Night Sky | Crítica: Um mistério que instiga mais do que oferece respostas

Já avisamos que não podemos falar (quase) nada sobre Night Sky, a nova minissérie do Prime Video que chega no dia 20. E talvez por que descobrir os mistérios, e descobrir as respostas ao longo dos 8 episódios, seja o grande tchan da série ao lado de show de atuações que seu casal de atores protagonistas veteranos dá. Night Sky entrega uma atração tão misteriosa, mas tão misteriosa que parece que ao assistir vai ter alguém atrás da sua porta falando: Não fala isso que aconteceu hein?

E isso ajuda, e também atrapalha, a produção. Ao contar a história de Irene (Sissy Spacek, tão boa aqui) e Franklin York (J.K. Simmons), um casal de idosos que vive numa cidadezinha no interior dos EUA, Night Sky faz um recorte super interessante sobre envelhecer, o tratamento que a sociedade dá para os cidadãos mais velhos, e coloca ainda um mistério tão “misterioso” para ser desvendado que faz nossos protagonistas repensarem o sentido da vida, de suas vidas, e da vida tanto aqui na Terra como fora dela.

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J.K. Simmons e Sissy Spacek em cena de Night Sky
Foto: Amazon Studios

Night Sky é um seriado sobre ficção científica? Pode ser. Night Sky é um seriado sobre relações humanas? Pode ser também! Night Sky é um seriado sobre conspirações? Pode ser também. Ao apresentar esse grande mistério, descobrimos que os York em seu jardim tem um depósito que abriga um local peculiar que só eles conheceram por muito tempo: uma câmara que os leva para um tipo de estação espacial onde o céu é o limite e que Irene e Franklin não estão em Kansas mais, Toto. 

O que é esse lugar? Para onde esse lugar os leva? O que tem atrás da pesada porta e da parede de vidro? Como, e quando, eles descobriram? Por que eles não falaram nada para ninguém? Em Night Sky os produtores nos inundam de perguntas na medida que conhecemos o dia-a-dia do casal e como eles vivem como se nada tivesse acontecendo da casinha ao lado de onde eles sempre moraram. Até que uma noite, o aparecimento de um jovem (Chai Hansen) muda tudo, e claro, o seriado nos entrega novas perguntas.

Para uma série de mistério entregar novas perguntas é tipo 101 de séries do gênero, é de praxe, mas sinto que Night Sky as coisas se descontrolam, e sempre temos novas perguntas em cima de novas perguntas sem boa parte das outras que foram levantadas serem respondidas. 

Chai Hansen em cena de Night Sky
Foto: Amazon Studios

As coisas vão por acontecer, e o seriado deixa nossas indagações à deriva, e quase nunca temos respostas diretas sobre o que aconteceu, ou está a acontecer, elas apenas acontecem. Isso faz com que você queira descobrir tudo que vai acontecer de uma vez, é como ler um grande livro, só que aqui um que vai te ocupar 8 horas inteiras para saber o que realmente acontece. 

E como não bastassem as perguntas, vermos o desenrolar de como o tal homem misterioso afeta a vida pacata de Irene e Franklyn, sempre com mais perguntas (quem é ele? o que ele fazia lá? ele é bom ou uma ameaça? e etc) e traz mudanças para o relacionamento de anos dos dois que começam a refletir sobre suas vidas, os momentos de alegria, e os de trauma que eles sofreram.

Além de todos esses mistérios, Night Sky ainda introduz a presença do vizinho dos York, o enxerido e fofoqueiro Byron (Adam Bartley), a neta do casal com suas próprias questões pessoais para resolver a jovem Denise (Kiah McKirnan) e ainda em uma história que aparentemente desconexa da história principal de uma mãe, Stella (Julieta Zylberberg) com seus mistérios e sua filha adolescente Toni (Rocío Hernández) que vivem do outro lado do mundo, na Argentina, mas que parecem ter uma conexão com tudo isso que está acontecendo na série. 

Assim, Night Sky coloca esse grupo de personagens para orbitarem ao redor dos York enquanto Simons e Spacek entregam momentos bem interessantes e carregam o seriado na costas com monólogos super intensos sobre seus personagens e o que eles viveram ao longo dos anos e como a tal câmara os ajudaram em momentos chaves de suas vidas. Night Sky entrega algumas reviravoltas (que não podemos falar aqui sobre, vocês tem que assistir), mas que normalmente entregam caminhos sem saída, nessa jornada de descobrirmos o que realmente acontece na fazenda desse casal de idosos.

Rumo ao final de temporada, a sensação que fica é que Night Sky sabe trabalhar melhor suas perguntas do que suas respostas, e que consegue criar indagações da mais piradas mesmo que a resposta final talvez seja a das mais simples, simples igual olhar as estrelas no céu numa noite.

Night Sky chega em 20 de maio no Prime Video.  

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