MaXXXine | Crítica: Sim, ela é uma estrela em um bom filme

Mia Goth eleva a trama de TI West para finalizar a trilogia X com Maxxxine. Nossa crítica.

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Depois de muito hype, memes sobre Mia Goth ser neta da atriz brasileira Maria Gladys e momentos de tensão para saber quem iria lançar o terceiro filme da trilogia X no Brasil, a estreia de MaXXXine (2024) chegou e mostra que sim, ela é uma estrela.

E em diversos sentidos da palavra. Afinal, por estrela, temos Mia Goth que leva esse filme nas costas, no carão e no berro. A conclusão da saga da jovem queria antes de mais nada ser uma estrela em Hollywood e que foi para uma fazenda no meio do nada gravar um filme adulto até que ela e seu grupo de amigos são atacados, chega com esse terceiro longa. 

E por mais que em MaXXXine o diretor Ti West se preocupe em criar mais uma estética visual oitentista de impressionar e de tirar fôlego antes que qualquer outra coisa, esse novo capítulo da vida de Maxine acaba por uma história extremamente simples e sem o grande impacto narrativo necessário para finalizar essa franquia.

Maxxxine acaba por ser mais um suspense do que um terror propriamente dito, mesmo que entregue algumas cenas bem violentas, gores, cheias de sangue e que impactam, sem dúvidas. Mas também é basicamente isso. Aliado com o carisma de Goth, e ainda as boas atuações do restante do elenco, MaXXXine fecha o círculo dessa personagem em um bom tom, na medida em que West embrulha tudo que apresentou lá em X – A Marca da Morte (2022), e também de certa forma em Pearl (2022 nos EUA e 2023 no Brasil). Claro, Maxxxine serve como uma continuação do primeiro filme, e aqui é o único que é preciso ser visto para conectar os pontos dessa nova trama, na medida que vemos a atriz de filmes adultos, tentando entrar pela porta da frente de Hollywood. 

E na medida que Maxine tenta, o passado da jovem também tenta não permanecer escondido e volta para a atormentar. E é como a diretora Elizabeth Bender (uma ótima Elizabeth Debicki já deixando sua Princesa Diana de The Crown de lado depois de rapar alguns dos principais prêmios da temporada televisiva) diz em um dos momentos do longa: Você precisa deixar o que tiver te atrapalhando de lado para se dedicar ao filme. 

E é isso que Maxine faz, pega a oportunidade que lhe foi dada e não deixa nada mais a atrapalhar. Nem o investigador particular com um pinta de 171 que a persegue e a chantageia, interpretado por um também excelente Kevin Bacon, nem mesmo os detetives Williams (Michelle Monaghan) e Torres (Bobby Cannavale) da polícia de Los Angeles que chegam no nome de Maxine depois de algumas investigações apontarem a atriz como fator comum, e muito menos a ameaça do Perseguidor Noturno, um assassino serial que aterroriza a cidade todas as noites que sim existiu de verdade na vida real.

“Eu sei me cuidar!” afirma a nossa protagonista em outro momento do filme. E realmente ela sabe muito bem. E assim, West joga o espectador para esse mundo caótico de Hollywood no meio dos anos 80, com os letreiros chamativos, os lugares conhecidos da cidade (os cinemas de rua, o letreiro de Hollywood, os sets dos estúdios de cinema e etc) as luzes neon, as substâncias ilícitas e o sentimento de tensão e perigo que paira no ar das ruas por conta da ameaça desse assassino .

E enquanto vemos Maxine galgar uma posição no filme de terror The Puritan 2 comandado por Bender, e estrelado por uma outra atriz em ascensão interpretada por Lily Collins, ela tenta ainda desviar das investidas do doido (Bacon) que a persegue, com a ajuda do seu empresário (Giancarlo Esposito bom, mesmo que apareça pouco e com uma peruca ruim) e de seu melhor amigo e cinéfilo Leon (Moses Sumney).

E no meio desse tanto de personagem, de referências para a cultura pop da época, o longa ainda nos deixa preso dentro dabrincadeira de quem é o assassino e principalmente é a figura misteriosa que também persegue a atriz. Na medida que MaXXXine aumenta a lista de mortes da franquia, a trama se encaminha para sua resolução, que não é lá das mais inventivas, mas que como falamos embrulha tudo que vimos e fomos apresentados até o momento.

Goth está realmente bastante carismática no papel e, como falamos, lidera esse elenco de uma forma impressionante de se assistir e mostra que poucas atrizes atualmente conseguem ter esse magnetismo, essa aura, e esse, por falta de melhor palavra, fator x. E a atriz apenas deixa o filme e a história um pouco batida que West apresenta aqui, melhor.

Afinal, esse é o seu terceiro filme e o diretor parece que não soube firmar uma assinatura própria, afinal, cada longa da franquia se passa em um momento diferente, com atores diferentes, e que tenta prestar uma homenagem para a indústria cinematográfica, cada um de sua forma própria e única. Mas MaXXXine serve para termos passarmos bons, e até mesmo impactantes momentos, com essa personagem mais uma vez, na medida que Maxine se firma como uma personagem que já entrou na cultura popular como aquela garota bad-ass dos filmes de terror. 

Talvez, os fãs on-line tenham levantado a bola mais do que deveriam para franquia e a elevado para um estado cult cedo demais, mas isso não quer dizer que MaXXXine não entregue um longa bacana e interessante de se acompanhar. Mesmo que no final fique claro que esse hype todo apenas veio de uma uma parcela pequena nas redes sociais, mesmo que barulhenta, e que acabaram por fazer a franquia ser mais do que é. A única coisa certa de MaXXXine é que sim, tanto a personagem quanto sua atriz são uma estrela e que devemos ver mais delas no futuro. Afinal, é um filme B com ideias classe A!

Nota:

MaXXXine chega com sessões de pré-estreias pagas em 4 de julho no Brasil e depois amplia o circuito nacional em 11 de julho.

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