Z – A Cidade Perdida | Crítica

Filmes históricos tem a grande desvantagem de que quando são reproduzidos para as telonas eles podem acabar não tendo a mesma empolgação, ou aquele fator uau, daqueles filmes de ficção, afinal os eventos da vida real podem não ser tão empolgantes quanto aqueles escritos numa sala cheia de roteiristas. Cabe então a equipe e claro de toda a produção de conseguir deixar o filme com uma cara mais dinâmica e agradável para o público. Em Z – A Cidade Perdida (The Lost City of Z, 2017) o resultado acaba ficando meio dividido nessa questão, mas o filme se compensa com ótimas atuações de seus personagens principais e das imagens externas que conseguem dar um excelente visual para o longa.

O filme é baseado no livro de sucesso do autor David Grann e conta as aventuras reais do explorador inglês Percy Fawcett, que no filme é interpretado pelo ator Charlie Hunnam (Rei Arthur: A Lenda da Espada). Assim, o diretor James Gray pauta a história no início do século XX, com os temas de motivação, ambição e obsessão ao mostrar várias sequências da vida de Fawcett ao longo das suas jornadas para a America Latina em serviço do Exército Britânico.

Hunnam consegue mostrar bem as facetas do explorador, a medida que acompanhamos a trajetória do homem que quer crescer dentro do Exercito mas que mesmo com muito talento e boas habilidades acaba sempre ficando para trás. O personagem não consegue entrar no círculo intimo formado pelo homens com mais dinheiro e poder social. Já o ator tem um papel mais sério, compenetrado e com uma atuação mais simples e corporal mas não menos complexa ele mostra uma boa expressão facial que acaba por ser o carro chefe para criar um clima de sobriedade para o filme.

Z - A Cidade Perdida
Foto: Imagem Filmes

A medida que o Exército britânico deseja continuar a impôr seu domínio mundial, uma missão exploradora para definir as fronteiras entre Bolivia e Brasil e continuar a garantir a importação de certos produtos é a deixa para Fawcett subir alguns degraus nas patentes, claro, se ele voltar para casa com sucesso. Motivação e ambição andando lado-a-lado e fazendo a trama, pelo menos nessa parte, acontecer bem rapidamente.

Junto com a equipe formada pelo explorador Henry Costin, um Robert Pattinson que tem uma atuação até boa considerando sua carreira até agora mas que nesse filme não mostra nenhum destaque (outro ator poderia ocupar esse papel tranquilamente), o escravo Willis (Johann Myers) e alguns outros membros com não tanto destaque, o filme avança e mostra os personagens andando pela floresta, navegando pelo rio e enfrentando os mais diversos tipos de perigo, desde de ataque dos locais até um bando de piranhas. A medida que eles descobrem mais informações e algumas poucas evidências sobre uma cidade perdida (chamada de Z) a motivação para retornar à Inglaterra fica cada vez maior.

Fawcett precisa exibir as suas descobertas para o resto da Sociedade Real de Geografia e assim mostrar tudo que descobriu para garantir seu sucesso. Ao voltar para sua esposa Nina (um papel pequeno mas com uma ótima atuação de Sienna Miller) temos novamente cenas na Inglaterra, com o personagem e a família que servem para fazer contra ponto das passagens na selva. O filme tenta criar diversas sub-camadas que depois não são lembradas em outros momentos como por exemplo o fato dos ingleses não aceitarem outra civilização mais antiga que a deles.

E talvez ai que Z – A Cidade Perdida se perca um pouco, em querer abraçar tudo. Talvez, pelas inúmeras passagens de tempo que obviamente são mostradas na tela junto com documentação das missões acabe por fazer o filme andar em círculo para mostrar e definir como a obsessão do explorador só cresce nas missões seguintes para comprovar a história da cidade perdida.

A inclusão do personagem do ator Angus Macfadyen, como James Murray, um membro importante da sociedade mas que acaba por prejudicar a segunda missão só serve para fazer o filme voltar para a selva e mostrar novamente por alguns momentos tudo que já tinha sido mostrado anteriormente: os conflitos por comida, a busca de pistas sobre a cidade perdida, os percalços da viagem até esse terra pouca explorada.

Foto: Imagem Filmes

A produção tenta criar novamente nova camada para trama ao incluir o drama pessoal do explorador com sua família mas não acaba se desenvolvendo de uma forma natural. Tanto com o conflito com a esposa que claramente é uma mulher inteligente e com idéias que não seriam levadas a sério na época, até o envolvimento com seu filho já adolescente Jack (uma boa surpresa de Tom Holland). O rapaz cobra o pai pelos tempos perdidos na ambição de encontrar evidências da cidade perdida e no final depois da Primeira Guerra Mundial a dupla retorna para uma terceira missão. O excesso de querer mostrar e incluir tudo e incluir talvez deixe o filme um pouco lento mas a produção é agradável de se ver de maneira geral.

Em Z – A Cidade Perdida temos um filme bastante denso e contemplativo que mostra como funciona o ser humanos, seus desejos, suas ambições e motivações. Com uma bela fotografia que consegue captar as emoções dos personagens dentro dos contextos apresentados, o filme mostra que mesmo com andanças na florestas para um lugar nunca encontrado, as boas atuações e o toque de dramatização de roteiro ajudam a produção a contar história interessante mesmo não muito igual a realidade.

Nota do Crítico:

Z – A Cidade Perdida chega aos cinemas no dia 1º de junho.