry Mason quer passar, uma produção super densa, que joga o espectador no meio de Los Angeles nos anos 1930 meio sombria, pessimista, e escura, mas que apresenta um clima noir bastante cativante e convidativo. A trama do episódio tem um arco narrativo que parece que irá se estender ao longo da temporada como um todo, o caso chocante do bebê que teve os olhos costurados e deixado no trem, mas ao mesmo tempo vemos Mason trabalhar em outros casos, como o do ator que traía a esposa com uma outra colega de estúdio.

E para a série funcionar, a escalação do ator Matthew Rhys foi fundamental. Rhys tem esse visual meio da velha guarda uma mistura de Marlon Brando com Clark Gable, onde o ator tem um certo apelo em escolher personagens mais complexos do que apenas seu visual vide sua longa trajetória na série The Americans na qual ele levou um Emmy em 2018.

E aqui Rhys se entrega para o personagem e tem uma atuação bem inusitada para Mason, onde aqui parece que ele perdeu a vontade de viver após voltar da guerra e ver seu casamento terminar, onde agora apenas sobrevive. A série usa de um humor sarcástico, tenebroso e a visão pessimista de Mason para ver as coisas como se tudo aquilo o entediasse e que ele fosse a pessoa mais inteligente da sala.

Mas Perry Mason conquista por toda a apresentação criada para nos jogar na história, claro o caso do dia é intrigante, e para isso Perry Mason nos transporta uma Los Angeles antiga, com um clima de uma Hollywood clássica e um certo glamour convidativo.

As motivações de Mason para trabalhar nos casos, além do financeiro obviamente, e o método de investigação peculiar dão um charme para a série, assim como os outros nomes ligados no elenco como o talentoso John Lithgow que interpreta Elias Birchard “E.B.” Jonathan, um advogado que contrata Mason para alguns trabalhos, a já citada Della Street (Juliet Rylance), e ainda o colega de investigação Pete Strickland (Shea Whigham). A série ainda terá a presença da atriz Tatiana Maslany como uma líder religiosa que parece que terá conexões com o caso principal que apenas é mostrada de relance no começo da produção.

Série Perry Mason – Crítica
Foto: HBO

Talvez o novo Perry Mason não se preocupe em criar os casos mais mirabolantes ao longo de seus 8 episódios, mas sim, trabalhar em uma trama mais complexa e interligada e que dure uma temporada inteira. A nova versão parece muito mais interessada em desenvolver o seu protagonista como um personagem complexo, cheio de chamadas, e contar os motivos pelo qual ele é o que é. Perry Mason está muito mais interessado na figura do Perry Mason do que nos casos que ele investiga.

O valor de produção com a trilha sonora no ponto, e toda a caracterização de época americana pós Primeira Guerra e pós Depressão são junto com a atuação magnética e envolvente de Rhys os fatores fundamentais para dar uma chance.  Sem dúvidas o novo Perry Mason presta uma homenagem bastante fiel para a série antiga onde as provas estão todas jogadas na mesa, sem dúvida nenhuma do seu veredito. 

A minissérie Perry Mason é exibida no Brasil pela HBO e HBO GO.

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