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A Galeria Dos Corações Partidos | Crítica: Sem dúvidas, a melhor comédia romântica de 2020

O único coração partido que você, caro leitor, encontrará em A Galeria Dos Corações Partidos (The Broken Hearts Gallery, 2020) será o seu, quando esse filme terminar, pois de resto essa comédia romântica vai fazer ele transbordar com diversos tipos de sentimentos. A Galeria Dos Corações Partidos não só faz uma comédia romântica moderna e descolada, mas graças ao seu roteiro afiado, e suas ótimas atuações, entrega o melhor filme do gênero do ano.

No caótico ano de 2020, A Galeria Dos Corações Partidos faz um escapismo incrível e divertido sobre uma garota que coleciona objetos de antigos relacionamentos – “Eu vivo em uma caverna de souvenirs. Tipo a Pequena Sereia!”, ela afirma logo no começo do filme – e acaba por criar uma galeria de arte para todas as pessoas que já viveram separações e términos na cidade Nova York, e onde mais seria, não é mesmo?

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A Galeria Dos Corações Partidos | Crítica
Foto: Sony Pictures

Mas A Galeria Dos Corações Partidos faz muito mais que isso, entrega uma história genuinamente emocionante sobre relacionamentos, intimidade e sobre escolhermos pessoas para levamos para nossas vidas. Liderados pela extremamente talentosa Geraldine Viswanathan, dos filmes Não Vai Dar (2018), e Má Educação (2020), A Galeria Dos Corações Partidos é um grande acerto sim, pois entrega uma história gostosinha de se assistir e que realmente nos faz nos apaixonar por todos os personagens e suas tramas interligadas.

Seja elas as que acompanhamos nossos protagonistas, ou todas aquelas que foram gravadas em pequenos depoimentos ao longo do filme, quando todos esses personagens chegam na galeria que a jovem Lucy (Viswanathan) monta depois de ser despedida do lugar que trabalhava. No filme, aos 26 anos, Lucy só queria explodir no cenário artístico da cidade, mas vê que isso não será tão fácil agora que ela foi despedida da galeria que trabalhava. Assim, ela reúne não só os seus objetos de todos os seus antigos relacionamentos, mas também de toda Nova York.

E o roteiro de Natalie Krinsky, que também dirige o longa, consegue captar essa essência millennial da cidade, cheia de promessas, e que basta trabalhar para conseguir um lugar ao sol e entrega um filme com um visual super estiloso de se acompanhar. Assim, Krinsky cria personagens tão palpáveis e humanos que A Galeria Dos Corações Partidos faz parecer que estamos vendo nossos amigos de longa de data reunidos em tela.

Além de Lucy, o longa nos apresenta ainda para Nadine (Phillipa Soo, num ótimo ano depois de Hamilton) e Amanda (Molly Gordon), as duas colegas de quarto da protagonista, e que voam em cena, em pequenas doses, com seus próprios problemas, mas estão ali, na verdade, para dar suporte para a amiga em suas diversas fases e relacionamentos. A piada sobre a aposta das garotas sobre quando Lucy terminará seus relacionamentos, ou que Nadine só namora modelos russas, ou que o namorado de Amanda, o nerd Jeff (Nathan Dales) não abre a boca, são repetidas sempre e sempre ao longo do filme, mas dão um charme próprio para A Galeria Dos Corações Partidos que acaba por focar mais na relação entre Lucy e Adolfo, quer dizer Nick (um charmoso Dacre Montgomery de Stranger Things), um rapaz que cede um espaço em seu hotel em construção para a jovem começar seu projeto da Galeria dos Corações Partidos, e que claro, viraliza entre os jovens moderninhos e hipsters de Nova York. 

A Galeria Dos Corações Partidos | Crítica
Foto: Sony Pictures

E então que A Galeria Dos Corações Partidos alça novos voos e mesmo que entregue a batida história garota-conhece-garoto, e algumas coisas que sabemos que acontecerão muito antes delas efetivamente acontecerem em tela, Krisky usa de um grande coração para contar essa história. A Galeria Dos Corações Partidos é bem mais que um conto de fadas moderno, é uma história contada para os anos 2020 (numa época pré-pandemia, claro), sobre se encontrar, encontrar sua confiança, e amor próprio, para se saber viver sozinho, mas não de forma solitária.

A jornada de Lucy para se realizar como pessoa antes de depender de um outro ser humano para viver é a grande sacada de A Galeria Dos Corações Partidos que faz, antes de tudo, um longa de amadurecimento que por acaso acaba por ser também uma comédia romântica. E aqui temos não só a jornada Lucy, mas também do próprio Nick, onde Montgomery, assim como, Viswanathan, e principalmente ela, entregam um timing cômico afiadíssimo, e ótimas passagens com um humor corporal e facial bastante expressivos. Os dois fazem um dos meus casais preferidos de 2020. Ponto final.

E para todos os outros personagens idem, além das personagens de Soo e Gordon que começam de uma forma e terminam de outra, temos ainda Marcos (Arturo Castro) como o parceiro de negócios de Nick na empreitada da construção do hotel e prestes a ser pai, o ex-namorado de Lucy, o pretensioso Max (Utkarsh Ambudkar), e ainda a toda poderosa Eva Woolf, a dona de uma galeria no melhor estilo Miranda Prestly, que aqui é interpretada por Bernadette Peters.

A Galeria Dos Corações Partidos faz um filme agradável e excepcionalmente faz uma das grandes surpresas de 2020. Krinsky coloca uma diversidade enorme e trás um que a mais para o gênero, onde o filme poderia cair muito num lugar comum se apostasse em escolhas tradicionais para contar essa história. Com uma curta passagem nos cinemas americanos e lançado no Brasil direto nas plataformas digitais, A Galeria Dos Corações Partidos tem tudo para se tornar um daqueles longas que deve crescer com o boca a boca, assim como foi a própria Galeria de Lucy que reuniu diversos corações partidos.

No final, meu desejo para A Galeria Dos Corações Partidos é que todos os fãs de comédias românticas por aí abracem, e curtam, o longa como ele merece. E Bem-vindos à Galeria dos Amantes de Comédias Românticas. 

Avaliação: 4 de 5.

A Galeria Dos Corações Partidos chega em 25 de novembro para aluguel e compra digital.

O filme foi visto em casa, cortesia da Sony Pictures que nos enviou de forma antecipada para assistir e escrever essa crítica.

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