Com todos os esforços da filial nacional da Walt Disney Company para o lançamento de 100 Dias, longa de Carlos Saldanha que chega hoje (29) nos cinemas depois de passagens pelo Festival do Rio e Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a ideia da gigante do entretenimento já é olhar para 2027 e adiante.
Com 40 projetos em diferentes estágios de produção, a missão da divisão de nacionais é apostar na diversidade de conteúdos. É o que afirma Bruno Bluwol, diretor de produções locais do estúdio em encontro com a imprensa: “Buscamos muita diversidade de conteúdos. Precisamos ter apostas diferentes, conteúdos diferentes e atingir vários públicos. Uma das estratégias é franquias, sequências, ou Saltimbancos, que já é um IP (uma propriedade intelectual) conhecido, ou talvez um livro que é adaptado para o cinema, ou uma peça de teatro que é adaptada.”
E uma das missões é tentar mesclar esses projetos com os grandes blockbusters das inúmeras divisões (extremamente lucrativas) do estúdio como Star Wars (que em 2027 retorna com Star Wars: Starfighter em Maio), Marvel Studios e também das animações, seja a Disney Animation ou a Pixar.
E para 2027, a expectativa é grande dentro da Disney. Afinal, teremos nada mais que o retorno das maiorais, Anna e Elsa com Frozen III (novembro) e da família amarela mais amada da TV em uma nova aventura nos cinemas com um novo Os Simpsons – O Filme (Setembro). “Estamos sempre de olho [em oportunidades] no calendário. E também quais são os outros filmes do mercado como um todo, onde tem espaço, onde tem feriado, virada de mês, quais meses funcionam mais para cada tipo de filme.” afirma o executivo.
Com 4 filmes nacionais lançados em 2026 e Se Eu Fosse Você 3 levando mais de 97 mil espectadores no final de semana de estreia, segundo os dados do Rentrak, o 2027 do estúdio, na divisão de nacionais, parece ser mais promissor. Entre os destaques confirmados temos Nosso Lar 3 em janeiro; logo em seguida vem o longa Na Linha de Fogo, dirigido por Afonso Poyart, com elenco formado por Dilsinho Oliveira, William Nascimento e Nathalia Dill. Já para o período das férias de meio de ano, a aposta fica com a comédia A Grande Virada dirigida por Halder Gomes; e fechando a janela do segundo semestre, No Jardim do Ogro (estreia em Outubro), dirigido por Carolina Jabor e estrelado por Alice Braga, Julio Andrade e Milhem Cortaz.
Confira o line-up anunciado para a distribuidora e o bate-papo com o executivo abaixo.
Nosso Lar 3 (Estreia: 21 de janeiro)
Na Linha de Fogo (Estreia: 15 de abril)
A Grande Virada (Estreia: 29 de julho)
No Jardim do Ogro (Estreia: 28 de outubro)
Existe alguma tendência no estúdio de trazer esse projetos como 100 Dias que valorizam heróis nacionais que não ganham tanta repercussão pelo Brasil para estimular esse conhecimento maior da população sobre eles?
Bruno Bluwol: Sim, existe! Temos buscado histórias de brasileiros, histórias locais para serem contadas. Eu acho que também quando falamos de histórias reais, o público tende a já gostar mais de alguma forma, já criar um vínculo maior desde o início. Temos agora o filme do Amyr Klink e no ano passado teve o filme do Mauricio de Sousa que também lançamos e que também consideramos ele como um herói brasileiro, que também criou algo único, e quisemos fazer um filme sobre a vida dele e a criação da Turma da Mônica. Então acho que sempre buscamos essas histórias de pessoas brasileiras que merecem ser contadas e acho que preservar a história também, né? Por mais que tenha livros, tenha outros lados e outras coisas, acho que o filme também ajuda a compor e trazer para novas gerações ou contar a história; e quem viveu aquele momento ou quem já conhece aquela personalidade também vai ter um laço afetivo maior.
Poderia comentar um pouco sobre os próximos lançamentos da Disney e da estratégia desses títulos para o próximo ano? E como equilibrar os lançamentos desses filmes com as grandes IPs, né, com as grandes propriedades que a Disney vai ter no próximo ano como Vingadores, Frozen, Star Wars…
Bruno Bluwol: Estamos para lançar 100 Dias, que teve uma estratégia muito parecida com a que vai ter No Jardim do Ogro em outubro do ano que vem, que é, como você falou, um filme que é lançado após a corrida de festivais. Então 100 Dias levamos para o Festival do Rio, levou para a Mostra de São Paulo. E No Jardim do Ogro, que é o filme com a Alice Braga, direção da Carol Jabor, vamos também vai fazer uma carreira de festivais, e vai buscar um caminho para ele para poder chegar no final de outubro já mais quente com festivais.
Os outros filmes: Nosso Lar 3, em janeiro, buscamos a mesma data em lançam Nosso Lar 2 e tivemos um sucesso muito grande. Vimos que para esse filme o momento de férias funciona bem…. É um filme que as pessoas vão em grupo assistir. Então você ter um momento de férias em que as pessoas possam se mobilizar e organizar essa ida aos cinemas ajuda muito.
