Venom | Crítica

Quando uma produção entra na espiral de não receber o apoio da crítica especializada que tem uma voz marcante para grande público, ainda mais dos amantes dos quadrinhos, é de se esperar reações diversas antes de seu lançamento. E principalmente nessa era digital e conectada onde todos nós sentimos a necessidade constante de expor nossas opiniões, é bem capaz que no final, o tal filme em si, não consiga agradar a maior parte do público que pretende ir ao cinema.

Venom (idem, 2018) é um dos maiores exemplos disso nesse ano.

Vendido como um anexo do Universo Cinematográfico da Marvel para a Sony Pictures, a produção estrelada por Tom Hardy sofreu duras críticas logo quando foi anunciada e que continuaram enquanto o filme passava pelo seu processo de pré-produção, finalização e também de divulgação. Mas, mesmo com todas as questões envolvidas, todo o burburinho, o filme não chega entregar uma produção tão ruim como ele aparenta ser e como os colegas gringos pintaram por ai.

Já deixamos claro que Venom não é aquele filme de super-herói tradicional visto por aí e mesmo com o selo Marvel não segue o padrão das produções comandadas pelo chefão do estúdio Kevin Feige. Por estar fora do chamado Universo Cinematográfico da Marvel Studios, talvez, Venom tenha sofrido mais críticas que os próprios filmes da concorrente, a DC Comics. Mas, agora, depois de assistir a produção, vemos um longa que em muitos momentos não se leva a sério e então se nem a produção faz isso, você caro leitor/espectador também não precisa não é mesmo?

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Foto: Sony Pictures

Pelo lado positivo, Venom entrega um filme minimamente interessante, com uma trama curiosa sobre invasão alienígena que acerta mais do que falha. O grande destaque da produção fica mesmo com seu protagonista, interpretado pelo ator Tom Hardy que encara um jornalista investigativo meio pirado como ninguém e faz um papel que cai como uma luva para o ator. Eddie Brock não é o clássico protagonista da Marvel, ele não é um mocinho no estilo Steve Rogers (o Capitão América) mas também não tem o mesmo apelo megalomaníaco de Tony Stark.

Hardy apenas faz um personagem que pensa mais em si próprio do que qualquer coisa, onde entrega uma atuação incrivelmente muito boa em que o ator parece se divertir com o papel. Venom sim tem seus problemas e que não são poucos. A produção entrega um roteiro que falha em vários momentos mas que é recompensado com o carisma de Hardy que realmente rouba a cena e faz das suas interações com o simbionte um dos poucos pontos que se salvam no filme.

O longa tem algumas piadas inseridas durante a trama para quebrar um pouco o clima tenso e sombrio que a produção tenta passar em alguns momentos, talvez na época que o filme tinha a idéia de ser para mais de 18 anos. A produção também consegue equilibrar cenas um pouco mais inclinadas para o suspense com um tom meio de terror que acabam presentes ao longa da história mesmo que o filme acabe por ser bem modesto com as cenas um mais pesadas.

Venom, a criatura que se aprisiona no corpo de Eddie Brock, tem um visual feito por computador super aterrorizante mesmo que demore para aparecer efetivamente em tela, onde o filme parece deixar o personagem escondido (talvez por falta de verba?) mas quando Venom aparece as interações entre o jornalista e a criatura deixam o filme com um tom bem sarcástico como se o espectador tivesse em uma comédia de parceiros policiais onde um é oficial bom e outro o ruim, só que no caso aqui, os dois são ruins.

Venom Crítica
Foto: Sony Pictures

Mesmo o filme tendo um Tom Hardy que se destaca em quase todas as cenas, os personagens coadjuvantes mostram também para que vieram mesmo que aparecem e desaparecem da trama conforme convém para o roteiro como é o caso da cientista Dra. Dora Skirth (Jenny Slate) e do médico Dr. Dan Lewis (Reid Socot). Já o antagonista do antagonista, Carlton Drake (Riz Ahmerd), o mega bilionário e CEO da Fundação Vida que estuda a forma preta e espacial que chega na Terra depois que um projeto acaba por dar errado, faz um vilão quase caricato com uma motivação bem previsível de tentar dominar o mundo mesmo que Ahmed, na medida do possível, consegue entregar uma boa atuação.

Já a talentosa Michelle Williams (mesmo escondida numa péssima peruca) como a advogada Annie, varia muito, onde há momentos que a atriz parece topar estar numa produção menos séria e embarca na jornada e outras parece entregar uma atuação muito dura e completamente robótica.

No final, Venom acaba que não é um filme totalmente ruim, mas sim uma produção que claramente não cumprirá a expectativa dos fãs por mais que se tente de diversas formas. Tom Hardy nos entrega uma atuação precisa e contagiante como um cara que é tomado por um parasita alienígena, perdão, por uma criatura do espaço.

Com salvos bons momentos, efeitos especiais que podiam ser melhores e com algumas cenas interessantes, principalmente nas partes de ação, Venom faz um começo de uma nova saga de filmes de anti-heróis para a Sony Pictures. Mesmo que seja uma produção mais introdutória, o longa acaba por ser mais uma versão de testes do que qualquer outra coisa.

Ps: O filme tem 2 cenas pós-créditos.

Nota do Crítico:

Venom chega nos cinemas em 4 de Outubro.

Miguel Morales

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