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Mulher-Maravilha 1984 | Crítica: Nova aventura laça espectador com maravilhoso e cativante filme

Ela está de volta e veio no momento certo! E talvez, Mulher-Maravilha 1984 (Wonder Woman 1984, 2020) seja o filme que a gente mais precisasse nesses tempos malucos?

“O mundo precisa de você” afirma um dos personagens e eu concordo plenamente! Toda a esperança de um mundo melhor e de que uma hora vamos sair dessa é retratado no longa, claro dentro do arco narrativo que Mulher-Maravilha 1984 apresenta, e isso faz com que a chegada de Diana seja no melhor tempo possível. Afinal, demorou tanto para isso acontecer que o mínimo que merecíamos era ter um ótimo filme, não é mesmo? E é isso que a nova aventura da personagem faz.

Mulher-Maravilha 1984 laça o espectador e o deslumbra com uma trama colorida, divertida, e que entrega um emocionante e realmente maravilhoso longa de ação. 

"Mulher-Maravilha 1984" Crítica
"Mulher-Maravilha 1984" Review
Wonder Woman 1984 Review
Mulher-Maravilha 1984 | Critica
Foto: Warner Bros Pictures

Mulher-Maravilha 1984 faz bem mais que um filme de super-herói, entrega um longa cheio de emoção, com uma mensagem poderosa por trás de toda aquela parafernália e opulência que a época do longa se passa, os anos 80. Ao colocar a personagem nesse momento, nesse contexto histórico, é muito diferente do que já vimos na DC nos últimos tempos, e por isso que acaba por ser tão divertido de se acompanhar. Aqui, o filme é a oportunidade para os roteiristas brincarem com a heroína, onde Patty Jenkins, Dave Callaham, e Geoff Johns e o restante da equipe de produção deixam de lado a seriedade vista no primeiro filme – com a pesada trama de guerra e o fato que Diana (Gal Gadot) perdeu Steve (Chris Pine que retorna aqui) e todos aqueles que ela conheceu quando saiu de Themyscira – para colocar a personagem no meio de mundo moderno, cheio de cabelos esvoaçantes, figurinos coloridos (e pochetes!), e claro, onde as pessoas tem o desejo de ter mais e conquistar tudo.

E para isso, toda a ambientação oitentista em que a equipe de produção coloca a personagem é muito bem-vinda e realmente Mulher-Maravilha 1984 acerta nas cores vibrantes e no brilho que emana em tela. Visualmente é tudo bem feito o que, principalmente, ajuda a contar a história, antes de ser uma escolha estética. E assim, se conecta profundamente com a trama que Mulher-Maravilha 1984 apresenta, seus personagens, e, lógico, seus vilões. O novo longa além de apresentar novos antagonistas para a personagem, ainda os conecta intrinsecamente com a trama e os faz ganhar seus poderes ao mesmo tempo que conta suas histórias pessoais e justifica o porquê deles irem para tais caminhos.

Querer é poder! “Basta você querer. Pense em finalmente ter tudo o que você sempre quis”,  afirma o empresário Maxwell Lord (aqui interpretado pelo carismático e queridinho da internet Pedro Pascal). Lord realmente é aquele que se mostra uma figura que vai utilizar de uma boa lábia para conquistar tudo aquilo que ele deseja e com isso vai atrair as atenções da tímida Dra. Bárbara Minerva (Kristen Wiig, num timing cômico sensacional) e que acho que é a personagem que tem a maior transformação de todo o filme. E não estou falando só dela virar uma grande felina, a temida Mulher-Leopardo, mas sim como pessoa. A grande graça de Barbara é o processo que ela se transforma quando deseja virar outra pessoa, uma mais parecida com Diana, e a Barbara de Wiig é muito mais interessante do que a Mulher-Leopardo. Mas, podem ficar tranquilos que o visual da personagem não está ruim não.

Pascal e Wiig roubam as cenas e estão completamente hilários e dão gosto de assistir em tela. Seus personagens movimentam e muito a trama, e me fazem torcer para um dia vermos um especial no HBO Max sobre suas estripulias nem que seja por poucos episódios. 

