Vidas à Deriva | Crítica

Uma das partes mais impressionantes de Vidas à Deriva (Adrift, 2018) é a produção ser baseada numa história real… a maioria das coisas realmente aconteceram com aquelas pessoas que sofreram com a situação de navegarem perdidas em alto mar, passaram por todas as privações e claro saíram para contar tudo isso em um livro que agora foi adaptado para filme.

Vidas à Deriva se destaca por bons efeitos especiais onde a escolha do diretor Baltasar Kormákur em fazer cenas gravadas no alto mar é fantástica. Em diversas cenas, ele abusa das passagens belíssimas para criar um visual estonteante onde consegue criar um sentimento de que os atores estão lá mesmo no barco e vivem aquilo tudo.

Mas, o filme em si, parece navegar em um oceano de água com açúcar onde seus protagonistas se esforçam bastante para transmitir alguma coisa que não seja nada menos que forçada.

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Foto: Diamond Filmes/STX Films

No filme, conhecemos Tami Oldham, interpretada por esforçada (às vezes apatica em outros trabalhos) Shailene Woodley, uma moça de espírito livre que vive de aventura em aventura e trabalha para pagar a passagem para seu próximo destino. Logo no começo já sacamos que Tami é descolada, bonita com sua sardinhas pelo rosto, é engraçada e espontânea.

Até que certo dia, ela conhece Richard Sharp (Sam Claflin) um navegador com uma personalidade mais reservada, um pouco mais emotivo mas também com um espírito aventureiro. Boom, faíscas são trocadas eles vivem uma bacana (e bem melosa) história de amor que Vidas à Deriva consegue contar de uma forma bem previsível onde o roteiro acaba por não ter muito o que inventar, é o clássico garoto conhece garota visto em outras centenas de filmes.

Assim, o roteiro da Aaron Kandell e Jordan Kandell até tenta dar um chacoalhão na história ao contar a trama fora de ordem com cenas do passado e cenas no presente que se misturam e ajudam a cada momento contar um pouco das situações vividas pela dupla, como por exemplo explicar o motivo que os dois navegam sozinhos, ou como Tami conseguiu conduzir o barco junto com Richard durante a tempestade gigante que a dupla enfrentou e os deixaram perdidos à deriva no mar durante dias.

E mesmo no marasmo em ser uma típica história de amor que até chega a ser cansativa em alguns momentos (ela é linda, ele charmoso, eles vivem num barco uma história bonita) o roteiro se garante e uma de suas viradas, daquelas que te pega de surpresa.

Shailene Woodley in Adrift (2018) vidas à deriva crítica
Foto: Diamond Filmes/ STX Films

Vá sem saber nada, não vamos contar aqui, mas Woodley pega uma maré de boa sorte, carrega sozinha Vidas à Deriva na proa de seu barco e nos leva para uma tempestade de sentimentos que realmente nos impressionou. A atriz parece se transformar de água rasa para mar aberto e entrega 20 minutos de uma surpreendente boa atuação que é impossível não se sentir emocionado ou se comover com a trama.

No final, Vidas à Deriva é aquele filme que você vai assistir por certas razões mas acaba por gostar por conta de outras. O sentimento pós filme quando você assimila todas as informações e conecta todos os pontos em um nó de marinheiro é uma das experiências mais tristes, bonitas e melancólicas do ano até então, num filme sobre amor, companheirismo e força.

Nota do Crítico:

 tem previsão de estreia para 9 de agosto no Brasil.

Miguel Morales

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