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Amor Garantido | Crítica: Aquele ruim e com todos os clichês de comédias românticas possíveis

Pela amor dos deuses do cinema, como Amor Garantido (Love Guaranteed, 2020) é ruim! Não sei o que mais aconteceu comigo ao assistir: revirar meus olhos com as situações que o filme apresenta, ou ficar contando todas as vezes que a música I Think We’re Alone Now da cantora Tiffany foi tocada.

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Amor Garantido | Crítica
Foto: Netflix

 Amor Garantido coloca todas, e se não todas, 90% de situações já vistas em um filme de romance em tela e mistura tudo isso numa história tão rasa que nós dá a certeza que a receita fácil para uma comédia romântica é apostar em situações exageradas e sem noção, onde nem mesmo uma trilha empolgante consegue disfarçar um roteiro ruim e preguiçoso.

Do momento que o filme começa já sabemos como ele terminará, e as roteiristas Hilary Galanoy e Elizabeth Hackett, responsáveis por Amor Garantido, nem conseguem garantir algumas cenas legais ou interessantes. Se eu esbocei dois sorrisos foram muito, e em uma das cenas estava no trailer. Foi a parte na qual vemos os protagonistas sairem de uma reunião na start-up Amor Garantido e dando de cara com o elevador parado. Assista abaixo.

Se você caiu de paraquedas nesse texto, vou explicar. Amor Garantido acompanha a advogada Susan (Rachael Leigh Cook) que tem como cliente Nick (Damon Wayans Jr.), um rapaz que quer processar uma empresa de tecnologia que criou um site de relacionamentos que diz garantir o amor para todos seus usuários. Nick diz ter saído com mais de 980 pessoas, e o Amor Garantido te garante que para o amor acontecer os usuários precisam sair pelo menos com 1000 delas! Assim, ele entra com um caso judicial contra a empresa e pede uma indenização milionária.

O que ele não iria prever seria encontrar o amor com sua advogada. Sim, essa é a premissa maluca de Amor Garantido.

E o que era para ser uma comédia romântica gostosinha para vermos neste final de semana de feriado é um amontoado de clichês sem carisma nenhum e que definitivamente não valeu meu tempo, e com certeza não recomendo você gastar o seu. É tudo muito mal feito, a trama é super previsível, as cenas parecem que saíram um grande comercial de Natal falso, as atuações são caricatas e realmente todo mundo envolvido precisava pagar alguns boletos atrasados só pode. Mas ei, boletos são boletos né? Por isso que me dando o trabalho de escrever sobre Amor Garantido. Começo de mês, sabe?

Cook e Wayans Jr. até tem uma certa química juntos e tentam tirar alguma coisa do roteiro opaco e sem carisma que Amor Garantido oferece. A dupla tem alguns momentos até divertidinhos quando, por exemplo, passam pela lista de 900+ mulheres que Nick conheceu, e que tem nomes como os episódios da série Friends como “Aquela que levou os pais no encontro”, ou “Aquela que só falou dos gatos o tempo todo e nem tem gato”. É cafoninha, é quase no limite do politicamente incorreto para os dias hoje, mas combina com o filme, uma comédia que parou no tempo, lá nos anos 90, e que pode ser classificado como “Aquele ruim e com todos os clichês de comédias românticas possíveis”.

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Amor Garantido | Crítica
Foto: Netflix

Susan é uma advogada daquelas que só cuidam de casos pro-bono que quer ajudar a comunidade, mas que também precisa de dinheiro, e que vive sozinha tomando seu bom vinho em sua poltrona olhando para chuva numa sexta-feira à noite. Já Nick tem um certo mistério que o filme se embola para resolver sobre uma antiga namorada e o que ele quer fazer com o dinheiro. Nossa prefiro nem lembrar.

Os colegas de trabalho de Susan, como o contador/investigador Roberto (Sean Amsing) e secretária/investigadora Denise (Lisa Durupt) são um fiapo de estereótipos, que claramente seriam parte do anexo da comédia The Office de tão unidimensionais que são e que o roteiro abusa de piadas sem nenhuma graça e que são repetidas a exaustão em todos os momentos que eles aparecem para orbitar na trama da protagonista. Fora os personagens do lado opostos do processo, como Bill (Jed Rees), o advogado da grande empresa que eles tem que lutar que em um momento solta uma risada maléfica no telefone só para sinalizar que ele é o grande vilão do filme, e ainda Tamara (Heather Graham), a CEO life coach da empresa do app que não coloca nenhuma empolgação na disputa judicial.

É tudo muito ruim.

No final, Amor Garantido é realmente como ir em um encontro ruim, onde você só torce para acabar logo. Não tem carisma dos atores, nem repetição de I Think We’re Alone Now, que salve esse comédia romântica disponível na Netflix que entrega uma decepção sem tamanho para os fãs, como eu, do gênero. 

Avaliação: 1.5 de 5.

Amor Garantido chega em 3 de setembro na Netflix.

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