Críticas Filmes 

Os Pequenos Vestígios | Crítica: Um grande elenco entrega um suspense fraco

O que mais chamou atenção em Os Pequenos Vestígios (The Little Things, 2021) foi claramente seu elenco. O diretor John Lee Hancock conseguiu reunir neste suspense um grande elenco, mas ao filmar esse filme com base em um roteiro escrito por ele mesmo, esqueceu a regra número 1 para produções do gênero: o diabo está nos detalhes e nas pequenas coisas. E aqui é o que fez toda a diferença.

O elenco de Os Pequenos Vestígios não é pequeno, pelo contrário, é um dos bons e de dar inveja para muita produção. Nele, temos 3 vencedores do Oscar que atuam juntos e realmente elevam a produção que sai de ser um filme qualquer para ser uma produção que vale a pena dar uma chance. Com Denzel Washington, Rami Malek e Jared Leto nos papéis principais, Os Pequenos Vestígios é a união desses atores super talentosos que fazem seu melhor com um roteiro, e uma história, que infelizmente demora para mostrar para que veio.

Os Pequenos Vestígios – Crítica
Foto: Warner Bros. Pictures

 O que poderia ser um incrível suspense, com um pegada mais sombria, e quase com um tom noir, cheio de paranoias e reviravoltas que nos deixaria preso na cadeira para saber o que acontece e quem é realmente o culpado, Os Pequenos Vestígios acaba por ser apenas um amontoado de cenas que poderiam estar em qualquer dessas séries policial procedural que passa na TV em reprises nas tardes da programação. Os Pequenos Vestígios tinha tudo para entregar um suspense policial daqueles, mas como falamos, são nas pequenas coisas que Hancock falha em conseguir utilizar seus três atores para conseguir contar uma história que empolgasse.

Claro, Leto mostra que não existem pequenos papéis, e aqui realmente se sobressai como Albert, um dos suspeitos de ser um assassino em série que tem deixado a polícia de Los Angeles de cabelo em pé a sua busca nos anos 90. Mas todos os caminhos que a trama apresenta não dão em nada, e Hancock apenas faz uma história que apela para aceitarmos suas conveniências para justificar os destinos de alguns personagens, e as decisões que eles tomam ao longo do caminho. Assim, por conta do roteiro que dá voltas e si mesmo, Os Pequenos Vestígios nunca decola propriamente dito, nem mesmo nos seus minutos finais quando esperamos que algum tipo de reviravolta de último minuto venha para nos surpreender.

Hancock precisa ao mesmo tempo trabalhar e desenvolver essa trama do tal serial killer e esse mistério, ao mesmo tempo também precisar trabalhar com seus outros protagonistas, o ex-detetive de cidade grande que ainda guarda mágoas de seu antigo emprego e que agora é o xerife Joe Deacon, o Deke (Denzel Washington) de uma cidade pequena, e Jim Baxter (Rami Malek) que é funcionário prodígio e quer fazer carreira na polícia no mesmo lugar quando Deacon trabalhou por anos. Ambos os atores estão bem aqui, confortáveis em seus papéis, e entregam personagens com personalidades bem diferentes umas das outras, onde cada um tem seus casos para investigar e seu modo de trabalhar, mas acabam por se unirem contra essa ameaça invisível e que parece sumir a cada vítima, já são 6 até agora, sem deixar nenhum detalhe (ou vestígio?) para a polícia investigar.

Os Pequenos Vestígios – Crítica
Foto: Warner Bros. Pictures

E assim, Hancock precisa tempo de sobra para fazer isso acontecer, onde faz com que a experiência de acompanhar Os Pequenos Vestígios ser bem cansativa de assistir. Washington e Leto têm algumas das melhores cenas do longa juntos, quando estão em uma rodovia com seus carros, e outra durante um investigatório que não dá em nada para fazer com que o ex-detetive consiga prender o suspeito que é muito mais inteligente do que eles imaginam. São nas partes dos dois, e quando o filme mostra os personagens de Washington e Leto nesse jogo de gato e rato que o filme se garante e realmente são as melhores partes que o filme entrega.

Os Pequenos Vestígios consegue até criar uma atmosfera densa, com uma fotografia escura que deve fazer o filme ser uma opção chamativa para quem é amante do gênero, mas para quem realmente curte, ao ver o filme, talvez, já chegue também com uma sensação que já viu tudo isso em alguma outra produção, e deduza todas as pistas de uma vez. Assim, enquanto a investigação continua, e temos uma sequência inteira importante que passa em um deserto quilômetros de distância de qualquer lugar, e decisões que são tomadas são aquelas que esses personagens nunca poderão voltar atrás, Os Pequenos Vestígios brinca com as noções de certo e errado que o trio toma em um determinado momento do filme. Ao nunca decidir se quer contar uma trama sobre os assassinatos em si ou sobre esses personagens, Hancock perde tempo preciosos que poderiam ser utilizados caso tivesse optado por uma dessas.

No final, Os Pequenos Vestígios parece que tenta ser muito mais um estudo de personagens do que propriamente um suspense interessante, mas até aí as atuações do trio principal parecem também que não foram avisadas disso e são desperdiçadas completamente aqui. Uma pena.

Avaliação: 2 de 5.

Os Pequenos Vestígios disponível nos cinemas que estiverem abertos.

Vimos o filme numa sessão para jornalistas pela Warner Bros. que seguiu todas as recomendações de saúde impostas contra o COVID-19