O que sabemos do filme sobre garotinha presa no conflito de Gaza que foi aplaudido por mais de 20 minutos e Veneza?; tudo sobre The Voice Of Hind Rajab.

As celebridades já passaram pelo Festival de Veneza. Os principais estúdios como Focus Features, Netflix, e A24 já apresentaram seus filmes e apostas para a temporada no festival italiano e já partiram para Telluride e agora seguem rumo a cidade canadense de Toronto para outra rodada de festivais e depois para Nova York. Mas é bem no finalzinho de Veneza que surge um dos favoritos para levar o Leão de Ouro: se trata do filme da Tunísia e da França chamado The Voice of Hind Rajab(A Voz de Hind Rajab, em tradução livre).
De Kaouther ben Hania e falado todo em árabe o filme bateu o recorde hoje (3) no festival de Veneza ao ser aplaudido por mais de 20 minutos. 23 minutos e 50 segundos, segundo reportes da imprensa americana.
Com 100% de aprovação dos críticos, o longa se torna um dos favoritos para fazer a rapa nos prêmios do festival italiano que termina nos próximos dias. O motivo é o tom político da história. Será que The Voice of Hind Rajab em Veneza vai repetir o que aconteceu com It Was Just An Accident em Cannes? O longa estreou no festival francês em Maio e ganhou o prêmio máximo por lá. (Segue sem anúncio oficial de distribuição no Brasil, mas é cotado para passar na 49ª edição da Mostra de SP, que tradicionalmente tem a Palma de Ouro como filme de destaque).
Hania também cuidou do roteiro que reconstrói os eventos em torno do assassinato de Hind Rajab, uma garotinha de 6 anos, seus quatro primos, sua tia e tio, e os dois paramédicos que vieram em seu socorro depois que seu carro foi alvejado enquanto tentavam fugir da cidade de Gaza em janeiro de 2024.
No elenco temos Saja Kilani, Motaz Malhees, Clara Khoury e Amer Hlehel.
Sobre os motivos que levaram Hania ao projeto, a diretora comenta: “Havia algo elétrico na energia em torno deste projeto, tão imediato, tão vivo. Nunca imaginei que seria possível ir do início ao fim em apenas doze meses. Foi assim que tudo começou: eu estava no meio da campanha do Oscar para Les filles d’Olfa e me preparando mentalmente para finalmente entrar na pré-produção de um filme que vinha escrevendo há dez anos. Então, durante uma escala no aeroporto de Los Angeles, tudo mudou. Ouvi uma gravação de áudio de Hind Rajab implorando por ajuda. Naquela época, sua voz já havia se espalhado pela Internet. Imediatamente senti uma mistura de impotência e uma tristeza avassaladora.”
A diretora continua: “Uma reação física, como se o chão tivesse se movido sob meus pés. Não consegui continuar como planejado. Entrei em contato com a Movimento Internacional da Cruz Vermelha e pedi para ouvir o áudio completo. Depois de ouvir, soube, sem sombra de dúvida, que precisava deixar tudo o mais de lado. Eu precisava fazer esse filme. Conversei longamente com a mãe de Hind, com as pessoas reais que estavam do outro lado da linha, aquelas que tentaram ajudá-la. Ouvi, chorei, escrevi. Depois, criei uma história em torno dos seus testemunhos, utilizando a gravação de áudio real da voz de Hind e construindo um filme num único local, onde a violência permanece fora do ecrã. Foi uma escolha deliberada. Porque as imagens violentas estão por todo o lado nos nossos ecrãs, nas nossas linhas do tempo, nos nossos telemóveis. O que eu queria era concentrar-me no invisível: a espera, o medo, o som insuportável do silêncio quando a ajuda não chega. Às vezes, o que você não vê é mais devastador do que o que você vê.
No fundo, no centro deste filme, está algo muito simples e muito difícil de conviver. Não consigo aceitar um mundo em que uma criança pede ajuda e ninguém vem. Essa dor, esse fracasso, pertence a todos nós. Esta história não é apenas sobre Gaza. Ela fala de um luto universal. E acredito que a ficção (especialmente quando se baseia em eventos reais, dolorosos e comprovados) é a ferramenta mais poderosa do cinema. Mais poderosa do que o barulho das notícias de última hora ou o esquecimento do scroll. O cinema pode preservar uma memória. O cinema pode resistir à amnésia. Que a voz de Hind Rajab seja ouvida.
29 de janeiro de 2024. Voluntários da Cruz Vermelha recebem uma chamada de emergência. Uma menina de seis anos está presa em um carro sob fogo cruzado em Gaza, implorando por socorro. Enquanto tentam mantê-la na linha, eles fazem tudo o que podem para enviar uma ambulância até ela. Seu nome era Hind Rajab.
O longa não tem distribuidor americano anunciado.
Sem previsão de estreia.











