Uma Razão Para Recomeçar | Crítica

Preparados para mais um drama estilo Nicolas Sparks que ele força tanto a barra para te fazer ficar emocionado ? Se sim, pode já garantir seu ingresso para Uma Razão Para Recomeçar (New Life, 2016) pois essa é a função principal do filme: Ser uma produção água (com dois sacos gigantes) de açúcar, com umas cenas clichê e um roteiro que tenta sair do lugar comum, como um cachorro que dá a volta no próprio corpo atrás do rabo mas que falha ao acabar caindo no mesmo vícios de filmes do gênero. Se você curte produções como Querido John (2010) , Um Porto Seguro (2013) e Lembranças (2010) esse filme é para você.

Na trama conhecemos Benjamin Morton (o esforçado Jonathan Patrick Moore) que quando criança se apaixonou pela vizinha Ava (Erin Bethea). O filme acompanha momentos dos dois desde da infância até a adolescência onde eles começam a desenvolver um relacionamento amoroso que vai até a faculdade. Uns percalços acontecem ao longo do caminho aqui e ali como em toda comédia romântica eles se casam e resolver ter um bebê até que Ava descobre estar doente e acaba tendo um aborto. Num falei ? Como todo drama que você já viu por ai.

Foto: Cineart

A produção passa uma sensação de comercial de margarina gigante e é tão branco, com suas cenas todas claras que abusa das cores pasteis em vários momentos e faz os diálogos serem meio artificiais e duros parecendo que as cenas foram decoradas naquele dia. Uma Razão Para Recomeçar completa todos os boxes de filmes tristes para se assistir comendo um potão de sorvete (e até essa descrição clichê serve para mostrar o quão previsível o roteiro é). Ele tem os melhores amigos, o famoso pegador e a amiga francesa para dar aquele toque mais parrudo para o filme, o vizinho sábio, o pai que é carinhoso mas durão, o médico simpático (um Terry O’Quinn desperdiçado).

Em termos de atuação, a atriz Erin Beathea faz uma mistura de Mandy Moore (This is Us) e Bellamy Young (Scandal) e tenta passar tanta empolgação que você acha que ela viu um unicórnio a todo momento e mesmo nas cenas mais tristes ela acaba não entregando 100%. Jonathan Patrick Moore até tenta mas tem uns momentos forçados e nem mesmo com sua narração faz você se conectar com o personagem. É tudo muito artificial, desde dos relacionamentos, quando das atitudes do personagem que não conseguimos não achar um defeito.

Claro que o filme tem uma direção até bacana e o diretor Drew Waters abusa de umas tomadas interessantes e posiciona bem a câmera em algumas cenas mas tudo é muito igual a tudo, as discussões na chuva, as briguinhas de casal, o conflitos e as cenas mais dramáticas. O filme tem um problema de montagem e fotografia muito grande, ele te taca uns filtros descaradamente para te avisar “Esses são os momentos felizes” e “Esses são os momentos tristes” e não deixa nada natural e simples. Parece que todas as técnicas foram utilizadas e testadas no longa. O roteiro escrito por quatro pessoas inclusive o diretor e a atriz tem um acerto que é não ser linear e isso ajuda um pouco a história a fluir, a trajetória do casal é contada e a mensagem que ele acaba passando é até bonita.

Uma Razão Para Recomeçar abusa de cenas feitas propositalmente para emocionar e deixa isso muito claro para quem assiste. É o velho dramão de sempre. Melado e com atores bonitos fazendo um casal amoroso que sofrem com a diversidade da vida. Para os corações peludos nada pior.

Nota do Crítico:

Uma Razão para Recomeçar chega aos cinemas em 19 de Outubro.

Miguel Morales

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