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A Roda do Tempo | Primeiras Impressões: O tempo dirá se a série é a The Witcher empoderada ou a nova Game of Thrones

“Não subestime o poder das mulheres desta Torre!” afirma a personagem da atriz Rosamund Pike em cena de A Roda Do Tempo (The Wheel Of TIme, 2021), a adaptação dos livros de mesmo nome que o Prime Video lança na próxima sexta-feira com ares de super-produção.

E é.

A Roda do Tempo é a maior aposta do serviço da Amazon no ano e realmente entrega uma série com ares cinematográficos no estilo O Senhor dos Anéis (que também virou série e chega em 2022) e pelo que vimos nos 3 episódios iniciais liberados para a imprensa, a grandiosa produção é o carro-chefe da plataforma para tentar dar um gás no seu número de assinantes na guerra dos streamings. Para Amazon, o jogo dos tronos apenas começou, e aqui tem uma série e tanto em mãos.

E ao assistir fica a pergunta: Será que A Roda do Tempo é a The Witcher empoderada ou a nova Game of Thrones? Só o tempo dirá. Afinal, será que o público vai abraçar a atração como fizeram com suas concorrentes? Particularmente eu acho que A Roda do Tempo tem um fator de agradabilidade bem maior que as duas outras.

Rosamund Pike (Moiraine Damodred) em cena de A Roda Do Tempo.
Foto: Courtesy of Amazon Studios

A Roda roda” A atração acompanha um grupo de feiticeiras chamadas Aes Sedai que canalizam um poder chamado o Poder Único num mundo onde as mulheres são a força dominante e os homens não. O choro é livre. Uma das mais misteriosas e poderosas é Moiraine Damodred (Pike, ótima como sempre) que juntamente com seu guerreiro pessoal Lan Mondragoran (Daniel Henney) chega no povoado dos Two Rivers em uma missão ao mesmo tempo perigosa, secreta e crucial para o destino da humanidade: encontrar o (ou a) reencarnação do Dragão Renascido, a única esperança que as tais feiticeiras tem em derrotar o Dark One, um ser do mal que traria a destruição total.

E é assim que o seriado começa. “Não há únicos começos e finais na Roda do Tempo, e esse apenas é um começo” O primeiro episódio é super introdutório, e para uma série com essa mitologia, a quantidade de informações que são apresentadas podem soar um pouco demais, mas é inegável que o mundo que Rafe Judkins cria baseado nos livros de Robert Jordan é transportado em tela de uma forma ao mesmo grandiosa e convidativa para quem (assim como não leu a franquia).

 A Roda do Tempo não perde tempo em nos apresentar como funciona esse mundo dominado por essas feiticeiras, onde vemos que não é só Moiraine que está em busca da pessoa que pode ser o Dragão Renascido, e que não existe apenas a ameaça do Dark One nesse mundo e sim outras que podem dar trabalho ao longo dessa jornada como uma brigada só de homens que tentam se rebelar contra o grupo das Aes Sedai e liderados por sanguinários guerreiros que usam branco.

Mas claro que nem todas as respostas são dadas logo de cara, afinal, como uma boa série de “jornada de herói” aqui somos apresentados para o dia-a-dia dos moradores da tal pacata vila que será mudada com a chegada de Moiraine e de outras forças do mal em busca do que eles acreditam serem candidatos proeminentes para o posto do escolhido.

E A Roda do Tempo sabe trabalhar nesse começo para apresentar e introduzir essas figuras, ao mesmo tempo que a figura da tal feiticeira, sua irmandade e seu guerreiro de companhia são apresentados também para nós.  E o ritmo da série mostra que A Roda do Tempo vai levar seu tempo próprio para fazer isso. Isso se repete nos outros 2 episódios iniciais, onde temos cenas que são apresentadas logo no começo, que se complementam com a trama e os acontecimentos vistos no episódio em que estamos.

Particularmente, o que me atraiu para A Roda do Tempo foi ela ser uma série de fantasia e a presença de Rosamund Pike e acho que isso já é basicamente o suficiente para você leitor dar o play. Sem outros nomes conhecidos, Pike lidera esse elenco e realmente se destaca pelo menos no primeiro episódio em apresentar e deixar claro que Moraine é uma força dentro das Aes Sedai. Pike se destaque e muito aqui nesse começo.

Outros atores também fazem um bom trabalho também, é o caso de Daniel Henney como o guerreiro que acompanha a protagonista – quase toda Aes Sedai tem um, normalmente homem de companhia, onde a complexa relação entre eles é explicado ao longo dos capítulos – e ainda Kate Fleetwood como uma Aes Sedai de uma outra categoria, a vermelha – elas são divididas por cores e função dentro da Irmandade, coisa que também é explicada ao longo dos episódios – que realmente parece ter sua própria agenda.

 Josha Stradowski (Rand al’Thor), Barney Harris (Mat Cauthon), Daniel Henney (Lan Mondragoran), Madeleine Madden (Egwene al’Vere), e Rosamund Pike (Moiraine Damodred) em cena de A Roda Do Tempo.
Foto: Jan Thijs/Amazon Studios

Já dentre o grupo dos possíveis escolhidos, acho que ninguém realmente se sobressai mesmo que seus personagens parecem ter mesmo, cada um de maneira diferente, uma importância para a trama. Na medida que a jornada ao lado de Moraine rumo à Torre Branca (o quartel general das Aes Sedai) acontece e eles começam a desenvolver poderes que estão adormecidos e que se manifestam quando eles tão em perigo, fica claro que a feiticeira estava certa, em partes, sobre eles. Talvez os candidatos mais interessantes fiquem com os personagens dos atores Zoë Robins, como Nynaeve al’Meara, uma jovem destemida, Marcus Rutherford como Perrin Aybara, um rapaz trabalhador.

O casalzinho Rand al’Thor (interpretado pelo ator Josha Stradowski) e Egwene Al’Vere ( a atriz australiana Madeleine Madden) não convencem e o personagem do ator Barney Harris, um tipo de anti-herói Mat Cauthon também apresenta um arco muito fraco. Mas pelo menos nesse começo enquanto eles navegam pelas florestas tentando assimilar o maior número de informações possíveis e lidam com o fato que não vão podem voltar para sua vila depois dos acontecimentos do primeiro episódio.

Ao longo dos três episódios iniciais a série consegue construir sua história e nos entregar momentos de diálogos misturados com passagens de ação, combates e feitiços bem interessantes e parece que a jornada dessas pessoas realmente só está no começo e realmente eu quero saber para onde vai para boa parte deles. 

No final, visto três episódios, digo A Roda do Tempo faz um sólido começo para uma série de fantasia da escala e do porte que o Prime Video procurava.  A história chama atenção, o apelo com os efeitos visuais também (os poderes de Moraine e das Aes Saidi são visualmente muito bem feitos) e ainda o sentimento que vamos acompanhar uma série grandiosa em história quanto em escopo é sentida nesses primeiros episódios. Sobre a pergunta que abre esse texto, e já tendo visto mais episódios, eu já tenho minha resposta. Mas não posso dar senão o Prime Video manda as Aes Sedai aqui.

A Roda do Tempo estreia em 19 de novembro no Prime Video com três episódios. Novos episódios chegam as sextas na plataforma.