Críticas Filmes 

Minari – Em Busca da Felicidade | Crítica: Um olhar sensível para a cultura coreana na busca pelo sonho americano

O que é minari, ou um minari? Essa talvez seja a primeira pergunta que muitas pessoas fazem ao se depararem pela primeira vez com qualquer material de Minari – Em Busca da Felicidade (Minari, 2020), uma produção pequena da produtora A24 que novamente emplaca um longa na categoria de Melhor Filme no Oscar depois Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016) ter se tornado um dos queridinhos naquele ano.

Além de ser uma planta coreana com benefícios para saúde, minari é também um sopro de esperança para vida de uma família de imigrantes que chega aos EUA em busca do sonho americano. E minari aqui representa também uma coisa que é muito mais do que isso, é a busca pela felicidade como diz o subtítulo nacional, e a certeza que no meio de diversas adversidades, lá no final do túnel escuro e cheio de incertezas, há um facho de luz. 

Minari - Em Busca da Felicidade
Minari - Em Busca da Felicidade critica
Minari critica
Minari – Em Busca da Felicidade– Crítica
Foto: A24/Diamond Films

Em Minari – Em Busca da Felicidadetemos um longa que se debruça para a cultura coreana da mesma forma que o jovem David (o ator mirim sensação de Hollywood no momento, Alan S. Kim) e sua irmã Anne (Noel Cho) fazem ao lado de sua avó (a indicada e favorita ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, Yuh-Jung Youn, ótima) enquanto aprendem a jogar cartas e ver lutas de boxe pela TV. Afinal, Soonja não é uma vovó tradicional, e sim, uma avó descolada.

Minari – Em Busca da Felicidade aposta no simples para contar a história dessa família de coreanos que se muda para o interior dos EUA, no Estado do Arkansas, em pleno anos 80, mas isso não o faz ser um filme menor, ou desinteressante, e sim, um para se acompanhar com calma e num momento que devemos nos dedicar 100% para o filme. Afinal, Minari – Em Busca da Felicidade de uma forma bem lenta com um ventinho numa tarde de sol, nos apresenta alguns conflitos, algumas questões familiares desse grupo tão diferente entre si, mas que acabam por serem as mesmas para todos, num filme que coloca uma cultura e costumes tão diferentes dos ocidentais em primeiro plano, e apenas entrega um apaixonante filme sobre escolhas, um pouco de fé, e a esperança que em algum momento as coisas vão dar certo. É basicamente em sua essência, mesmo não tratando de um filme sobre, aquilo que desejamos ouvir para sairmos dessa pandemia. 

Minari – Em Busca da Felicidade coloca essa família no centro de tudo onde vemos aos poucos como eles se comportam nesse novo mundo depois que o patriarca Jacob (Steven Yeun numa atuação incrível) leva a família nessa nova etapa de suas vidas, agora em um novo país, uma nova casa, mas com os mesmos problemas e conflitos de sempre. O mais interessante é que Lee Isaac Chung, que além de dirigir também assina o roteiro, consegue dar um espaço para quase todos os membros da família desenvolverem seus problemas de forma individual, e como eles ao mesmo tempo também se conectam de uma forma coletiva e com a dinâmica familiar que é apresentada ao longo do filme. Com acontecimentos que influenciam a permanência deles na “casa com rodas”, Minari – Em Busca da Felicidade faz o espectador se envolver com essa história extremamente pessoal, e com a cada jornada individual de cada um deles, e como isso, no final, afeta a família como um todo. Temos a luta de Jacob para fazer sua plantação dar certo e como ele deve usar sua cabeça para fazer as coisas e não pagar alguém por exemplo para encontrar água, a trajetória da mãe Monica (Yeri Han) com a sua fé e com o treino de suas habilidades para ter um trabalho além de ser mãe e mulher, e também do jovem David com seu problema no coração e todas as dificuldades de conhecer um mundo novo, fora do sistema familiar que sempre viveu, e se de adaptar para uma nova cultura, a americana.

Minari - Em Busca da Felicidade
Minari - Em Busca da Felicidade critica
Minari critica
Minari – Em Busca da Felicidade – Crítica
Foto: A24/Diamond Films

Com Minari – Em Busca da Felicidade, Chung tem a chance de nos apresentar para as especificidades de cada um deles, e o que os fazem serem completamente únicos, e personagens completamente tridimensionais e cheios de humanidade, sentimentos, alegrias e tristezas. Chung apresenta essa história como a vida é, universalmente, cheia de momentos divertidos (como quando o jovem troca as xícaras com as bebidas da avó) e momentos tristes (quando um dos familiares sobre com um problema de saúde lá pelo final do filme muda tudo), e ao fazer isso, o diretor nos coloca em um transe imersivo para a vida dessas pessoas que é quase como estivéssemos sido teletransportado para a realidade que eles vivem e conseguimos acompanhar tudo como se fosse um grande Big Brother. 

O trabalho técnico de composição de som e de trilha sonora, aliado com o tom mais pastel, e com cores claras e solares, nos ajuda a vivermos os momentos de tristeza e de felicidade dessa família na medida que eles vencem os obstáculos que a vida coloca na frente deles. No final, em Minari – Em Busca da Felicidade temos uma boa história contada com a ajuda de personagens completamente humanos de uma forma extremamente deliciosa de se acompanhar. Aqui, Chung (indicado ao Oscar na categoria de Melhor Direção) entrega um interessante, às vezes engraçado, sem deixar de ser belo, filme sobre a vida, por mais dolorida que ela seja em alguns momentos. 

Avaliação: 4 de 5.

Minari – Em Busca da Felicidade chega nos cinemas nacionais que estiverem abertos em 22 de abril pela Diamond Filmes.

O estúdio nos enviou o filme de forma antecipada para assistirmos em casa e fazermos nossa crítica.