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Eu Me Importo | Crítica: Picaretagens, golpes e uma fenomenal Rosamund Pike.

Eu Me Importo (I Care A Lot, 2021) passou pelo festival de Toronto do ano passado, no meio da pandemia, e mesmo assim conseguiu se destacar com um certo burburinho. Afinal, o longa é protagonizado por nomes conhecidos do público e realmente tem uma trama daquelas que dão o que falar.

E hoje em dia, no meio de tantas opções, pelo menos um burburinho, você precisa ter para não passar em branco. E graças a Netflix, que garantiu os direitos globais de distribuição do filme e que tem um time de marketing que consegue, entre os diversos lançamentos focar em algumas estreias mais pontuais, Eu Me Importo foi posicionado para estrear na plataforma em Fevereiro, no final dessa temporada de premiações atípica que temos em 202 por conta da pandemia, e enfim, estreou antes do período de elegibilidade terminar.

E isso rendeu frutos, e aposto que o time de premiações da plataforma, ficou surpreso com a indicação de Rosamund Pike no Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz em Comédia e Musical. E não por menos, Pike é, sem dúvidas nenhuma, o grande trunfo do filme.

Eu Me Importo Crítica
I Care A Lot 
Netflix
Eu Me Importo | Crítica
Foto: Seacia Pavao/Netflix

Ela apenas. Rosamund. Pike.

A atriz trouxe seu A-Game aqui e está fenomenal e realmente vale a pena assistir Eu Me Importo só por ela. Se você se importa em assistir uma das atrizes mais talentosas em Hollywood, Eu Me Importo é para você. Se você gosta de filmes de golpes, e outras picaretagens, onde o protagonista vive numa zona cinzenta, Eu Me Importo é para você. E além do mais, Eu Me Importo se segura um trabalho visual sensacional, e uma edição espertinha e afiada, que garante que o espectador passe boas horas na frente da telinha. E olha só, Eu Me Importo está na Netflix. Se eu fosse você, me importaria muito com esse filme.

Sensacional é a palavra que define Eu Me Importo.  E isso não é pelo cabelo cortadinho de Rosemund Pike, ou seus terninhos fashionistas, ou ainda pela cara de deboche super sutil que a atriz faz quando seus planos dão certo. E sim, todo o conjunto disso tudo, a trama amalucada, as reviravoltas, e todo o sentimento de que “O que será que vai acontecer de maluco agora?” que o longa oferece. Eu Me Importo brinca com a nossa noção de certo e errado, e nos faz torcer para os não tão mocinhos assim, e nos lembra, que sempre há alguém pior fazendo alguma coisa pior ainda por aí.

E aqui, a nossa protagonista Marla (Pike) quase rouba de doce de criança para fazer a trama de Eu Me Importo acontecer. Marla faz pior, ela rouba de velhinhos indefesos. Ou não tão indefesos assim como vamos ver ao longo do filme.

“Meu nome é Marla Grayson, e eu não sou um cordeiro. Eu sou a porra de uma leoa.” Eu confesso que toda a parte 2 Mulheres e Um Segredo que o longa se apresenta no começo é muito mais interessante do que realmente a parte que vemos o envolvimento do personagem do ator Peter Dinklage lá na segunda parte. As primeiras horas entregam uma trama tão surreal, mas ao mesmo extremamente possível e que aconteceu de verdade nos EUA, só dar um google ai, por mais errada que toda a ideia seja.

Claro, ver a Marla de Pike e a colega Fran (Eiza Gonzalez) agir como se fossem uma dupla ah lá Robin Hood dos golpes contra o sistema é pura explosão, e as duas atrizes colocam para quebrar e entregam ótimos momentos juntas. É quase um prazer culposo ver essas duas agirem e como elas agem, onde tudo isso patina na linha tênue entre a legalidade e os padrões éticos.

Mas a chegada de peixe dourado, o Santo Graal, ou como as personagens chamam “a cereja” da idosa Jennifer Peterson (Dianne Wiest, outra atriz que realmente está excelente aqui) é o golpe que as duas estavam esperando e se prepararam suas carreiras toda. A Sra. Peterson está sentada numa pilha de dinheiro, não tem herdeiros e está sozinha no mundo. Mas é isso que as personagens pensavam claro.

"Eu Me Importo"
 Crítica
I Care A Lot 
Netflix
Eu Me Importo | Crítica
Foto: Courtesy of Netflix

A partir daí, Eu Me Importo entra num ritmo de conveniências muito grande e se embola um pouco em introduzir os outros personagens e suas motivações para estarem na história. Seja o advogado canastrão do ator Chris Messina, que faz mais um papel divertido depois de seu Victor Zsasz em Aves de Rapina (2020), ou até mesmo, o grande chefão do crime Roman Lunyov (Peter Dinklage, incrível) que tem conexões com a Sra. Peterson e vai atrás de Marla e dos funcionários da agência de cuidadores que a nossa protagonista comanda para resgatar a a idosa que está internada em um instituição só para idosos sobre o a tutela da personagem.

E como falamos, em Eu Me Importo não só torcemos para que uma pessoa moralmente duvidosa se dê bem, mas talvez pelo que do outro lado temos alguém infinitamente pior. Assim, Eu Me Importo acerta ao navegar nesse mar cheio de mentiras, trapaças, e peripécias para vermos realmente quem é o leão mais arrisco nessa selva. E isso só faz o longa ficar melhor, quando a história de J. Blakeson (que também dirige o longa) resolve focar lá no final no embate em Marla e Roman. É delicioso vermos o ruim passando a perna no malvado. E as atuações para isso são sensacionais, Dinklage rouba as cenas e faz um dos vilões mais divertidos e ameaçadores do catálogo da Netflix e Pike realmente se mostra a pessoal ideal para esse tipo de papel.

Como obra de ficção, Eu Me Importo transita entre uma linha super complexa entre o certo e errado, mas não cansamos de ver golpes e artimanhas piores em outros filmes e novelas, e ainda pior na realidade, basta abrir o qualquer jornal, ou ligar, nos programas policiais vespertinos.

No final, com Eu Me Importo, precisamos embarcar na trama e curtir mais uma vez Rosemund Pike fora de coleira depois do seu trabalho em seu melhor trabalho depois de Garota Exemplar (2014), afinal “jogar limpo é uma piada inventada pelos ricos para deixar todo o resto pobre.” 

Avaliação: 4 de 5.

Eu Me Importo disponível na Netflix.

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