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Awake | Crítica: Suspense com Gina Rodriguez prende a atenção até o último momento

Awake (2021) é um filme que vocês deveriam ficar ligados lá na Netflix. Trocadilhos de lado, o longa comandado pelo diretor Mark Raso entrega um suspense parte pós-apocalíptico, parte drama de sobrevivência bem interessante em sua proposta, sem dúvidas.

Awake consegue ser efetivo? Sim, prometo que você não vai cair no sono ao assistir, mas também não espere nenhum obra prima do suspense, tá? Para um longa na Netflix, lançado no meio da semana? O filme cumpre bem sua proposta sem dúvidas nenhuma.

Awake | Crítica
Foto: Netflix

Liderado pela sempre competente e talentosa Gina Rodriguez (Jane The Virgin, Miss Bala), Awake serve como um primo distante de Um Lugar Silencioso, onde aqui, em vez do silêncio ser o principal fator contra os personagens, temos a falta de sono, ou não ter a chance de dormir, como o principal obstáculo. Awake faz o Lugar Não Adormecido da Netflix, e no final entrega um filme que, pelo menos para mim, me prendeu a atenção até o último momento.

O roteiro escrito pelos irmãos Raso, Joseph e Mark (que dirige o filme como falamos) não é nada espetacular, e claro não tem o mesmo impacto, ou a fineza que o roteiro de John Krasinski tem claro. Aqui, a trama é bem simples, mas que se desenrola até que de uma forma ágil para a sua proposta.  Em Awake, a veterana do exército Jill (Rodriguez) trabalha em uma universidade para pagar as contas depois de ter se envolvido com drogas e ter perdido a guarda dos filhos, os jovens Noah (Lucius Hoyos) e Matilda (Ariana Greenblatt, super em alta em Hollywood). Jill tem um esquema de repassar alguns remédios controlados para traficantes locais e segue sua vida a trancos e barrancos. Tudo muda quando um dia, as coisas param de funcionar de uma hora para outra, os carros desligam, os aviões caem, e o mundo entra num colapso.

Além do apocalipse acontecer, a população ainda sofre com um outro mal: ninguém consegue dormir. Assim, Awake trabalha com seus mistérios sobre o que causou? Como as pessoas vão sobreviver? E se existe uma cura? E paralelamente descobrirmos que a jovem Matilda é uma das poucas pessoas, talvez a única, que consegue tirar uma bela soneca enquanto o mundo desaba em caos e loucura. Chega a ser morbidamente engraçado, o circo pegar fogo no filme enquanto Matilda dorme profundamente.

Awake | Crítica
Foto: Netflix

Awake então meio que cria uma jornada alucinante em busca dessas respostas, afinal, o longa se baseia na premissa que após diversas horas sem dormir nossos sentidos ficam menos apurados, e nossa habilidade de raciocinar também vai para o espaço. Mas ao mesmo tempo, parece que pular diversas etapas enquanto acompanhamos a jornada de Jill, Noah e Matilda pela estrada, primeiro quando eles tem que fugir dos moradores malucos da cidade que eles vivem, e depois, quando eles tem que tentar encontrar um lugar que testa uma outra pessoa que também consegue dormir.

Os roteiristas não se preocupam em trabalhar bem a mitologia que poderia ser explorada no longa, e por usarem a desculpa que os personagens têm poucos dias para sobreviver, acabam por apressar diversas de suas passagens. Assim, o longa não parece ter tempo para criar momentos que vemos que realmente essa família está ameaçada. Afinal, o grande problema entre eles é que as crianças não se dão bem com a mãe por conta de todo o passado problemático que eles têm, mas ao mesmo tempo eles precisam colocar tudo isso de lado também para se unirem para tentarem sairem vivos dessa.

Será que eles vão?

Afinal, o grupo encontra com fanáticos religiosos, bandidos perigosos que saíram da prisão, e claro, médicos que estão obcecados em encontrar a cura. Tudo isso em menos de 1h30min de filme. Rodriguez e Greenblatt tem cenas bastante intensas juntas, destaco a cena das duas na biblioteca, e realmente se sobressaem dos demais. Já Jennifer Jason Leigh (A Mulher na Janela) e Finn Jones (Marvel’s Punho de Ferro) têm papéis menores e pouco contribuem aqui na real. Por exemplo, o ator Shamier Anderson se destaca muito mais em suas cenas com Rodriguez, ele faz um fugitivo que ajuda Jill a chegar no centro médico, do que os dois atores veteranos e mais conhecidos do público. 

No final, Awake faz um sólido filme que garante algumas boas passagens aqui e ali principalmente pelo carisma de Rodriguez que tem embarcado nessa onda de fazer protagonistas destemidas, primeiro Miss Bala depois este filme, na tentativa de tirar o rótulo de mocinha que impulsionou sua carreira em Hollywood. Ela é uma atriz para ficar de olhos bem abertos.

Avaliação: 2.5 de 5.

Awake disponível na Netflix.