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Eu, Tonya | Crítica

Escândalos normalmente fazem todos pararem o que estão fazendo e prestarem um pouco atenção, não é mesmo? E o polêmico Eu, Tonya (I, Tonya, 2017) vem com essa premissa para contar um dos eventos mais malucos da história do esporte que até hoje gera debates sobre como tudo aquilo pode ter acontecido e sobre quem estava falando a verdade ou não.

Usando a quebra da quarta parede e gravado no estilo documentário Eu, Tonya é um dos filmes mais engraçados da temporada por todos os motivos errados. E Margot Robbie entrega uma ousada e espetacular performance como Tonya Harding e faz aqui o melhor papel de sua carreira.

Foto: NEON/ California Filmes

Sendo um drama com um humor negro super afiado, Eu, Tonya é uma biografia de Tonya Harding que ficou conhecida nos EUA por dois motivos: ser a primeira americana a realizar o salto triple axel numa competição e pelo ataque a sua colega de patinação no gelo, Nancy Kerrigan, em 1994. E o que o filme tem de melhor é realizar uma caracterização impressionante de personagens, onde tudo é acertado, desde da escolha dos atores, até o trabalho de produção, com os cabelos do final da década de 80, para as roupas, e até mesmo para o formato antigo que o filme foi gravado que destacam o jeito meio caipira dos Harding de uma forma espetacular.

O roteiro de Steven Rogers, claro não nos poupa em nada e mostra uma Tonya desde de criança quando começou a patinar forçada pela mãe LaVona, uma talentosa e focada Alisson Janney que faz uma personagem controladora, abusiva e que realmente rouba todas as cenas em que aparece. A história de Tonya contada no filme é um total círculo vicioso de abuso, maus relacionamentos e claro mostra como a personagem tentava se impôr e usar seu talento como forma de sair por cima manter sua dignidade.

Como falamos, Eu, Tonya tem esse estilo de falso documentário onde vemos os personagens sendo entrevistados e o que acaba por deixar o filme com um humor bastante peculiar. E assim, na medida que eles conversam com o espectador a produção acaba por fluir de uma forma completamente única e faz com que cada atuação se sobressaia em determinados momentos.

Foto: NEON/ California Filmes

Outro acerto do filme é sua trilha sonora viciante, empolgante e que casa muito bem com as diversas reações que o filme passa. Afinal, Tonya não é bem uma mocinha, mas dentro do seu contexto é aquela que acaba mais por sofrer ao longo do filme, e faz com quem assiste se identificar com os abusos psicológicos e físicos que ela sofreu tanto pelas mãos da mãe quanto do marido, o possuído, carismático e com um bigodinho para lá de safado, Sebastian Stan.

A direção de Craig Gillespie consegue captar muito bem a essência das personagens, desde da vibrante Margot Robbie, até por Alisson Janney onde vemos a dupla se destacar com combinação de amor maternal, ambição, e um pouco de loucura que deixam as duas atrizes confortáveis demais em seus papeis. E no final das contas, Eu, Tonya acaba nem por ser sobre o tal incidente em si, e sim sobre a trajetória de Tonya que nos leva até esse momento, onde o roteiro não se preocupa em apontar dedos sobre o real envolvimento da ex-patinadora e sim trabalhar para mostrar de uma forma super humana as consequências que o evento mudou na vida da personagem, afinal, fica claro que Tonya queria ser amada seja pela mãe, pelo marido ou por todos que a viam competir.

No final, Eu, Tonya se destaca por suas atuações, trabalha do produção, e apenas falha em não ter um pouco mais cuidado com algumas cenas de efeitos visuais, principalmente na hora dos saltos de patinação e das competições, mas se garante em muito em toda a qualidade do trabalho do atores em cena. Assim, acabamos por deixar esses pequenos detalhes de lado, onde Eu, Tonya faz um retrato honesto e brutal de um dos eventos mais surreais da história do esporte com atuações arrebatadoras e memoráveis.

Avaliação: 4 de 5.

Eu, Tonya tem previsão de estreia para 15 de Fevereiro no Brasil.