Vingança | Crítica

Vingança (Revenge, 2018) é um daqueles filmes empolgantes em que você acaba torcendo para o protagonista se dar bem. Mas aqui, devido a trama corrida, o filme acerta em conseguir deixar quem assiste ser dominado por um sentimento de tensão ao acompanhar as situações desesperadoras que a personagem principal precisa enfrentar e, claro, fazer de tudo para principalmente sobreviver.

Foto: Neon/ Fênix Filmes

Vingança, o filme, também acaba sendo um estiloso conto de reparação e como diria a série de TV, Revenge (2011-2015), em caso de vingança cave duas covas e é isso que Jen (a carismática Matilda Lutz) irá fazer, caçar todos aqueles que a prejudicaram. E assim, o filme entrega uma história pesada, sanguinária e intensa sobre sobrevivência.

A trama mesmo que simples é daquelas que vem numa crescente e entrega em seus minutos finais uma sequência desesperadora de um jogo de gato e rato cheio de sangue, onde tudo é possível e faz um dos longas mais violentos do ano. Em pleno ano das consequências dos movimentos #MeToo, Vingança explora um lado mais agressivo de como lidar com flertes indesejados.

No filme conhecemos Jen (Lutz), uma moça que vai passar um final de semana com seu namorado, Richard (Kevin Janssens) em uma mansão isolada no deserto. Quando uma dupla de colegas dele chega na casa e as coisas mudam de figura. O mais bacana de Vingança é que a produção abusa de efeitos sonoros nas cenas para ajudar a capturar aquela sensação de perigo que vemos a personagem estar passando.

O filme tem sua virada quando descobrimos que Richard além de ser casado está envolvido com uns negócios suspeitos e se revela ser um completo escroto e para pior, ele e os amigos tentam matar a garota, que tenta fugir e o trio parte para caçar a menina pelo deserto.

Assim, Vingança ganha um ritmo alucinante onde tudo é mostrado numa velocidade gigante, afinal, o senso de sobrevivência de Jen apita e é matar ou morrer. O filme, por sua vez é bem gráfico e tem algumas cenas bem pesadas mas para o contexto do longa elas até fazem parte do que a diretora Coralie Fargeat quis passar.

O longa também trabalha com metáforas interessantes para contar o poder de uma pessoa quando seu sensor de sobrevivência está ligado. E isso fica claro para quem assiste quando a câmera foca, por exemplo, nas formigas e na maçã e assim conseguimos ver um paralelo com a história de Jen que aparentemente era apenas uma garota inocente, se transformar em uma furiosa versão feminina de Rambo.

Foto: Neon/Fênix Filmes

Mesmo com algumas cenas sendo bastante surreais, como o fato da personagem andar pelo deserto de calcinha e sutiã ou do fato de sobreviver a primeira tentativa de assassinato, tudo acaba sendo deixado de lado pelo fato de torcemos para Jen acabar com a raça dos rapazes.

Vingança mantém a tensão e o suspense ao fazer um filme provocante e bastante pesado que conta uma história clássica de vingança de uma forma bastante estilosa. Jen entra na lista de mulheres bad-ass do cinema como Furiosa de Mad Max: Estrada da Fúria (2015), Mulher-Maravilha em Mulher-Maravilha (2017) e Rey dos novos filmes da franquia Star Wars. 

Nota do Crítico:

Vingança em cartaz nos cinemas.

Miguel Morales

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