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Dois Casais e Um Bebê | Crítica

Dois Casais e Um Bebê (Babysplitters, 2019) passou um pouco abaixo do radar do grande público, mas me cativou logo na sinopse que bem é bem simples: um grupo de amigos decide ter um filho juntos e criar o bebê com 4 pais.

Tinha tudo para ser uma daquelas comédias gostosinhas e bobinhas para se ver em um domingo à tarde enquanto você faz nada, sabe?

Dois Casais e Um Bebê | Crítica
Foto: Route 66 Films 

E não é que me surpreendi com o filme? Dois Casais e Um Bebê faz uma visão sobre criar um filho de uma forma bastante divertida, um pouco exagerada, mas entrega boas reflexões ao longo de sua duração. E isso se dá muito pelo roteiro afiado de Sam Friedlander, e claro, pela química dos dois casais de protagonistas que resolvem ter o tal bebê e que servirá como a próxima etapa de seus relacionamentos.

O casamento deles está bem, eles estão em bons momentos em suas carreiras, mas para alguns deles esse talvez não seja o momento, já para a outra parte o momento não poderia ser mais ideal. Assim, entre um encontro de amigos descompromissado, aqui e ali, a ideia aparece, e ganha força. Dois Casais e Um Bebê leva um tempo introduzir o espectador para os quatro protagonistas, o que é bastante divertido de se acompanhar se você já tem uma certa noção do que vem por aí, até que efetivamente a “brilhante” ideia surgir e todos eles estarem à bordo da Operação bebê!

O casal Jeff (Danny Pudi, hilário desde dos seus tempos na série Community) e Sarah (Emily Chang) são aquele casal ideal que se dão bem em tudo, companheiros e parceiros para tudo que vier, você tem um casal de amigos assim só puxar na memória, mas que discutem sobre o momento certo de terem uma criança. Sarah quer muito ter um filho já Jeff nem tanto. Num encontro com um casal de amigos, a dançarina Taylor (Maiara Walsh) e o preparador físico Don (Eddie Alfano, um The Rock em formação) que estão numa situação oposta, o papo vem e o que poderia ser uma brincadeira se torna uma ideia após amadurecer durante alguns dias: vamos ter um bebê!

Pudi e Chang estão incrivelmente bem e a presença de Walsh e Alfano na equação não os deixam de escanteio onde eles completam perfeitamente esse grupo completamente pirado. Assim, Dois Casais e Um Bebê entra em um espiral de momentos completamente sem noção, mas ao mesmo tempo que são totalmente divertidos para a proposta do filme. E nos preparativos para terem um filho, o grupo percebe que a tarefa não será muito fácil, onde mesmo que o roteiro do filme super acerte em mostrar a parte divertida, Dois Casais e Um Bebê não esquece a parte difícil, e começa a desenrolar todos os obstáculos que eles precisam enfrentar. Quem será os pais biológicos? Será inseminação artificial? Quem paga pelo enxoval do bebê? O nome e sobrenome (com hífen ou não)? o que gera passagens engraçadas e que se apoiam em um certo timing cômico dos atores que estão bastante entrosados em tela. 

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Dois Casais e Um Bebê | Crítica
Foto: Route 66 Films 

Com quase 2 horas, o filme acaba por entregar piadas que se repetem ao longo da história mas mostram a evolução da visão dos personagens com a maternidade, é o caso do médico Dr. Palmer (Brian Thomas Smith), da moça que Sarah vive a multar por conta de parar em lugar proibido, ou ainda o chefe sem noção de Jeff que comanda um start-up cheia de jovens millennials. São recursos que o roteiro utiliza para quebrar um pouco a trama principal que fica bastante intensa em alguns momentos e toca em assuntos mais densos que normalmente comédias desse tipo não tocam.

Dois Casais e Um Bebê tem como trunfo sempre ter uma carta guardada na manga e não tem medo de usar para movimentar a história e a vida dos personagens que tem seus segredos expostos nessa dinâmica, seja sobre o uso de remédios ou camisinhas com defeito. O roteiro garante certas reviravoltas que servem como um desvio na trama, e entrega um desafio para os quatro protagonistas nessa jornada maluca, mas bastante agradável de se acompanhar e se importar com suas histórias.

No final, Dois Casais e Um Bebê se disfarça de comédia romântica tradicional para contar uma história não tradicional sobre a vida adulta, o lado bom e ruim de um relacionamento, e principalmente os desafios de se criar um bebê juntos, onde aqui, pelo menos Jeff, Sarah, Taylor e Don tem uns aos outros para ajudar a colocar mais uma (só uma?) pessoinha no mundo.

Avaliação: 3 de 5.

Dois Casais e Um Bebê está disponível no Brasil no formato digital.

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