A Pior Pessoa do Mundo | Crítica: Uma história de amor sem vilãs ou mocinhas

Com 12 capítulos, mais um prólogo e epílogo, A Pior Pessoa do Mundo (The Worst Person in The World, 2021) chega para contar uma história de amor às avessas. Uma que acompanha a busca pelo amor… só que aqui, não o amor teorético dos filmes e aquele romantizado por Hollywood tem anos, e sim o próprio, onde o diretor norueguês Joachim Trier conta essa história de uma jovem que na tentativa de se conectar com outras pessoas, precisa descobrir como conviver consigo mesma e suas angústias, aflições e medos.

Renate Reinsve em cena de A Pior Pessoa do Mundo
Foto: Diamond Films

 A Pior Pessoa do Mundo cria essa ambientação mais intimista na medida que conhecemos Julie (Renate Reinsve, muito boa aqui e com diversos prêmios na mala na temporada), sua vida, e algumas das decisões pessoais e profissionais tomadas por ela ao longo de alguns anos. A instabilidade de Julie em relação a se apagar com uma coisa só em termos profissionais, e buscar num parceiro uma definição do que ela quer, é mostrada ao longo do filme como se fosse uma coisa super normal, típica da geração que a personagem parece representar aqui.

Claro, nesse seu conto Trier faz aquilo que já esperamos de uma produção do gênero, ele aumenta e amplifica as situações, os conflitos e tudo mais. Mas talvez o que mais chame atenção em A Pior Pessoa do Mundo não seja a protagonista chatinha, ou as pessoas detestáveis que ela se relaciona, e sim, a forma como o diretor resolveu contar essa história.

É uma história de cotidianos, então Trier usa uma certa liberdade narrativa e um certo tom de fantasia para dar um charme totalmente único para a trama. Assim, A Pior Pessoa do Mundo é marcado por alguns dos melhores momentos do cinema do ano, seja a troca de intimidade de um casal numa festa com cigarros, um troca de olhares numa livraria que envolvem um óculos perdido, ou até mesmo o sentimento de euforia quando uma nova coisa brilhante é sacudida na cara da nossa protagonista, e a faz parar o tempo, e viver e saborear aqueles momentos onde é só ela e ele, e nada mais importa, e a corrida para viver esse sentimento é tão poderosa e energética que deixa o mundo em pausa.

A Pior Pessoa do Mundo apenas expõe os detalhes, a intensas discussões onde os atores realmente nos fazem cair de cabeça em seus conflitos, e os momentos da vida de Julie, seja quando ela está com Askel (Anders Danielsen Lie) e a diferença de idades (ele mais velho que ela, ele quer filhos e ela não), de ideias (todo o arco narrativo que envolve a polêmica história em quadrinho), e de visões de mundo de uma maneira geral. E depois ao passar, quando o jovem Eivind (Herbert Nordrum, aqui também muito bom) surge na jogada, no meio de uma festa qualquer e parece compartilhar das mesmas visões que a garota. Até que um determinado tempo isso não acontece mais. 

Renate Reinsve e Anders Danielsen Lie em cena de A Pior Pessoa do Mundo
Foto: Diamond Films

Mas sabe o que acontece? A vida acontece para esse grupo de pessoas, onde o filme sem nenhuma fantasia ou compromisso com uma mensagem positiva diz, que às vezes nem sempre o que temos são finais felizes, casamentos de novela, e casa no subúrbios com filhos. 

Assim, A Pior Pessoa do Mundo chega nos seus momentos finais e mostra que na verdade todos estão ali sem bem saber o que fazer e apenas navegam num mar de incertezas gigantes e suas decisões, que em um determinado momento tem consequências, e no final não os fazem serem a pior pessoa do mundo, e sim, apenas, pessoas… no… mundo. E que Trier consegue mostrar isso de uma maneira incrível sedutora de se assistir e se emocionar.

Avaliação: 4 de 5.

A Pior Pessoa do Mundo chega nos cinemas em 24 de março.

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