Doze é Demais | Crítica: Nova versão entrega história clássica atualizada e divertida

Na ânsia de impulsionar conteúdos para movimentar o Disney+, a aposta da Disney é olhar para o seu vasto catálogo de produções e pensar: o que aqui daria uma nova versão para o Disney+? E com Doze É Demais (​​Cheaper by the Dozen, 2022) não foi diferente, é como a Fada Madrinha de Cinderela movimentasse sua varinha mágica… e puff, ratos viram cavalos, e temos um novo filme para a plataforma aqui.

O longa de 2003 (que por si já era uma nova versão do filme dos anos 1950), tinha o comediante Steve Martin no papel principal do pai de uma família formada por 12 pessoas, sim exatamente, 12, um número super surreal de se pensar naquela época e principalmente agora. E se lá no começo dos anos 2000, o filme tinha aquela carinha de comédia água com açúcar, a sua versão aqui de 2022, segue a mesma cartilha. Mas muita coisa mudou de lá para cá, principalmente na forma que usamos produções, seja de TV ou de cinema, ou aqui no caso de streaming, para abordamos questões de representatividade e mostrar uma história que mostrem como outras famílias vivem, do que apenas contar a história pelo ponto de vista de uma família branca.

Primeiro que a nova versão é comandada por uma mulher, aqui a diretora Gail Lerner (das séries Will & Grace e Black-ish que já são produções um pouco fora da curva também) e não mais um homem – a versão de 2003 tinha direção de Shawn Levy hoje mais conhecido pelos blockbusters em parceria com Ryan Reynolds – e claro, talvez, o principal fator que diferencia as duas versões: A família Baker é formada por um casal bi-racial, o que para Doze é Demais faz toda a diferença para contar essa história e a forma como ela é contada e as narrativas que temos ao longo das quase 2 horas que o filme entrega.

Doze É Demais então atualiza essa história clássica, baseada na obra de Ernestine Gilbreth Carey, e entrega novamente uma versão divertida e cheia de peripécias dos filhos, e também do casal, os Baker. Afinal, com 12 pessoas vivendo numa casa, conflitos e momentos engraçados pipocam a todo instante, não é mesmo?

Atores reunidos em cena de Doze é Demais
Foto: 20th Century Studios/Disney+

E particularmente a energia caótica que Doze É Demais apresenta é incrivelmente satisfatória de se acompanhar. Lá para a metade do longa eu fiz uma pausa estratégica e fiquei surpreendido que tinha passado apenas 40 minutos e a trama já tinha acontecido tanta coisa… os personagens já tinham sido apresentados, o conflito principal da história já tinha sido introduzido e estava em pleno andamento que somente me fez sentir que estava com aqueles personagens já há muito tempo. A forma como somos jogados no cotidiano da família Baker é um dos maiores pontos positivos para o longa, onde tudo aqui (tirando a parte que claro, eles são uma família de 12) soa natural, e é bem desenvolvimento pela história pela dupla de roteiristas Kenya Barris e Jenifer Rice-Genzuk, e claro se dá e muito também pelo elenco escolhido, seja a parte adulta, quanto as crianças.

Claro, Zach Braff (de anos da série Scrubs) não é um Steve Martin quando se trata de comédia, e muito mais comédia física, mas aqui ele super dá conta para o recado sem dúvidas nenhuma. A parte que ele tem que apresentar uma proposta para uma dupla de investidores e decide atualizar e modernizar seu visual quando chega em um escritório moderninho de start-up é realmente uma das suas melhores cenas no longa.

Já a atriz Gabrielle Union entrega uma Sra. Baker com muito mais presença, tanto em tela, quanto em termos de narrativa do que no filme de 2003. Mesmo que rápidos, alguns momentos de conflitos com as novas vizinhas é um ponto bem interessante que o roteiro toca. Assim, a dupla tem momentos que eles têm suas histórias como casal desenvolvida, e também como pessoas em busca de seus sonhos, e claro quanto toda a família está junta principalmente quando vemos todos eles precisarem se mudar para uma casa maior, num bairro mais chique, na medida que a padaria dos Baker vai se transformar em uma grande franquia, e o molho deles começa a ser vendido nos mercados de todo país.

Gabrielle Union e o elenco infantil em cena de Doze é Demais
Foto: 20th Century Studios/Disney+

Aqui, viagens para levar o molho dos Bakers ganha destaque, diferente do que uma turnê de um livro no outro livro, mas a essência de mostrar o quão isso afeta o dia-a-dia dos Bakers não muda de uma versão para outra. E Doze É Demais nunca perde o jeitão de filme família com o DNA da Disney. A produção toca em mensagens e pontos dentro da narrativa que servem para contar as dificuldades que uma família bi-racial tem nos dias de hoje. Mas ao mesmo tempo, são tantas crianças em tela, sub-tramas que precisam se desenvolver para dar o ritmo para a trama ser contada de uma forma para um filme de 2 horas que às vezes o que temos aqui é uma corrida para apenas apresentar cenas isoladas aqui e ali.

Nada disso impede claro de boa parte delas serem divertidas e algumas até entregarem um tom mais dramático e emotivo do que o primeiro longa que era muito mais puxado para a comédia do que essa versão de 2022. Entre as crianças o destaque realmente fica com o jovem ator Andre Robinson, como DJ o filho do primeiro casamento de Zoey (Union) com o jogador Dom (Timon Kyle Durrett) e Luke Prael como Seth, o sobrinho de Paul (Braff) que tem problemas para se adaptar na sua grande nova família por conta de problemas com sua mãe.

No final, Doze É Demais vem de carona na onda das adaptações das histórias antigas contadas pela Disney para a plataforma, uma que vale uma conferida descompromissada e que garante boas (e previsíveis) risadas. Sem dúvidas. 

Avaliação: 3 de 5.

Doze é Demais chega em 18 de março no Disney+.

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