Homens Brancos Não Sabem Enterrar | Crítica: “Space Jam com Justin Bieber”

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A onda de remakes e reboots tem ido muito além de apenas reviver a nostalgia por reviver. Ultimamente, o que tem se visto, é essa onda de trazer sucessos antigos para o tempo presente, se alinhar com um conceito muito maior de sinergia entre esses novos projetos.

Principalmente na Disney, que não é só a Disney “filmes” e sim, a Disney “parques”, a Disney “venda de produtos” e a Disney “canal de esportes” e por aí vai. E com Homens Brancos Não Sabem Enterrar (White Men Can’t Jump, 2023) não é diferente. O que temos nesse novo longa lançado diretamente no Star+, não é somente um reboot de um longa dos anos 90, e sim, um trabalho de sinergia. E que sim, não deixa de contar mais uma vez essa história já contada lá atrás, mas também de a unir com o mundo do esporte da plataforma da gigante de entretenimento.

É criar um conteúdo para o público alvo que faz parte do grupo que paga o Disney+, o Hulu nos EUA e o ESPN. Fica claro, aqui que Homens Brancos Não Sabem Enterrar é nada mais que um projeto desenvolvido para deixar o espectador dentro desse combo da empresa, e dos seus serviços de streaming.

Jack Harlow em cena de Homens Brancos Não Sabem Enterrar.
Foto: Photo by Parrish Lewis. © 2023 20th Century Studios. All Rights Reserved.

Mas isso também não quer dizer que Homens Brancos Não Sabem Enterrar não consiga contar uma boa história, e uma que valesse a pena ser contada mais uma vez. Aqui, o longa, em sua própria maneira, consegue entregar uma divertida e espirituosa história sobre dois caras completamente diferentes um do outro, que no meio do caminho, descobrem o quão são parecidos.

E isso, Hollywood tem feito adoidado há anos, de filmes de policiais, de bandidos, de médicos… boa parte das profissões que existem por aí, já tivemos um filme sobre uma dupla que se une para alguma coisa e conseguem superar as dificuldades que passam. 

E aqui com Homens Brancos Não Sabem Enterrar não foi diferente. Até por que não precisava ser diferente né? Os roteiristas Kenya Barris e Doug Hall seguem a fórmula, acertam a mão, e entregam um filme simpático, e bem humorado, sobre dois caras que tem o basquete como uma grande parte de suas vidas. Seja para o bem quanto para o mal.

Homens Brancos Não Sabem Enterrar acompanha Kamal (Sinqua Walls) um jovem esquentado e com muitos problemas para controlar sua raiva que viu seu futuro no esporte ir por água abaixo depois de um jogo, quando estava no ensino médio, ter acabado mal para ele. E também do paz & amor, natureba, Jeremy (Jack Harlow) que viu suas lesões nos joelhos o tiraram do esporte, mesmo com um futuro promissor. São histórias de vida parecidas, mas que não poderiam ter acontecido com duas pessoas, com personalidades das mais opostas, onde aqui, depois de se conhecer, se odiarem, e de baterem a cabeça algumas vezes, eles vão se unir para tentarem ganhar uma competição local, claro e um bom dinheiro que dê para ajudar suas famílias a se recuperarem. 

Com a premissa que homens brancos não sabem enterrar uma bola na cestinha, Kamal e Jeremy vão se unir e disputar diversas partidas, onde Jeremy finge que não sabe jogar muito bem para vermos eles rapar o dinheiro dos concorrentes a cada jogo e a cada aposta. Homens Brancos Não Sabem Enterrar brinca com essas questões raciais de uma forma bem interessante de se acompanhar, por que nunca as faz de forma pejorativa, e sim, de uma forma para mostrar que pessoas podem ser diferentes de qualquer maneira, onde o longa, e o texto, não abusa de estereótipos raciais para contar essa história.

Sinqua Walls e Teyana Taylor em cena de Homens Brancos Não Sabem Enterrar.
Foto: Photo by Parrish Lewis. © 2023 20th Century Studios. All Rights Reserved.

E muito do humor de Homens Brancos Não Sabem Enterrar vem de colocar os personagens de Walls e Harlow para discutirem sobre isso e a dupla tem um certo “Bromance” que dá muito certo em tela. O relativamente novato Walls, e o rapper Harlow em seu primeiro longa como ator, estão bastante carismáticos juntos, e como falamos, cada um em sua maneira se destacam, aqui e realmente ditam o tom e o ritmo do filme que tem boas piadas ao longo de suas quase 2 horas.

E para um filme lançado diretamente no streaming, e sem muita divulgação, não são só eles que se destacam. O mesmo vale para o elenco feminino, que também tem seus momentos, com a atriz ​​Teyana Taylor como Imani, a esposa de Kamal, e a sempre ótima Laura Harrier como Tatiana, a namorada de Jeremy, onde as duas servem para movimentar um pouco a trama e não apenas ficarem de backup dos protagonistas. O mesmo vale para o falecido Lance Reddick, em um de seus últimos papéis antes de falecer no começo do ano, que aqui interpreta o pai de Kamal.

O carisma do elenco, aliado com as diversas cenas de jogos de basquete ao longo do filme que sempre entregam um sentimento de “será que eles vão ou não ganhar?”, até mesmo as diversas locações ao ar livre em Los Angeles, dão o tom mais urbano, descolado e moderninho que o filme quer transmitir.

A trilha sonora escolhida a dedo, também ajuda o filme a nos fazer embarcar nessa trama, onde a direção de Calmatic é bastante convidativa para nos fazer cair de cabeça nessa história, igual uma bola cai na cestinha e pode fazer 3 pontos durante um jogo. O desenvolvimento da jornada desses personagens é claramente simples, sem muito floreio, ou intenções para vencerem premiações, e acaba por uma bem típico para esse tipo de produção. É como um dos personagens fala em um dos momentos, o que temos aqui é um “Space Jam com Justin Bieber”, onde claramente, Kamal e Jeremy vivem sua cota Glee Club, claro, onde as músicas viram partidas de basquete, na medida que eles se unem para disputar os jogos e tudo mais.

O lado pessoal desses jovens, com a pressão para ajudarem suas famílias e esposas, ajuda o filme a mostrar e entregar uma certa complexidade emocional desses personagem, e principalmente não a deixar essas motivações cairem numa questão de vaidade, ou até mesmo, uma coisa mais problemática em que Jeremy possa ser um tipo cavaleiro branco para salvar Kamal de seus problemas.

Graças ao texto, Homens Brancos Não Sabem Enterrar tem a preocupação de entender esses personagens, sem soar ofensivo ou depreciativo. Afinal, no final, o que temos aqui são dois caras jogando basquete e resolvendo seus problemas pessoais. “Basquete é a sua terapia“, diz um deles em uma das cenas.

E assim como Ted Lasso faz com futebol, Homens Brancos Não Sabem Enterrar faz com o basquete, e entrega essa questão de uma forma divertida e interessante ao vermos homens héteros discutirem seus sentimentos. O que é uma coisa difícil de se acreditar na vida real, mas que funciona aqui na ficção.

Avaliação: 2.5 de 5.

Onde assistir Homens Brancos Não Sabem Enterrar?

Homens Brancos Não Sabem Enterrar está disponível no Star+.

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