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Manual de Caça a Monstros | Crítica: Organização de babás entrega travessuras no melhor estilo Sessão da Tarde

Babás realmente estão na moda na Netflix e vivem seu ano na plataforma, sem dúvidas. E em ritmo de mês das Crianças e de Dia das Bruxas, Manual de Caça a Monstros (A Babysitter’s guide to monster hunter, 2020) faz uma divertida e simpática história, mesmo que totalmente teen e bem infantil, sobre um grupo de babás em uma sociedade secreta que caça os mais diversos tipos de monstros que estão embaixo da cama.

E aqui, o longa está mais travessuras do que gostosuras açucaradas propriamente dita. Em Manual de Caça a Monstros tudo é muito simples, muito fácil, mas para uma aventura no estilo Sessão da Tarde até que cumpre seu papel.

Manual de Caça a Monstros | Crítica
Foto: Netflix

O destaque claro fica com o ator Tom Felton, da franquia Harry Potter, que interpreta ninguém menos que o Bicho-Papão em pessoa, ou seria monstro? A caracterização de Felton como o personagem, desde de sua maquiagem cheia de escamas, até suas roupas que lembram uma mistura de Sirius Black (também dos filmes Harry Potter) com Jack Sparrow (franquia Piratas do Caribe) estão no ponto e realmente o ator entrega uma performance bastante teatral e que ajuda a dar um charme para o longa.

Felton não me assusta como uma pessoa adulta, mas para as crianças quem sabe?  E se o ator não tivesse na lista de elenco eu ia demorar bastante para o reconhecer com certeza. Mas quem realmente rouba todas as cenas é a jovem atriz mirim Tamara Smart, como a nossa protagonista Kelly Ferguson. Kelly é a típica personagem que vai passar por todo o arco da jornada do herói, ela começa como uma tímida e contraída adolescente que ao aceitar cuidar do filho da chefe da mãe, o jovem Jacob (Ian Ho), vai descobrir um mundo secreto com artefatos mágicos e que as histórias de ninar não são somente histórias, e sim são de verdade. 

E fica claro que Manual de Caça a Monstros é uma adaptação de uma série de livros, afinal, o roteiro de Joe Ballarini, que também escreveu os livros, não deixa isso passar em branco. É como se Ballarini não conseguisse, por conta da sua proximidade com o projeto, separar o que é livro e o que é roteiro. E assim, diferente de Percy Jackson, Harry Potter e Jogos Vorazes, o longa sofre um pouco em se separar a obra e não consegue transportar essa história para uma mídia diferente e aqui visual.

Manual de Caça a Monstros | Crítica
Foto: Netflix

A necessidade de se auto-explicar e colocar os personagens literalmente lendo um livro para contar sua trama e ainda explicar algumas questões da história e como o que vimos em tela aconteceu pode até ser legal na primeira, ou segunda vez, mas soa repetitivo. Fica claro a ideia da Netflix em querer explorar mais filmes e mais franquias, afinal temos uma liga de mais de 7 monstros, e o bicho-papão de Felton, o Grand Guignol (Tom Felton) parece ser o primeiro de muitos.

Ao entrar no mundo secreto das babás, Kelly embarca em missão contra o tempo luta para impedir o Grand Guignol de completar seu plano de dominação mundial (e por que não, não é mesmo?) e claro trazer de volta o jovem Jacob antes que sua mãe retorne para a casa. A introdução de Liz Lerue (Oona Laurence) que serve como uma guia para a jovem nesse mundo novo é divertida e o filme conta com os outros membros para tentar introduzir o espectador na mitologia dos livros e que o filme apresenta.

O restante dos membros parecem que estão ali apenas para cumprir seus papéis e realmente tem poucas funções efetivamente.

Os monstros a serem enfrentados aqui vão muito mais que os bichos baixinhos, cheio de dentes afiados e que adoram objetos brilhantes, temos também aquele momento da pré-adolescência onde queremos nos encaixar a todo custo, e vemos Kelly precisar lidar com uma quedinha que tem por um garoto da escola e claro lidar com as implicantes garotas que estudam com ela. Manual de Caça a Monstros conduz sua história de uma forma bem simples e sem muitas surpresas ao longo de sua 1h30. Entrega o começo de uma franquia, mas que funciona como uma história fechada com começo, meio e fim, caso isso não funcione em termos de audiência. Hoje em dia, tudo que a Netflix quer é encontrar uma próxima franquia e fazer com que o usuário não saia da plataforma. Tem funcionado isso para você? 

Avaliação: 2 de 5.

Manual de Caça a Monstros chega em 15 de outubro na Netflix.

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