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A Caminho Da Lua | Crítica: O encantador Alice No País Das Maravilhas chinês da Netflix

Não dá para negar que A Caminho Da Lua (Over The Moon, 2020) faz uma encantadora e adorável animação, mas ao mesmo tempo é muito segura de si, e realmente bebe de diversas fontes que já vimos por aí, seja Alice No País das Maravilhas, O Mágico de Oz, ou até mesmo o conto da Rainha da Neve que inspirou a animação Frozen. A história da jovem Fei Fei entrega uma bonita mensagem que fica escondida em diversas outras coisas que prejudicou um pouco para mim conseguir apreciar tudo que o filme quer passar. 

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Foto: © 2020 Netflix, Inc.

Os diversos personagens fofinhos, as músicas cativantes que envolvem o espectador, e toda atmosfera que o filme entrega parece que ele é banhado pela luz do luar, mas será que isso é o bastante? A Caminho Da Lua tenta e tenta, mas no fundo parece que falta alguma coisa sabe? Um pózinho lunar, uma poção do amor que nos faça apaixonar efetivamente pelo filme, pois o sentimento que fica que A Caminho Da Lua é só um filme -inho, fofinho, bonitinho, e gostosinho, onde poderia ser melhor, e maior, do tamanho da Lua cheia, e que no final, entrega aqui, uma Lua minguante.

Quando a jovem Fei Fei (voz no original de Cathy Ang) perde a mãe, é como seu mundo tivesse acabado e perdido as cores, para quem já perdeu algum parente é essa a mesma sensação, e quando seu pai (voz original de John Cho) a surpreende com a chegada da Sra. Zhong (voz original de Sandra Oh) em sua vida, tudo muda mais uma vez. E ela não chega sozinha, a jovem também traz seu filho, o espevitado Chin (Robert G. Chiu). Fei Fei precisa lidar com muitas mudanças de uma vez, e talvez não seja pronta.

Com uma forte mitologia e respeitando a cultura asiática, A Caminho da Lua faz um filme incrivelmente sedutor visualmente, mesmo que o tipo de animação que o longa oferece não é meu favorito, e para mim faltou um cuidado maior em transportar o desenho para a tela. A animação dos personagens ficou um pouco falho, mas depois de uns 20, 30 minutos é aceitar, vida que seguem bola para frente rumo à lua!

E essa é a grande mensagem do filme. Acho que a parte onde Fei Fei sonha e ir até o outro planeta é muito mais interessante do que quando ela efetivamente chega lá e dá de cara com a Deusa da Lua, Chang (voz original de Phillipa Soo, em um ótimo ano) uma Lady Gaga oriental com uma auto estima do tamanho da… bem, da Lua.. que está presa no outro planeta durante milhares de anos apenas a espera de seu amor verdadeiro retornar. E então a animação negava sua história para realmente mostrar para o que veio e que algumas lembranças por mais dolorosas que sejam precisam se tornar isso, apenas lembranças, e que podemos honrar os entes queridos de diversas formas.

Foto: © 2020 Netflix, Inc.

Para as crianças, claramente o público alvo, isso é uma mensagem importante que o filme passa, mesmo cercada de animais fofinhos com orelhas mágicas como a coelha de estimação de Fei Fei, os bolinhos de Lua mágicos, e ainda um ser com cores neon falante e tagarela. 

No final, A Caminho da Lua entrega uma divertida, emocionante história e que tenta a todo custo sair do lugar comum, mas fica eclipsada por sua própria narrativa e a forma como quer contar isso. Com números músicas interessantes, A Caminho da Lua faz uma atração musical feita para divertir os pequenos em casa, mas como animação propriamente dita para adultos, talvez deixe um pouco a desejar, afinal, a expectativa era grande igual Lua cheia.

Avaliação: 3 de 5.

A Caminho da Lua disponível na Netflix.  

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