Clube dos Vândalos | Crítica: Longa sobe na garupa e se apoia em nomes conhecidos

Clube dos Vândalos sobe na garupa e se apoia em nomes conhecidos para contar história de motoqueiros. Nossa crítica.

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Uma reunião de estrelas em ascensão em Hollywood, uma biografia sobre um clube de motoqueiros, um retrato de uma parte um pouco mistificada da sociedade americana e num período bem específico da História daquele país. Tudo isso serve para descrever Clube dos Vândalos (The Bikeriders, 2024) que faz um filme extremamente envolvente de se assistir e marcado por boas atuações desse elenco que andou pipocando por diversos outros projetos separados e que aqui se unem nesse novo filme de Jeff Nichols (de longas como Loving: Uma História de Amor e Amor Bandido).

E se todos os outros filmes mais conhecidos do diretor falavam sobre relacionamentos, Clube dos Vândalos também não foge à regra. Ao contar a história de um grupo de motoqueiros que criam um clube, uma comunidade, assim por dizer, o diretor, que também cuidou do roteiro, consegue imprimir uma certa humanidade para esses personagens tão esteriotipados e contar essa história sobre os relacionamentos entre essas figuras que buscavam a suas próprias versões do sonho americano.

Contado em zigzig através de entrevistas com a dona de casa Kathy (Jodie Comer, bem como sempre, mas com uma voz e sotaque irritante) para o estudante/jornalista/fotógrafo Danny (Mike Faist, num excelente ano), Clube dos Vândalos navega pela história desses personagens que estavam unidos pelos mesmos ideais, pelas mesmas visões de mundo e que formaram e fizeram parte um clube que envolvia motos, casacos de couro, cigarros e bebidas. 

Mike Faist e Jodie Comer em cena de Clube dos vândalos. Foto: Credit: Kyle Kaplan/Focus Features. © 2024 Focus Features. All Rights Reserved.

Mas também alguma coisa a mais. Assim, vemos Danny em busca de contar a história do chamado Chicago Outlaws Motorcycle Club (ou O clube motorizado dos fora lei de Chicago em tradução livre), mas fica claro que, antes de mais nada, o que Clube dos Vândalos quer contar é a história desse trio principal de personagens formado por Kathy e dois dos motoqueiros do grupo: Johnny (Tom Hardy, tentando capitalizar ao ano o seu ano em mais um filme Venom) e Benny (Austin Butler ainda colhendo os frutos da sua indicação ao Oscar por Elvis e depois da megaexposição em Duna: Parte 2 no começo do ano).

É através dessa relação principal, essa relação triangular desses personagens com personalidades completamente diferentes, que é o que guia e norteia a história em Clube dos Vândalos, onde Nichols usa de um texto extremamente bem escrito (e baseado, em partes no livro, e nas fotografias, de Danny Lyon) para fazer esses personagens saltarem em tela e terem uma história para contar. Clube dos Vândalos é bem mais sobre a história desse “clube” de Chicago nos anos 60 em si, e sim, sobre essas figuras que se escondiam atrás de rostos carrancudos, brigas de bar, festas no meio do mato, regras e motos.

Na medida que Kathy serve como olhos para o espectador e o jovem jornalista faz as perguntas que nós espectadores queremos saber sobre esse grupo, Clube dos Vândalos nos leva para diversos momentos que fizeram parte da história desses personagens. De ser um lugar para pessoas que pensavam e se comportavam de uma certa maneira depois que o líder Johnny (Hardy, muito bem) ver o longa O Selvagem (de 1953 e estrelado por Marlon Brando) na TV e quer replicar para si essa história, para as regras criadas para manter tudo certo (o telefone no bar para emergência, as cores nas jaquetas e ainda a forma como eles poderia contestar as decisões do líder no punhos ou facas?) até, o que lá no futuro, viria ser a formação de uma gangue barra pesada com atividades criminosas quando membros mais jovens e que marcados na figura do personagem de Toby Wallace (também muito bem) apareciam no clube. 

Tom Hardy e Austin Butler em cena de Clube dos vândalos. Foto: Credit: Kyle Kaplan/Focus Features. © 2024 Focus Features. All Rights Reserved.

Assim, ao longo do filme, e dos anos que se passaram, vemos como essas pessoas se reuniram, criaram suas regras, participaram de festas, recrutaram novas pessoas, criaram suas regras,  e consequentemente, viram tudo isso ruir. Ao esbanjar testosterona ao longo das quase 2 horas que tem, Clube dos Vândalos garante que passamos bom tempo com esse elenco, suas histórias e entrevistas. E Nichols conseguiu reunir um elenco e tanto aqui. Do ótimo Butler que realmente se mostra comprometido mais uma vez com um personagem, é o famoso ator de método, para Hardy que realmente consegue se livrar da sombra de Eddie Brock, para todos os outros nomes conhecidos que estão no filme, como sempre ótimo Michael Shannon (que trabalhou com o diretor e Jessica Chastain em O Abrigo), para Boyd Holbrook e Norman Reedus que tem participações mais pontuais, e também Damon Herriman que garante bons momentos com seu personagem que serve como um dos participante mais querido do grupo. 

Assim, a cada entrevista que acompanhamos Kathy reviver dos anos que passou com o clube, da chegada de novos membros, para as brigas, para os desentendimentos, e tudo mais, Clube dos Vândalos vai por fazer o espectador se preocupar com o que pode dar de errado nessa história na medida que a trama apresenta diversos arcos narrativos desses personagens que vão desde de acidentes de carros, mortes, e até mesmo, uma disputa pela liderança do grupo de motoqueiros.

E mesmo com alguns buracos na estrada na história, a estética visual de Clube dos Vândalos compensa e é linda de se assistir. Principalmente lá na metade do filme quando temos uma conversa entre os personagens de Hardy e Butler sobre quem vai assumir o controle do clube. A tela escura, a silhueta dos personagens, e tudo mais criam essa atmosfera sedutora para filme. 

Já a ambientação mais crua, urbana, violenta e mais suja que Nichols dá para outros momentos do filme, seja nas paisagens abertas, ou no visual dos personagens deixam Clube dos Vândalos com um ar de realidade que impacta de certa forma mesmo que de certa forma parece uma caricatura do que esses motoqueiros foram fora do filme. Mas é o trabalho desse grupo de atores que dita o tom para o filme, afinal, as relações, os acontecimentos na vida desse grupo que servem como combustível para fazer Clube dos Vândalos rodar, rodar e rodar, e no final, parar num lugar interessante e que por conta desse grupo de atores que consegue contar uma boa história.

Nota:
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