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Caçadoras de Recompensas | Crítica 1ª Temporada: Boa premissa se perde em episódios longos

Já começo esse texto sem enrolações, e já vou falar a verdade logo de cara: quando eu li a sinopse, e depois vi o trailer de Caçadoras de Recompensas (Teenage Bounty Hunters, 2020) eu logo falei, ou melhor tuitei: nossa essa série é para mim, vai ser tudo!  

E ao assistir os primeiros episódios, eu super achei isso num primeiro momento, e mesmo que tenha me divertido com série, ao mesmo tempo também, achei que essa primeira temporada se perdeu um pouco ao longo de seus longos e cansativos episódios.

Maddie Phillips and Anjelica Bette Fellini in Teenage Bounty Hunters (2020)
Caçadoras de Recompensas | Crítica – 1ª temporada
Foto: Netflix

Primeiro sobre a duração, Caçadoras de Recompensas entrega episódios de quase 1 hora, poderiam sim ser encurtados e terem no máximo uns 30 minutos, e ainda sim, teríamos trama, na boa, para pelo menos umas duas temporadas. Outro fator que notei, e que me incomodou muito com a série, foi o fato das milhares, e milhares, tramas paralelas que os produtores colocaram durante os episódios. Caçadoras de Recompensas peca por ser mais uma comédia teen de colégio do que efetivamente ser uma série com adolescentes como caçadoras de recompensa.

Só recapitulando para quem caiu de paraquedas aqui, Caçadoras de Recompensas acompanha as gêmeas Sterling (Maddie Phillips) e Blair (Anjelica Bette Fellini) que estão cansadas da vida certinha que vivem na comunidade super religiosa que moram com seus pais, e começam a trabalhar com um caçador de recompensas chamado Bowser Jenkins (Kadeem Hardison) que também tem uma rede de sorveteria. Assim, conforme afirma a sinopse elas “embarcam em uma aventura maluca por um mundo de segredos e bandidos, tudo isso enquanto tentam lidar com o drama da vida no ensino médio – seja no romance ou nos estudos.”  

Viu? A premissa da série é ótima, super divertida e alto astral e tem criação de Kathleen Jordan e Jenji Kohan (de Weeds e Orange is the new black). E Caçadoras de Recompensas é mesmo isso, mas achei que os produtores colocaram todas as ideias possíveis para a série nesse primeiro ano, tudo de uma vez só…. é como se estivéssemos na sorveteria de Bowser e os roteiristas colocassem todos os tipos de coberturas possíveis no pote de sorvete, sabe?

E por ser uma série teen, de meio do ano, a gente super releva algumas das coisas, como o fato que as duas adolescentes viram caçadoras de recompensa do nada, que andam com armas (mesmo sendo um Estado sulista) por aí, caçam os bandidos e tudo mais, e nada acontece. Caçadoras de Recompensas meio que funciona com o “bandido do dia/episódio” que elas precisam caçar e coletar o dinheiro. Mas ao mesmo tempo parece também que a série não deixa a gente respirar com a tonelada de suas tramas paralelas, onde todos os personagens precisam ter arcos narrativos desenvolvidos e mostrados.

Kadeem Hardison, Maddie Phillips, and Anjelica Bette Fellini in Teenage Bounty Hunters (2020)
Caçadoras de Recompensas | Crítica – 1ª temporada
Foto: Netflix

Caçadoras de Recompensas falha em não aceitar que menos é mais em alguns momentos. É o caso do pai da personagem da certinha aluna April (Devon Hales) que vive em pé de guerra com Sterling (Phillips), o relacionamento da jovem com o capitão do time de golfe Luke (Spencer House), ou ainda mais o triângulo amoroso de Browser (Hardison) com sua colega de Yolanda (Shirley Rumierk) e a sua ex-esposa que também é irmã da moça. É tudo muito exagerado, as coisas levam um tempo para acontecer, afinal tem muito tempo sobrando dentro dos episódios. E até mesmo, o mistério principal da temporada e que envolve Debbie (Virginia Williams), a mãe das meninas, demora para desenrolar. Parece que ficamos caçando nossas recompensas que nunca vem, assistindo episódio atrás de episódio onde nada acontece, mas ao mesmo tempo MUITA coisa acontece?

As atrizes Maddie Phillips e Anjelica Bette Fellini estão incríveis juntas, e ambas são bastante expressivas, tem um talento para comédia bem afiado, e realmente toda vez que elas estão juntam em tela eu ri. Elas compartilham o “poder especial de gêmeas” e falam uma com a outra em suas bolhas próprias, o que no final é super divertido de assistir. Mas, ao mesmo tempo, as tramas que os roteiristas dão para elas individualmente chega a ser extremamente cansativa, como o arco que Sterling descobre mais de sua sexualidade, depois de transar com o namorado e causar um rebuliço no colégio conservador, e de Blair que vive uma eterna fase rebelde, começa um relacionamento com Miles (Myles Evans), onde temos o desenvolvimento da história do garoto ser negro e viver num estado do sul super racista.

Como falamos, tudo isso apenas deixa Caçadoras de Recompensas super cansativa. Essa comédia era para ser minha série para relaxar, e já na metade da temporada eu tava cansado, afinal, já tinha acontecido um monte de coisa e ainda faltava mais 5 horas de sorvetes, brigas, e discussões das gêmeas. E eu encarrei a segunda parte da temporada com um bico gigante…mas os destaques da temporada ficam com os episódios 1×01 – Daddy’s Truck, 1×02 – What’s a Jennings, 1×08 – From Basic to Telenovela e 1×10 – Something Sour Patch.

Será que sou eu que, talvez, já não seja mais o público alvo de Caçadoras de Recompensas? Pois eu realmente eu me diverti muito em diversas passagens, e gostei muito de diversas críticas que o texto faz sobre a comunidade católica, e sobre os jovens que vivem nela, que não soa nada desrespeitoso, e sim um comentário ácido e bastante afiado. Acho que talvez eu também esperasse mais de Caçadoras de Recompensas. Só sei que por conta do grande catálogo da Netflix disponível, acho que voltaria para uma segunda temporada não.

E vocês?

A 1ª temporada de Caçadoras de Recompensas está disponível na Netflix.

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