O Homem de Toronto | Crítica: Comédia de ação com Kevin Hart e Woody Harrelson é apenas embaraçosa

Confesso que desde da sua fase de desenvolvimento alguns anos atrás achei o conceito que O Homem de Toronto (The Man From Toronto, 2022) iria apresentar muito bom: Um homem comum e um matador de aluguel vão para o mesmo chalé alugado e de lá são confundidos um com o outro.

E o longa do diretor Patrick Hughes (do ótimo Dupla Explosiva e do não tão bom assim Dupla Explosiva 2) até entrega as sementes de que poderia até sair uma coisa boa aí, mas no final, nem com o carisma de Kevin Hart, e nem a cara de mau de Woody Harrelson salva o longa de ser apenas 2 horas de pura vergonha alheia.

Kevin Hart e Woody Harrelson em cena de O Homem de Toronto
Foto: Sabrina Lantos/Netflix © 2022.

E ao repetir a ideia de colocar o humor mais físico e pastelão de Hart com outro ator de comédia conhecido, e que vem de uma grande lista de filmes, como Central de Inteligência (2016 com The Rock), O Durão (2015 com Will Ferrell) e Operação Supletivo – Agora Vai (2018 com Tiffany Haddish), O Homem de Toronto apenas consegue entregar pequenos bons momentos quando Hart e Harrelson estão em missão juntos, mas todo o resto que cerca os dois no filme, seja a história, ou como os outros personagens interagem com eles e tudo mais, soa tão fraco e mal desenvolvido que fica claro a intenção da Sony Pictures em abordar um lançamento nos cinemas e vender o longa para a Netflix.

Sim, temos momentos interessantes e que tiram algumas risadas em O Homem de Toronto, mas ao mesmo tempo outros que cruzam uma linha que não sei se deveria ser cruzada. Tipo aquelas cenas que você assiste e fala: Socorro não acredito que eles foram por esse caminho. Estou falando de interrogatórios com cenas de vômitos, personagens que surgem do nada, um agente do governo bonitão que deveria flerta com a esposa do protagonista, e um tipo de forçação de barra para fazer as coisas acontecerem em prol da piada que realmente soam um pouco desesperado da parte dos roteiristas.

A dupla Robbie Fox e Chris Bremner parecem que colocam todos os tipos de clichês de filmes de espiões aqui e entregam uma salada de frutas sem tamanho e que soam apenas genérica e sem graça. Hart e Harrelson fazem seus melhores, mas no final muita coisa os deixam travados para deixar O Homem de Toronto fluir naturalmente. 

Na medida que Teddy (Hart), um cara que se esforça muito para as coisas acontecerem, decide surpreender sua namorada Lori (Jasmine Mathews) com um final de semana em um chalé para eles comemorarem o aniversário dela, nem parece que ele está prestes a enfrentar os dias mais malucos de sua vida. Impressora sem tinta, desvios inesperados e um cara preso no porão são o começo de um final de semana inesquecível para o digamos incompetente e azarado rapaz.

O longa leva tempo para nos apresentarmos para as figuras completamente apostas de Teddy e do Homem de Toronto e estabelecer como eles operam cada um nos seus mundos: Teddy como um funcionário de uma academia de cidade pequena que tem várias ideias, uma câmera, e um canal no YouTube e o Homem de Toronto, um matador de aluguel que tem fama no submundo do crime por suas técnicas de tirar qualquer informação que o contratante quiser.

Assim, o longa mistura os dois, quase como quisesse forçar desesperadamente um filme de buddy comedy, e que coloca Teddy se passando pelo tal assassino de Toronto na medida que funcionários de uma empresa de tecnologia são sequestrados por um político Venezuelano que teve um golpe de Estado impedido pelo governo americano e agora quer vingança e planeja um ataque.

Jasmine Mathews e Kaley Cuoco em cena de O Homem de Toronto
Foto: Sabrina Lantos/Netflix © 2022.

O longa então coloca um zé ninguém se passando por um super assassino, o que poderia ter dado muito certo se feito certo, mas sinto que O Homem de Toronto se repete algumas vezes em suas piadas, seja na primeira vez em que Teddy precisa enrolar para se salvar dos criminosos do suposto chalé que ele alugou, ou já na terceira vez que o personagem, já com a ajuda do Homem de Toronto, precisa tentar descobrir quem é a pessoa certa que os vilões querem para completar seu plano.

E nesse meio todo, Teddy precisa mentir para sua namorada Lori sobre tudo que está rolando. É como se tivéssemos dentro de uma versão moderna de As Branquelas com o detetive em missão e a esposa dele do outro lado da linha, sabem? Só que bem pior e sem o humor necessário. Sinto que às vezes o texto de O Homem de Toronto vai para um lado extremamente cômico e non sense, e em outros tenta se passar por uma séria história de espionagem global, com uma Agente misteriosa do outro lado da linha (Ellen Barkin completamente caricata), e diversos outros Assassinos de Aluguel com nomes de cidades do mundo.

Assim, além dos capangas do contratante venezuelano, Teddy e o Homem de Toronto precisam lidar com o Homem de Miami (Pierson Fodé) e diversos outros empecilhos para saírem com vida dessa missão e claro para Teddy voltar para sua namorada e a amiga dela, Anne (Kaley Cuoco, tão bem aqui mas aparece tão pouco) que estão curtindo o final de semana sem saber de tudo que rola.

No final, sinto que O Homem De Toronto tem uma ótima premissa, bons atores, mas não consegue chegar ao ponto do que poderia entregar em termos de história. Sim, temos piadas que funcionam, temos algumas cenas de ação que chegam a empolgar, temos uma dinâmica bacana entre Hart e Harrelson mas acho que poderíamos ter mais desse conceito.

O Homem de Toronto então entrega um filme de streaming que não chega a ofender e serve para passar o tempo, se você topar passar uma vergonha aqui e li, no meio de milhões de coisas que estão disponíveis no catálogo.

Avaliação: 2 de 5.

O Homem De Toronto disponível na Netflix.

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