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A Maldição da Mansão Bly | Crítica: Uma história perfeitamente esplêndida, mas que não assusta ou bota medo

De volta para a maldição de uma nova residência. Agora uma Mansão. E já avisamos, essa não é uma história de fantasmas qualquer. A Maldição da Mansão Bly, antes de mais nada, é uma história de amor, mesmo que o amor e casais apaixonados, nunca tenham dado muito certo na Mansão Bly ao longo dos anos… como vimos, e vocês verão também, em breve, nessa nova temporada que chega na Netflix no próximo dia 9.

A Maldição da Mansão Bly | Crítica
Foto: Netflix

Com uma nova temporada, e de forma antológica, o diretor Mike Flanagan, vem com uma nova história, novos personagens, e claro, uma nova casa amaldiçoada. E boa parte dos atores são os mesmos, para te fazer sentir em casa, mas aqui, A Maldição da Mansão Bly pode ser uma adaptação perfeitamente esplêndida do conto A Volta Do Parafuso, de Henry James, mas não bota medo.

Não se assuste, A Maldição da Mansão Bly é excelente, faz um ótimo retorno para uma nova residência, e entrega uma história interessante e cheia de simbolismos que são apresentados aos longos de seus episódios, mas avisamos aqui, o espectador que for dar play tem que ir com a cabeça aberta, e com a ideia que a primeira temporada (A Maldição da Residência Hill) é uma coisa, e esse segundo ano, é uma outra coisa. 

A Maldição da Mansão Bly faz uma produção que não chega a ser realmente de terror, e entrega uma história mais realista e menos fantasiosa, mesmo que tenha mais fantasmas correndo solto por ai, do que o primeiro ano, onde a verdadeira assombração é ficarmos presos no poder de nossas escolhas, que aqui são exemplificadas por esses personagens que se reúnem na Mansão Bly e contam suas histórias em monólogos tristes e intensos. 

Se você leitor conhece a história do conto A Volta do Parafuso, de Henry James, é só sentar e acompanhar a trama se desenvolver e ver as mudanças que a série entrega.  A cada episódio descobrimos como os atores se encaixam nessa história, e quais personagens eles interpretam do conto original, seja a babá, o capataz ou as crianças. Se você não conhece, assista a série com muita atenção, pois, talvez, não fique claro algumas coisas, situações ou personagens. Em A Maldição da Mansão Bly isso deveria ser alguma coisa mais fácil, mas aqui percebemos que a série não tenta ser uma adaptação fiel ao livro, e sim, ser livremente baseada nele.

Mike Flanagan amplia a história de A Volta do Parafuso de uma forma muito interessante, e talvez, tire do conto sua parte mais importante, as figuras atormentadas por suas próprias ações e acabe por focar mais nos personagens do que nos elementos sobrenaturais.  Assim, Flanning, e seu time de roteiristas, deixam o seriado completar as lacunas deixadas pelo pelo conto, onde diferente de A Maldição da Residência Hill, A Maldição da Mansão Bly perde um pouco seu ar mais claustrofóbico, e se torna um estudo dos personagens que são muito bem trabalhados e desenvolvidos. Isso conecta A Maldição da Mansão Bly com a primeira temporada, mas afasta a série da obra original, mas vocês só vão perceber que isso, apenas, deixa o seriado ser melhor. Ao mesmo tempo que vemos mais coisas que aconteceram no passado, e mais detalhes certas situações que na obra são só citadas, A Maldição da Mansão Bly entrega uma história mais robusta e aproveita ter sido transportada como uma série, e não como um filme, para ter tempo para contar e esmiuçar sua trama.

A Maldição da Mansão Bly demora para engrenar pelo fato que apresenta sua história e seus personagens aos poucos e vai brincando com a nossa percepção de realidade. Ao mesmo tempo, o seriado amarra as pontas em aberto, dá respostas para questionamentos levantados em cada episódio, e também levanta novas e diversas outras perguntas. E podem ter certeza, tudo que aparece na série, está ali não pelo acaso e sim como forma de ajudar a contar a história. O mais interessante é que A Maldição da Mansão Bly apresenta novos personagens, e logo em seguida, vem com respostas para quem são, e quais são seus envolvimento na trama de maneira geral. E isso para o formato de maratona é muito importante.

