Valerian e a Cidade dos Mil Planetas | Crítica

A idéia de Luc Besson em adaptar os quadrinhos de Valerian, como ele mesmo disse em entrevistas para divulgação do filme, já é antiga. E claro, no meio de tantos filmes de super-heróis rolando por ai, a Marvel, por exemplo, está há 10 anos nessa jornada, por que não criar e tentar estabelecer uma nova franquia cinematográfica ? O único problema, ao nosso ver, é que o diretor de Lucy (2014) e o O Quinto Elemento (1997) resolveu focar muito nos efeitos especiais, nas caracterizações, ambientações e esqueceu um pouco que um filme desse porte e com essas ambições precisa mais que um visual bonito e empolgante para dar certo e sim de uma história que pelo menos dê liga entre suas cenas com seus visuais estonteantes.

Assim, Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (Valerian and the City of a Thousand Planets, 2017) chega mascarado de Blockbuster de meio de ano para contar uma história com uma trama até que simples mas com muitas explicações cientificas e técnicas que devem causar certa estranheza para o grande público. Na história, acompanhamos os agentes especiais Valerian (Dane DaHaan) e Laureline (Cara Delevingne) que ajudam a patrulhar a cidade Alpha, um planeta que juntou mais de mil povos para criar uma Confederação Espacial. Assim, a dupla recebe uma missão super secreta quando forças ocultas começaram a querer atacar o planeta.

Foto: Diamond Films

Como falamos a trama é simples, quase batida para o gênero e o roteiro é um pouco mal trabalhado, afinal, além de precisar ambientar o espectador logo de cara sobre como as coisas funcionam ele ainda começa de uma forma muito lenta (mesmo com uma trilha maravilhosa de David Bowie) meio que querendo te mostrar olha como as coisas são bonitas no nosso filme. O começo do longa também tenta criar um clima de mistério desnecessário para depois lá na frente te falar na cara dura, olha lembra aquilo do início? Então aqui está a resposta, mesmo depois de dar algumas voltas e voltas ao longo de suas mais de 2 horas de duração.

Claro, depois das apresentações iniciais e quando os personagens principais aparecem em ação, o filme cria umas das mais interessantes sequências já produzidas: a cena do mercado intergalático. Com ótimos efeitos, uma sensação de tensão misturado com adrenalina invade a tela e aqui o filme faz um dos seus melhores momentos. Mesmo toda essa parte sendo cientificamente bem explicada, com os como? e por quê? de os agentes conseguirem realizar aquilo tudo no espaço, o filme chega em um momento em que ele dá duas opções para quem o assiste: você para e pensa como toda a dinâmica funciona ou curte os cenários e a história apresentada. A partir, dai Valerian e a Cidade Dos Mil Planetas vai jogando seus mistérios poucos convincentes no ar e a dupla de agentes vai tentando resolver tudo e claro salvar a galáxia.

Dane DeHaan faz um Valerian como se fosse um primo distante e uma versão menos empolgante de Peter Quill de Guardiões da Galáxia. O que Chris Pratt, na franquia da Disney/Marvel, tem de timing cômico e habilidade de transportar isso para a tela de forma natural, DeHaan não tem. O ator fica muito duro, como se faltasse alguma faísca para dar início em alguma coisa mas felizmente ele consegue entregar alguns poucos momentos de conexão com o espectador e com seu personagem. Cara Delevingne, tem poucas cenas em que consegue ficar desenvolta e tranquila, faz aqui uma heróina bad-ass, independente e que consegue em duas ou três cenas gerar uma empolgação até mesmo em termos de desenvolvimento de personagem.

Clive Owen como o General Filitt mostra que seu personagem poderia ter sido feito por qualquer outro ator e não fez nenhum diferença e não acrescentanada demais. A cantora Rihanna, aparece pouco e mesmo com a sua personagem Bubble tendo um certo destaque e importância para trama, a atriz entrega uma atuação interessante, marcante e com cenas dramáticas, sendo uma grande surpresa para a produção.

Foto: Diamond Films

Valerian e A Cidade dos Mil Planetas, se destaca por seus efeitos maravilhosos e visual estonteante, toda a criação de Alpha e do Planeta dos The Pearl que é mostrado no inicio é fantástico e os detalhes dos habitantes são de fazer o queixo cair. Os animais que aparecem do filme mostram um trabalho com precisão bem feita e bastante impressionante. Com a criação de várias espécies para compor os habitantes dos “mil planetas”, Besson e seu time acertam e muito nesse novo mundo e a medida que o filme passa, cada cena é repleta de uma nova surpresa visual. A preocupação do trabalho de pré-produção é sentido em todas as cenas do filme e fazem aqui a melhor coisa que a produção nos oferece. Em termos de interação entre os personagens humanos e os criados por computação grática o filme também acaba fazendo um bom trabalho e muitas dessas cenas conseguem também a passar um sentimento positivo sem soar falso demais.

Valerian e Laureline, juntos não passam tanta emoção como Star Lord e Gamora e estão anos luz da química entre Leia e Han Solo e funcionam melhor separados do que juntos mesmo com uma traminha batida de casal que vai ou não vai. O filme tem alguns alívios cômicos e umas tiradas interessantes mas que ficam muito espaçadas não seguindo a fórmula pronta de piadas, o que é bom e ruim ao mesmo tempo. O filme marca na memória a excelente escolha de cores, o visual magnifico e os ótimos e bem trabalhados efeitos especiais.

Talvez a falta de dois protagonistas de maior nome em Hollywood seja um dos motivos pela grande falta de apelo com o público, afinal a bilheteira do filme nos EUA foi pequena mas sim Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é um filme interessante e que com certeza deve ser visto e apreciado no cinemas. Para os fãs de aventuras galácticas, naves especiais e seres de outro mundo, o longa é uma grande chance de ver uma produção bem caprichada mesmo que o roteiro não seja lá mil maravilhas ou uma coisa de outro planeta.

Nota do Crítico:

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas  chega aos cinemas brasileiros no dia 10 de agosto