"Mulher-Maravilha 1984" Crítica
"Mulher-Maravilha 1984" Review
Wonder Woman 1984 Review
Mulher-Maravilha 1984 | Critica
Foto: Warner Bros Pictures

Mas voltando para o filme “Nada de bom começa com mentiras…” e realmente esse é o grande norte de Mulher-Maravilha 1984.

E nada melhor que os anos 80, para colocar a Mulher-Maravilha nesse contexto, um mundo cheio de mentiras, ganância, e individualismo, onde a heroína soa como um sopro de esperança e é tão interessante ver a personagem circular nele. Aqui, vemos Diana tocar sua vida ao trabalhar como uma civil em um museu em Washington D.C e que de quebra também salva crianças de assaltos de shopping, mulheres de serem atropeladas enquanto fazem corrida em roupas colantes, e isso é divertido demais de se ver, afinal nem sempre você precisa salvar o mundo de ameaças intergalácticas e raios azuis que saem do centro da Terra, né?

Mulher-Maravilha 1984 é um filme mais simples, mas não no sentido pejorativo, e que no seu começo ele lida com questões mais realistas e mais cotidianas, sabe? Ao colocar Diana em situações mais triviais é que o longa ganha uma força e isso apenas dá um charme a mais para a produção, mesmo que tenha seu lado mais fantasioso e heróico. Aqui vemos mais da Diana e menos da guerreira Amazona.

E não se preocupem, Diana como a Mulher-Maravilha aparece claro, e Mulher-Maravilha 1984 entrega cenas de ação incríveis e passagens de tirar o fôlego de tão boas, seja quando a personagem precisa enfrentar um exército no meio do deserto, seja quando ela laça um raio no ar, ou até mesmo, quando ela precisa vestir uma armadura monumental de guerra para enfrentar seus oponentes. Mas ao mesmo tempo, o filme foca muito mais no lado humano da personagem, que precisa fazer escolhas quando por algum motivo (não vamos contar aqui!) ela descobre que seu amado Steve está de volta.

E o retorno de Chris Pine tem sim um contexto, é bem explicado no filme e realmente trazer o personagem de volta realmente foi uma boa decisão. #EmPattyJenkinsAGenteAcredita. Aqui, Pine faz a função de Diana no primeiro filme, e fica encantado com tudo que o mundo moderno tem para oferecer, seja o metrô, calças de paraquedas, ou até mesmo latas de lixo que se parecem com obras de arte. 

Como falamos, toda a trama do retorno de Steve está conectada com o arco principal do filme. É como se Jenkins, Johns, Callaham colocassem diversas pequenas ameaças ao longo do filme e obstáculos para a personagem lutar e que testam a nossa protagonista. É como se estivéssemos nas grandes Olimpíadas Amazonas que o filme mostra, onde vemos Diana lutar para conquistar seu lugar no pódio, mas o que realmente importa é a jornada. E Diana realmente está mais madura em relação ao seus poderes e habilidades. E tem duas cenas particularmente que foram feitas para os fãs e que realmente deverão fazer algumas pessoas vibrarem em suas poltronas, assim como eu fiz, é uma coisa que estávamos esperando há um bom tempo e que vem voando na nossa frente que você nem percebe que finalmente vai acontecer…

 “E grandeza não é o que pensa ser”, afirma a personagem. Mulher-Maravilha 1984 é um filme redondinho,  mesmo que tenha algumas poucas coisas que não agradaram em termos de escolha narrativa, como o fato que boa parte dos homens retratados no longa serem ruins e etc, mas tudo é tão bem embalado que entrega uma excelente história com carisma e que realmente abraça tudo que a personagem representa.

No final, Mulher-Maravilha 1984 faz o filme que eu esperava, e saí com a certeza que ele não iria me decepcionar e de fato isso não aconteceu. Gal Gadot e Patty Jenkins fazem a dupla mais imbatível na DC desde de Batman e Robin, onde o filme é comprovação que realmente estamos na Era das Maravilhas. A dupla é a responsável por um filme que de verdade deixará o espectador maravilhado e que definitivamente entrega uma ótima forma de passar mais de 2 horas. 

Avaliação: 4 de 5.

Mulher-Maravilha 1984 chega em 17 de Dezembro pela Warner Bros.

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