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Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio | Crítica: Novo filme da franquia garante sustos e se aprofunda em uma rica mitologia de terror

Depois de focar nos últimos anos em filmes derivados, a franquia Invocação do Mal retorna para o casal Warren que está finalmente de volta em mais um filme protagonizado por eles.  E com Invocação do Mal 3: A Ordem Do Demônio (The Conjuring: The Devil Made Me Do It, 2021), a dupla de investigadores paranormais retornam em sua total glória, onde aqui deixamos a boneca Annabelle e A Freira de lado, e temos um verdadeiro filme da franquia The Conjuring.

Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio – Crítica
Foto: Warner Bros.

E agora, no sétimo filme, estamos nos anos 80, e Ed (Patrick Wilson) e Lorraine (Vera Farmiga) têm um novo e apavorante caso sobrenatural para desvendar: um que envolveu um caso real de um jovem que foi preso por assassinato. Assim, aqui vemos os Warrens ajudarem nas investigações, onde a defesa alegou que o rapaz deveria ser considerado inocente por conta de uma possessão demoníaca.

Ou seja, junto com parecer do casal, a advogada contratada alegou em corte que seu cliente, o jovem Arne (Ruairi O’Connor) só matou o colega Bruno (Ronnie Gene Blevins) pois estava dominado por um espírito maligno. Seria um fato inédito na justiça americana. Mas Invocação do Mal 3: A Ordem Do Demônio acaba por ser muito mais que isso em sua proposta, e por ser baseado numa história real, e que apresenta os áudios da sessão de exorcismo que o casal tentou fazer no jovem David (Julian Hilliard, visto em A Maldição da Residência Hill) – mais sobre isso abaixo – que particularmente acho que Invocação do Mal 3: A Ordem Do Demônio seja um dos filmes mais interessantes da franquia.

Neste terceiro filme senti a ameaça que eles enfrentam, o poder sobrenatural que é convocado dos confins do inferno, acaba por ser um tão forte, e maligno, que realmente achei que as coisas poderiam dar muito errado em algum momento para todos os envolvidos. E de certa forma dá, principalmente para Ed (fica a pergunta se aconteceu alguma coisa com Patrick Wilson também nas gravações), como vemos logo de cara no longa, após os 15 alucinados primeiros momentos que o filme apresenta e que realmente devem fazer os fãs se sentirem abraçados pelas escolhas da direção de Michael Chaves (que comandou o A Maldição da Chorona de 2019, e também está dentro da franquia).

Para mim ao assistir o filme, senti que Invocação do Mal 3: A Ordem Do Demônio parece entregar a ameaça mais pessoal que os Warrens já enfrentaram e durante diversas cenas achei que realmente era o fim deles. Com uma forte mitologia que é construída pelo roteirista David Leslie Johnson-McGoldrick – ele retorna para a franquia depois de ter trabalhado em Invocação do Mal 2 (2016) e fica no comando do roteiro com uma história criada em parceria com James Wan – aos poucos, ao longo do filme, ele consegue nos prender em nosso assento desde o começo, que não perde tempo em nos tacar na ação de uma vez e sem cerimônia. Afinal, nós, como audiência, descobrimos o que acontece no filme juntamente com o casal Warren que parte em busca de informações sobre o demônio que invade o corpo do jovem David (de apenas 8 anos) e vemos eles realizarem o ritual de exorcismo (com uma referência bem bacana para longa O Exorcista de 1971) juntamente com um padre (Steve Coulter), sua irmã Debbie (Sarah Catherine Hook) e namorado dela, Arne (O’ Connor, muito bem).

Assim, quando eles acham que já tinham expulsado o demônio, vemos que o ser maligno assume o corpo de Arne, e silenciosamente o ordena que mate algumas pessoas. As alucinações que o ser causa nas suas vítimas, é um trabalho visual muito interessante de se acompanhar coisa que o time de produção acerta em deixar o longa com um visual um pouco mais psicodélico e menos sóbrio que seus antecessores. Mas a questão que o filme trabalha é que Arne só foi possuído naquele momento, o que mais de estranho acontece por lá? E como os Warren vão reunir as pistas para realmente desvendar esse mistério?

E é ao trabalhar os elementos dessa história que o diretor Michael Chaves, entrega boas doses de susto. Invocação do Mal 3: A Ordem Do Demônio tem momentos que temos o sentimento latente de antecipação que alguma coisa vai dar muito errada, seja um colchão de água, um personagem parado na frente de uma escada, ou até mesmo, uma cela de prisão com as luzes piscando. Chaves usa esses pequenos e angustiantes momentos para criar uma tensão no ar e juntamente com uma estética visual muito bem trabalhada vemos essas escolhas darem um ar mais robusto para a fotografia, onde vemos o diretor conduzir a câmera para fazer com que o espectador estivesse por dentro do filme, e acompanhasse as resoluções das diversas etapas da investigação dos Warren.

Particularmente, como produção de e terror é que o filme ganha um certo momento. Mesmo que o ar de filme caseiro e de baixo orçamento continue e o longa peque com alguns efeitos visuais e erros entre uma cena e outra que não dá mais para passar batido, ainda mais em um filme da franquia principal. Mas acertadas escolhas de Chaves, que coloca uma trilha sonora oitentista para tentar dar um tom mais divertido para o filme, com os famosos jump scare ao longo das quase 2 horas, mostra que a franquia Invocação do Mal ainda tem muito para onde ir.

Invocação do Mal
Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio – Crítica
Foto: Warner Bros.

O casal Warren continua o grande foco do longa, Wilson e Farmiga estão no seu melhor aqui, mas é na resolução do caso, da periculosidade que isso representa não só para os jovens possuídos, mas para os próprios Ed e Lorraine que se vem sugados na presença do mal que Invocação do Mal 3: A Ordem Do Demônio se garante e entrega um novo e assombroso capítulo dentro da franquia. As consequências para as investigações do casal com a ajuda de um padre aposentado (John Noble muito bem num papel pequeno mas que poderia gerar mais um spin-off sem dúvidas) são as mais mortais possíveis, onde o demônio, e o que/quem o conjura, entende as diversas amarras que os humanos têm com os outros e fazem essas ligações afetivas trabalharem contra eles. 

Invocação do Mal 3: A Ordem Do Demônio apresenta um filme com um tom mais dramático ao invés de ser um terrorzão daqueles de subir os cabelos do braço, mas, para mim, isso só deixa o longa se destacar dos outros da franquia e faz uma mudança interessante para uma fórmula que tem dado muito certo, e muito dinheiro para o estúdio. No final das contas, Ed e Lorraine mudam de década, mudam também o tipo de ameaça que enfrentam, mas fica claro que a força contra as ameaças do mal está no que sempre foi de mais importante dentro da franquia de filmes protagonizados pela dupla: o relacionamento e o amor verdadeiro entre eles.  

Avaliação: 3 de 5.

Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio chega agora nos cinemas 3 de junho pela Warner Bros.