A Maldição da Mansão Bly | Crítica
Foto: Netflix

 Já logo no primeiro episódio, 2×01 – The Great Good Place conhecemos a jovem Dani (Victoria Pedretti um espetáculo de atuação) e sua jornada para trabalhar para o advogado Henry (Henry Thomas), ir morar numa mansão no interior da Inglaterra e cuidar de seus sobrinhos, as crianças órfãs Miles (Benjamin Evan Ainsworth) e Flora (Amelie Bea Smith). Os dois primeiros episódios são um combo interessantíssimo, dão o tom mais gótico que a série se apresenta, e são os que mais bebem da fonte do conto de Henry James. É chegada da babá com um passado misterioso, a introdução das crianças e seus comportamentos peculiares, e um dos pouco dos fantasmas, tantos os que rodam a casa, quanto aqueles dos passado dos personagens.

Afinal, em A Maldição da Mansão Bly, fantasmas podem ser diversas coisas.  E para isso somos apresentados para a figura da antiga babá das crianças, a perfeitamente esplêndida srta. Rebecca Jessel (Tahirah Sharif), e os motivos que a fizeram não mais trabalhar para o Sr. Henry, a figura de Peter Quint (Oliver Jackson-Cohen, novamente incrível e num excelente ano), um dos funcionários do advogado, e ainda dos outros funcionários do local como a governanta Hannah (T’Nia Miller, maravilhosa), o cozinheiro Owen (Rahul Kohli) e a jardineira Jamie (Amelia Eve). 

 A Maldição da Mansão Bly se desenrola ao poucos enquanto vemos essa babá quase nada perfeita lidar com as endiabradas crianças, e seus comportamentos apavorantes, e claro, com a estranha casa que eles vivem. E como falamos, toda a atmosfera sufocante vista em A Maldição da Residência Hill é meio que perdida aqui, onde A Maldição da Mansão Bly foca muito mais em outras analogias e representações visuais para contar sua inquietante história.

Claro, a série tem momentos que nos deixam aflitos na cadeira, mas sinto que o tom foi diminuído também nesse segundo ano. Sinto também que falta em A Maldição da Mansão Bly um grande episódio evento como foi o episódio 6, aquele que utiliza o plano sequência. A Maldição da Mansão Bly entrega bons episódios, mas nada tão marcante como no primeiro ano, aqui por exemplo, temos o episódio 5 – The Altar Of The Dead que trabalha inteiramente com as memórias de um certo personagem, onde a narrativa mistura momentos do passado com o presente para contar a história complexa que envolve a presença de todos eles no local, e das pessoas que passaram por lá, onde descobrimos que alguns estão mortos e outros apenas vagam pelo local. É interessante ver como os produtores deixam pistas e mais pistas sobre as coisas que vão acontecer na trama, seja o foco da câmera em uma rachadura na parede, detalhes no chão da igreja, pegadas de lama, ou ainda a posição dos bonecos dentro da casa de boneca da jovem Flora. A Maldição da Mansão Bly trabalha com esses pequenos easter-eggs onde eles são jogados ao longo dos episódio para construir essa incrível, envolvente e complexa história. Cada personagem tem seu momento de destaque, desde dos vivos quanto dos mortos, e cada um contribui para contar sua história e nos ajudar a completar o quebra cabeça de o que diabos acontece no local.

A Maldição da Mansão Bly | Crítica
Foto: Netflix

Os grandes destaques ficam com os episódios 4 – The Way It Came e o já citado episódio 5, que entregam quase como um grande e único episódio, afinal, é impossível não querer dar play no próximo logo de cara, afinal, eles, finalmente nos dão um pouco de respostas. Completam a lista, ainda o episódio 7 – The Two Face – Part 2, onde realmente as coisas tomam uma proporção incrível e vemos que o futuro dos personagens e da própria Mansão Bly está em jogo, e onde a série encaminha para seus momentos finais, e claro, o episódio 8 (que não podemos falar absolutamente nada se não a Netflix manda três advogados aqui em casa).

A Maldição da Mansão Bly faz novamente uma produção visual super caprichada, e um dos trabalhos mais incríveis e bem feitos que já passaram na história da Netflix. A Maldição da Mansão Bly acerta ao entregar recursos narrativos muito interessantes e que dão um certo charme para como os produtores contam essas histórias.

Outro ponto positivo fica com o retorno do elenco visto na temporada anterior, com destaques para os talentosos Victoria Pedretti, Kate Siegel, e Oliver Jackson-Cohen. Todos eles estão muito bem em novos papéis, onde a adição de novos atores deixam a série com ar mais sofisticado e que se mostra muito mais preocupada com os detalhes e como contar uma boa história sem apelar para certas muletas narrativas ou situações clichês do gênero.

No final, A Maldição da Mansão Bly faz adição excelente para o catálogo da Netflix que promete um Outubro perfeitamente esplêndido com produções focadas no Dia das Bruxas.

A Maldição da Mansão Bly chega em 09 de outubro. E a Netflix enviou para o ArrobaNerd os episódios de forma antecipada para fazermos nossa cobertura.  

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