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Mortal Kombat | Crítica: Longa chega a empolgar com muita porrada e um pouco de nostalgia

Confesso que os jogos de Mortal Kombat fizeram parte da minha infância de certa forma, não a ponto de eu ser viciado e saber todos os golpes, fatalities, e etc, mas sim, conhecia os principais personagens e quem era quem. E quando a notícia que a Warner Bros. faria um novo filme baseado nos jogos da franquia, não fiquei totalmente surpreso, afinal nos últimos anos, os grandes estúdios de cinema pegaram seu catálogo de propriedades intelectuais (os famosos IPs) e falaram: o que podemos colocar em jogo (ou em kombate, hein?), transformar em filme e ganhar uma tonelada de dinheiro? 

E já aviso, talvez o novo Mortal Kombat (2021) não seja bem exatamente para os fãs do jogos mais fiéis, mas acho que entrega um bom divertimento, e além de mais, boas horas com esses icônicos personagens.

Mortal Kombat – Crítica
Foto: Warner Bros. Pictures

Com um começo que faz uma bela homenagem para os filmes antigos de samurais, Mortal Kombat serve para nos introduzir para esse mundo com a presença de algumas histórias de origens para diversos personagens, sejam eles do bem ou do mal. E boa parte dos lutadores mais conhecidos do público como Sub-Zero (Joe Taslim, bem mesmo atrás de uma máscara quase o filme todo), Scorpion (Hiroyuki Sanada, aparece pouco menos, mas realmente entrega) e Kung Lao (Max Huang, uma presença espirituosa) são disparados os melhores atores aqui e entregam bem suas representações em tela e banham o espectador com suas frases de efeito (Finish him!) e movimentos que saíram literalmente dos jogos nas diversas cenas de luta que o longa apresenta.

E é assim que estruturalmente Mortal Kombat se apresenta, um longa onde temos em cada 15 minutos  alucinantes cenas de kombate mão-a-mão extremamente coreografadas, cheia de intensidade e uma dose de violência que é esperada e necessária num filme desses e que o diretor Simon McQuoid sabe bem dosar ao longo do filme. Atenção para quem foi pai nos anos 90, recomendo não levar seus filhos pequenos. Aviso: o filme tem umas cenas bem gráficas. Mas acho que isso deixa Mortal Kombat ser mais interessante do que é: as diversas cenas de luta e porrada que comem solto ao longo do filme.

No quesito de cenas de kombate, Mortal Kombat entrega uma flawless victory, sem dúvida nenhuma. Em outros departamentos, nem tanto, é fatality e game over. O fato talvez, seja que o roteiro tenha trabalhado o filme para ser um grande Mortal Kombat 101, uma coisa bem introdutória nesse mundo, coisa que possa deixar alguns dos espectadores decepcionados. Aqui, a dupla Dave Callaham (de Mulher-Maravilha 1984 e do inédito Shang-Chi e A Lenda dos 10 Anéis) e Greg Russo precisaram se preocupar muito mais em apresentar todos esses personagens, esse mundos, e toda uma mitologia, para enfim chegarmos na parte do kombate que bem só vem forte nos momentos finais… O torneio? Ficará para uma sequência (caso confirmada!). 

"Mortal Kombat"
Mortal Kombat – Crítica
Foto: Warner Bros. Pictures

Em Mortal Kombat, o espectador é apresentado para esse mundo novo cheio de feiticeiros com olhos mágicos, jatos de chamas nas mãos, e tatuagens de dragão, pelos olhos e pelas porradas que o jovem Cole Young (Lewis Tan) toma. Na trama, Cole é um lutador com um bom coração que vive por lutar em competições sem muito do glamour, para ganhar apenas 200 dólares aqui e ali para sustentar sua família, sua filha Emily (Matilda Kimber) e esposa Allison (Laura Brent). Quando um estranho, Jax (Mehcad Brooks, da série Supergirl) aparece e introduz o personagem nesse mundo onde há estranhos (os melhores efeitos visuais ficam com Sub-Zero no filme) que fazem nevar em pleno verão, Cole se vê na sua própria jornada de herói particular.

A forma como Callaham e Russo trabalham as histórias individuais dos personagens, que são os escolhidos para serem os representantes da Terra no torneio contra a Exoterra, é bem interessante e deixa o longa com um tom mais mitológico, mas ao mesmo tempo, o texto da dupla faz com que Mortal Kombat consiga soar o mais didático possível… É como se os personagens e os atores (principalmente Tan) apenas lessem suas falas como se estivessem diante de teleprompter de um telejornal para nos apresentar algum tipo de informação, seja personagem, ou local.

Mortal Kombat rende muito quando boa parte deles está calado e em ritmo de luta. Menos o lutador/mercenário/golpista Kano (Josh Lawson), claro, que nos entrega aqui altas doses de piadas e um tom cômico e debochado muito bacana para o filme, onde sua relação com a linha dura Sonya Blade (Jessica McNamee), não só faz uma boa troca em tela, como também é super-importante para o desenvolvimento da história.

E quando o roteiro de Mortal Kombat avança e vemos nossos “escolhidos” chegaram no templo sagrado, que reúne todos os lutadores liderados pelo Lord Raiden (Tadanobu Asano) e Liu Kang (Ludi Lin), é que o longa realmente entrega fan-service atrás de fan-service (desde falas dos jogos, golpes aplicados) que servem para compensar no ritmo acelerado que a trama se desenvolve, afinal, a ameaça iminente do grande vilão Shang Tsung (Chin Han) e seu exército, com uma das favoritas do fãs, a lutadora Milena (Sisi Stringer) com sua boca enorme, serve para amarrar as pontas e finalizar! a história de uma maneira super rápida e que deixa um gostinho de querer mais sobre esses personagens e esse mundo apresentado.

No final, Mortal Kombat não chega a ser um filme excelente, mas entrega passagens divertidas, sequências de lutas empolgantes e que realmente parece que sabe trabalhar esses personagens mesmo que apoiados em uma grande nostalgia para um passado não tão distante assim. Se uma sequência virá? Só o futuro nos dirá e como o filme vai se sair ao ser lançado numa época de pandemia. Tem potencial para mais golpes.

Avaliação: 2.5 de 5.

Mortal Kombat chega nos cinemas que estiverem abertos em 20 de maio.

Arroba Nerd viu o filme em uma sessão para jornalistas feita pela Warner Bros. que seguiu todas as regras e recomendações das equipes de segurança.

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