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A Mulher Na Janela | Crítica: Longa com Amy Adams é ruim, mas assistível

A Mulher Na Janela (The Woman In The Window, 2021) é um daqueles filmes que nos últimos anos ficamos na expectativa de se, e quando, seriam lançados…e principalmente se algum dia seriam.  E aqui justamente temos uma produção que seria lançada nos cinemas pela finada 20th Century Fox, hoje 20th Century Studios, que a Disney fez questão de esconder até não poder mais, tanto antes, quanto depois, da fusão entre as duas empresas.

E claro tivemos a pandemia, e um lançamento nos cinemas ficou insustentável até mesmo para grandes blockbusters, e o estúdio acabou por vender o longa estrelado por Amy Adams para a Netflix. E aqui, depois de tantos anos em Hollywood, fica claro que a Netflix parece que não vai perder esse estigma de ser um local onde os estúdios de verdade usam para desovar seus filmes que foram feitos, mas ninguém realmente se importa com eles.

A Mulher Na Janela – Crítica
Foto: Melinda Sue Gordon/20th Century Studios/Netflix

A Mulher Na Janela, em resumo, é um suspense barato que tem atores conhecidos em Hollywood para tentar dar uma enganada em todos os seus defeitos. O longa também tenta nos apresentar para uma história tão confusa e que brinca com o psicológico da nossa protagonista de uma forma tão embaralhada que é difícil se concentrar na trama e nas pistas que o roteiro de Tracy Letts (baseado no livro de A.J. Finn) quer contar.

Como diria a campanha de marketing do filme quando a produção tinha um lançamento nos cinemas: “Ver é acreditar” e acho que o espectador precisa mesmo assistir o filme por conta própria para entender tudo que acontece no longa com a Dra. Anna Fox (Adams que segura bem as pontas), e tudo mais. No longa, a Dra. Fox é uma psicologa infantil que vive isolada em um casarão e passa um tempo sozinha sem a presença do marido (Anthony Mackie) e da filha (Mariah Bozeman) que ela apenas se comunica pelo celular.

E A Mulher Na Janela faz um filme com uma atmosfera tensa e carregada que brinca com nossas percepções o tempo todo, onde tudo é feito de uma forma que tenta desviar nosso foco do que realmente está acontecendo e que no final pode ser muitas coisas: seria a presença de Jane Russell (Julianne Moore) na casa de Anna um fruto da imaginação da personagem por conta dos remédios misturado com a bebida e sua condição de ansiedade extrema e sua agorafobia (o medo de sair de sua casa)? Aliás, Moore e Adams, acho que fazem da cena da cozinha, a melhor cena do longa, uma cheia de nuances e que realmente estão no seu melhor aqui. Ou os acontecimentos que Anna vê na sua janela, com a ajuda de sua câmera, e que se desenrolam na casa dos vizinhos, os Russells, foram reais e realmente tudo aquilo aconteceu naquela noite? 

Sinto que o longa tenta de uma forma bem precária deixar essa ambiguidade no ar, mesmo que o diretor Joe Wright consiga criar uma convidativa ambientação para isso, e que boa parte dos outros personagens, como o vizinho controlador e cabeça quente Alistair Russell (Gary Oldman), o filho do casal Ethan (Fred Hechinger) que aparece na casa de Anna para dividir seus problemas com o pai, e até mesmo o seu locatário David (Wyatt Russell), que tem seus próprios segredos, e outra versão de Jane (agora Jennifer Jason Leigh numa peruca estranha) que aparece do nada e confunde a nossa protagonista (e claro, o espectador), não conseguem muito bem trabalhar esse sentimento de dualidade que o filme precisa que eles passam.

E assim, tudo acaba por cair no colo de Adams que mais uma vez se transforma e realmente entrega uma atuação intensa e cheia de personalidade envolvida. A habilidade do diretor Joe Wright de tirar isso da atriz é muito interessante, e Adams realmente leva o filme nas costas, e se debruça nesta janela quase que sozinha e realmente toma conta da produção.

A Mulher Na Janela
A Mulher Na Janela – Crítica
Foto: Melinda Sue Gordon/20th Century Studios/Netflix

A Mulher Na Janela então se desenvolve como um filme que precisa pegar na mão do espectador para contar essa história principalmente quando a polícia acaba por ser envolvida no caso, afinal, o que aconteceu com baby Jane?, mesmo que os detetives aqui (Brian Tyree Henry e Jeanine Serralles) são os piores investigadores já representados nos últimos tempos. E essa “ajuda” talvez seja realmente precisa, afinal o texto de Letts flerta com diversas possibilidades sobre o que é real e o que é uma mera alucinação ou fruto da consciência pesada e atribulada de Anna que vive isolada e fechada num casarão em Nova York. Pelo menos na pandemia, Anna levaria o isolamento numa boa.

Ao mesmo tempo que A Mulher Na Janela tem seus momentos que a chavinha muda, os mistérios não são mais tão interessantes assim quando revelados, e vemos que a história avança, fica claro que o longa se garante mais quando vemos Adams trabalhar essa dualidade que a personagem e a história exige. Toda a resolução e o que de verdade aconteceu é apresentado de uma forma tão precária que parece que o filme cortou diversas arestas para entregar um final mais palatável para o público. A parte final ganha ares de um filme de terror , daqueles bem chinfrim, que acaba por ser tão surreal e amalucada que confesso que ri (de nervoso) durante uma cena específica que passa na chuva e envolve um instrumento de jardinagem.

Ao misturar alguns elementos de suspense com um tom um pouco mais claustrofóbico para criar momentos de tensão, A Mulher na Janela parece realmente que sofre para contar essa história e realmente falha ao não conseguir trabalhar com esses personagens e suas motivações, afinal, eles mudam de personalidades, humores e tudo mais de uma forma completamente estranha onde o filme soa quase como uma peça de teatro em diversos momentos.

No final, A Mulher na Janela mesmo que entregue um filme fraco, faz um daqueles que é preciso ver para tirar suas próprias conclusões, onde, talvez a boa atuação de Adams até faça a produção valer a pena. Ou quase isso. Digamos que de uma forma moderada….Mas e esse eu visse outra coisa na Netflix? Ou qualquer outra coisa, em qualquer outra plataforma de streaming?

Avaliação: 2 de 5.

A Mulher na Janela disponível na Netflix.