Então tentamos seguir a mesma data do Nosso Lar 2. E os outros filmes tentamos buscar muito [oportunidades no] calendário olhando sempre também quais são os outros filmes do mercado como um todo, onde tem espaço, onde tem feriado, virada de mês, quais meses funcionam mais para cada tipo de filme. Temos vários estudos para ir buscando quais são as datas que funcionam melhor para cada um. E também prazo de produção dos filmes, né? Vemos quando os filmes vão ficar prontos e quando pode lançar num caminho mais curto possível também para o filme não ficar muito tempo parado, digamos, né? Já buscamos como vamos alinhar a produção com o lançamento. E aí em abril a gente tem Na Linha de Fogo, que é uma produção da AfroReggae, feita no Rio de Janeiro. E em julho a gente tem uma comédia do Halder. Então a gente está, por enquanto… Esses são os quatro filmes que a gente tem já com datas. A gente vai ter mais em breve anunciados, mas são os quatro que a gente já datou. E uma busca que a gente tenta também é um pouco espalhar ao longo do ano os filmes nacionais.
Eu sinto que a comunicação tanto do Se Eu Fosse Você 3 quanto do 100 Dias soaram um pouco truncada para nós da imprensa, porque parecia que estávamos falando há muito tempo desses filmes e eles nunca estreavam, ou quando se tinha algum tipo de notícia era, no caso do Se Eu Fosse Você 3, que tinha sido adiado. Poderia comentar um pouco como tem sido os aprendizados de vocês com esses dois filmes, 100 Dias e Se Eu Fosse Você 3, em particular, o que vocês estão vendo que deu certo, o que está dando certo para aplicar para os filmes de 2027?
Bruno Bluwol: 100 Dias ainda vai ser lançado, mas são dois filmes que a gente já considera como exitosos dentro da empresa. Talvez isso que você está sentindo, olhando pela imprensa que está acompanhando todo o processo, pode parecer que estávamos há muito tempo falando de um projeto ou de alguma coisa, mas para a audiência a mensagem não chega tudo o que divulgamos para todo mundo. Então precisamos soltar muitos materiais, muita coisa e fazer diversos caminhos diferentes para cada caminho atingir um público específico e poder levar o público ao cinema.
No caso de Se Eu Fosse Você 3, tivemos um adiamento de data, sim, mas é algo que acontece com alguma frequência no mercado. Foi por uma questão produção, adiamos para poder trabalhar o filme melhor e buscar uma melhor data. Então às vezes acontecem esses adiamentos, acontece em algum lugar assim, mas a gente tenta não fazer isso. Mas eu acho que talvez, do lado de imprensa, talvez foi mais isso, de várias mensagens porque a gente tenta comunicar com vários públicos diferentes, e aí às vezes chega tudo para você, mas não chega para a audiência tudo.
Como a Disney encara isso internamente para a análise desses filmes? Se vocês fazem também algum levantamento junto com streaming, repercussão em redes sociais, para entender e analisar como foi o sucesso ou não de algum título?
Bruno Bluwol: Acho que esse acompanhamento de redes sociais, de lançamento, é um acompanhamento constante na fase de divulgação do filme e pós-lançamento. Tanto para ir direcionando a campanha e entendendo, como depois para a gente entender o que o público achou de cada conteúdo. Fazemos pesquisas, fazemos esse monitoramento para entender e também projetar isso para os projetos futuros. E acho que cada projeto tem o seu próprio ecossistema e tem o seu próprio modelo de negócios. Então não necessariamente o que talvez está olhando como audiência do filme no cinema ou alguma outra coisa vai representar se aquele conteúdo foi de sucesso ou não.
Temos que olhar quanto que foi investido, quanto foi investido para o lançamento e quanto ele teve de vendas em outras janelas, em outros países, quanto ele deu de audiência nas outras janelas, e tudo isso vai compondo… E é uma cauda longa de alguns anos para a gente poder chegar e falar: “Esse projeto realmente foi positivo para os investidores, para a distribuidora, para os coprodutores” ou não. […] Para ter um projeto que deu uma bilheteria grande no cinema e que talvez não trouxesse receitas para os sócios, e às vezes um projeto que não deu uma bilheteria tão grande e trouxe receitas, trouxe prestígio, trouxe mercado e trouxe outros pontos mais relevantes. Então cada projeto é um ecossistema próprio que é difícil comparar um com o outro.
Bruno, poderia falar sobre o processo de aprovar o filme animado dos Saltimbancos, como é que foi feita essa pesquisa e quais as projeções que vocês têm para esse projeto que mexe na parte afetiva?
Bruno Bluwol: Desde o nosso primeiro anúncio lá na D23, quando falamos que o filme ia ser produzido e íamos começar a fazer, muita gente vem perguntar do filme, e já vimos que esse criou esse laço afetivo com as pessoas muito forte. E é justamente por isso, por ser uma propriedade, uma IP tão relevante e tão importante, que quisermos entrar nesse projeto e estar junto. E além disso, por ter o Carlos Saldanha como diretor. E é o Carlos Saldanha para animação, porque ele fez agora o 100 Dias, já fez live-action, ele voltando para a animação, e uma animação brasileira feita aqui.
[…] Queríamos também com esse projeto ver se conseguimos desenvolver numa indústria de animação no Brasil maior, conseguir ter um volume de projetos e ter uma cadência de projetos maior, porque realmente a gente olha o histórico de cinema de animação e a gente não teve tantos. […]
Queremos tentar achar projetos que criem vínculos com todas as audiências e com um público maior e com uma grande campanha para poder chegar ao maior público possível e mostrar que sim, a gente pode fazer grandes sucessos de animação.
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