Como Vender a Lua | Crítica: Carisma de Scarlett Johansson vende o filme

Em Como Vender a Lua, carisma de Scarlett Johansson é o que vende o filme e eu comprei a história maluca. Nossa crítica.

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Dentre os maiores mitos que circulam por aí é que o homem NÃO pisou na Lua, que a Terra NÃO é redonda e que Elvis NÃO Morreu. E o divertido e espirituoso Como Vender a Lua (Fly Me To The Moon, 2024) brinca com a questão da corrida espacial e em contar uma história que se apoia em abordar o sentimento patriota americano que é tão marcante quando falamos da História daquele país. 

No longa, lançado nos cinemas pela Sony Pictures e que depois chegará no AppleTV+, estamos no final dos anos 60, onde a União Soviética e os EUA travavam uma batalha de ideologias, enquanto tentavam mandar seus soldados para o espaço. Um astronauta russo foi o primeiro a ir, uma cachorra também foi, mas, talvez, seja com um astronauta americano, uma frase icônica, e uma transmissão televisionada que tenhamos um dos momentos mais marcantes daquela década e que foi imortalizado quando falamos sobre o assunto de maneira geral. 

Scarlett Johansson e Channing Tatum em cena de Como Vender a Lua. Foto: Courtesy of Apple Original Films.

É tudo uma questão de perspectiva e do olhar do público. Uma coisa de marketing e relações públicas. E em Como Vender a Lua, esse é o trabalho de Kelly Jones (uma carismática Scarlett Johansson), uma profissional de vendas e propagandas que recebe o trabalho de dar um up na imagem da NASA, da corrida espacial, e claro aumentar o ânimo e o espírito dos americanos nessa disputa. 

O problema é que ao longo do projeto espacial, existem alguns membros do governo da administração Nixon (tá, um personagem suspeito interpretado pelo ator Woody Harrelson) que já querem se antecipar com o lançamento do Apollo 11, e tem um plano B nas mangas: Criar um pouso na Lua “falso” e “gravado” para caso as coisas derem errado. E nada melhor que Jones para bolar tudo isso. Certo?

Assim, fica claro que é a personagem de Johansson, quem é que vende o filme. Claro, a atriz já fez comédia antes, mas desde 2010 está presa na máquina da Marvel Studios, onde tenta se desvencilhar da avalanche de filmes que participou com projetos diferentes e mais cults, como História de Um Casamento (2019), JoJo Rabbit (2019) e Asteroid City (2022). Mas é em Como Vender a Lua que a atriz realmente mostra que sim pode ser uma atriz engraçada, onde aqui ela entrega e nos faz dar risada com uma personagem interpretada por ela.

Se foram realmente as habilidades cômicas de Johansson, adormecidas depois de anos como Vingadora Natasha, ou se é o bom texto da relativamente novata Rose Gilroy que a atriz tirou de letra, fica difícil de saber, mas definitivamente é o que faz Como Vender a Lua pousar com uma tranquilidade maior.

Afinal, essa jornada não é uma das mais fáceis. Talvez, sejam os anos de Greg Berlanti no comando, e na produção, de uma variedade gigante de séries de TV, que ainda deixam Como Vender a Lua com uma carinha de projeto para o streaming. E mesmo que o diretor entregue uma experiência que valha a pena se ver nos cinemas, fica claro, que mesmo depois de três filmes, Berlanti ainda não conseguiu fazer essa transição entre essas duas áreas.

E olha que em Como Vender a Lua, temos diversos tipos de chances para Berlanti fazer acontecer. Temos cenas de romance, cenas de explosões, foguetes voando, conspirações, e tudo mais. E se o diretor até tenta entregar alguma coisa mais uau para o filme, talvez, outro problema com Como Vender a Lua, fique com a estrutura narrativa que Gilroy usa no filme, o faz parecer como se estivéssemos vendo diversos episódios juntos um dos outros.

Afinal, Como Vender a Lua aposta no “enemy to lovers” para contar essa história de romance dentro da NASA na medida que Jones conhece o chefe do programa espacial Cole Davis (Channing Tatum), um dia antes de começar seu trabalho de melhorar a imagem da NASA. Mas quando ela chega no primeiro dia de trabalho, as coisas não começam muito bem. A dinâmica, e o jogo de gato e rato, vão ou não vão, entre os dois no filme, é o que motiva a trama na primeira parte, já “vamos criar um pouso falso gravado em um set” a segunda. 

Channing Tatum e Ray Romano em cena de Como Vender a Lua. Foto: Courtesy of Apple Original Films.

As duas se completam, claro, em algum momento, mas o sentimento que estamos vendo duas coisas separadas em tela, é gigante. A parte que Jones contrata atores para darem entrevistas nos lugares dos funcionários da NASA, ou até mesmo a forma como ela, e sua assistente Ruby (Anna Garcia) chegam arrumando tudo no escritório e deixando Davis e o colega Henry (Ray Romano) de cabelo em pé, para a forma como eles atuam para fazer o Senado americano não tirar a verba da NASA para o projeto especial sair do papel, é bem divertido de se assistir. 

E a outra parte, que basicamente funciona como um filme de assalto, em que vemos o time das gravações criado por Jones, sem Cole saber, tenta fazer com que a transmissão da decolagem, seja a real e não a falsa que o diretor Lance (um ótimo Jim Rash) criou é de levar a narrativa até os momentos finais.

Aliás, a piada em que se fala que Kubrick não estava disponível é muito boa e o filme está recheado de pequenos momentos assim. Seja na participação de Colin Jost, o ator, apresentador do SNL, e marido de Johansson na vida real, ou a Jones aparecendo com uma barriga falsa para garantir uma conta publicitária. Mas o que faz o filme decolar mesmo é o combo Johansson e Tatum que entregam momentos cômicos e de romance que apenas elevam o filme e a história maluca, parcialmente baseada em eventos que aconteceram mesmo.

No final, por mais simples que Como Vender a Lua possa parecer consegue entregar momentos que tiram um sorriso do rosto, agradam, e não ofendem. Afinal, o filme serve como uma grande, e boa, uma piada e não que leva os fatos a sério, ou principalmente tenta os mudar por mudar.

Nota:

Como Vender a Lua chega em 11 de julho nos cinemas nacionais.

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