Una | Crítica

Em Una (Una, 2016) vamos conhecer a história de um o casal principal que acaba se encontrando depois de 15 anos. Una é a personagem de Rooney Mara que dá o título do filme e chega para movimentar a vida de Ray (Ben Mendelsohn) novamente. O único problema é que eles já tiveram um relacionamento prévio, quando ela tinha apenas 12 anos.

O filme não é um filme fácil. Ele é incomodo, pesado, com uma atmosfera carregada e que se apoia em um tema polêmico. O fato de tentarmos enquadrar e rotular o filme entre predador e presa é uma atitude compreensível para embarcarmos na proposta do longa. Aliado com atuações bem interessantes e cheia de química do casal principal o filme nos mostra as consequências do poder de sedução de ambos os lados. Talvez esse o principal triunfo da produção. Mostrar que os dois lados foram afetados com a história toda.

Foto: MareFilmes

A história se passa com Una já adulta procurando por Ray, que agora é Peter e refez sua vida depois de um período na cadeia. Assim, a personagem o procura na fábrica onde trabalha e que acaba por cruzar com o colega de trabalho de Ray, Scott interpretado pelo ator Riz Ahmed que acaba por orbitar a trama principal e só servir para fazer a conexão entre una adulta e a nova vida de Ray/Peter.

A primeira cena dos dois na cafeteria é explosiva e exige bastante de seus atores. A atuação de Mara está dentro do que a atriz normalmente entrega em seus papeis, a mulher destemida e prestes a explodir e sem nada a perder. Ela domina a tela com seus olhos chamativos e arregalados como se estivesse oca por dentro. A personagem varia entre gritos e uma mistura de tristeza e melancolia. Já Ben Mendelsohn consegue em sua atuação muito bem variar na ambiguidade do personagem. O filme se passa e você não sabe se tenta compreender as motivação ou ficar com repulsa das atitudes dele. O personagem a principio usa sua fachada de bom cidadão para a cada cena ir revelando uma nova faceta.

Misturado com os flashback de época que eram vizinhos vamos descobrindo como a relação abusiva foi construída e assim também vamos conhecendo as consequências que isso gerou. Una com 13 anos, aliado pela boa atuação da atriz mirim Ruby Stokes, realmente nos faz acreditar que o homem da casa próximo se apaixonou por ela. Talvez as melhores cenas dirigidas por Benedict Andrews estão nos momentos de flashbacks.

Foto: MareFilmes

Una falha em não criar uma situação maior para os dois e que atinge seu ápice depois do encontro dos dois onde as cartas foram colocadas na mesa e as aflições foram expostas. Em seus momentos finais somos ainda jogados nas consequências das consequências em que ficamos apreensivos com uma virada dramática que nunca vem. Em Una descobrimos que sim um filme pode incomodar e mesmo assim tirar alguma coisa positiva de uma trama com um tema tão ruim, a nossa capacidade própria de análise.

Una estréia em 13 de abril nos cinemas.

Nota do Crítico: