Uma Quase Dupla | Crítica

Uma Quase Dupla (2018) é uma das apostas nacionais do ano e não é por menos… o filme ao juntar uma dupla improvável nos cinemas, acaba entregando uma metralhadora de piadas sem noção e de tirar o fôlego!

Foto: Paris Filmes

O elenco é liderado pela sensacional e carismática Tatá Werneck que acerta ao entregar um timing cômico gigante em tela, onde acaba por roubar todas as cenas nessa comédia policial. A naturalidade pela qual as falas são ditas e toda a frenética dos movimentos da atriz nos entregam de bandeja um de seus melhores trabalhos em anos. Já Cauã Reymond, bem mais conhecido por seus papéis em novelas, faz aqui um personagem interessante e entrega uma atuação bastante desenvolta como o policial Claudio, onde realmente o ator consegue segurar as pontas ao lado da colega comediante e faz um fantástico trabalho de caracterização desde dos cabelos castanhos até mesmo as roupas justas.

A direção de Marcus Baldini é bem ágil e dinâmica e consegue acompanhar a dupla em seus momentos mais loucos e também em seus (poucos) momentos tranquilos. Uma Quase Dupla é uma comédia policial que não tira o pé do acelerador em nenhum momento, onde quem assiste parece estar numa perseguição de carro, é como se o filme ficasse cada vez mais alucinante, as piadas ficassem cada vez mais rápidas e as cenas cada vez mais surreais.

Em Uma Quase Dupla é como se estivemos vendo a série Brooklyn Nine-Nine (NBC) em versão nacional onde Reymond é a versão brasileira do detetive Jack Peralta e Werneck de Rosa Diaz. Com uma grande influência também das comédias dos anos 70 e 80, o filme tem na dinâmica da dupla seu ápice, é o famoso caso de bom policial, mau policial onde descobrir Quem é o assassino? e Quem matou? fica em segundo, terceiro ou quatro plano. Uma Quase Dupla acaba sendo um filme de troca entre atores e a química de Werneck e Reymond é combustão pura!

Foto: Paris Filmes

O roteiro de Ana Reber, Leandro Muniz e Tatá Werneck não é nada de outro mundo, chega a ser não muito original e até mesmo abusa em ser caricato diversas vezes e em diversos momentos mas tudo isso fica muito bem mascarado pela atmosfera do filme, principalmente quando vemos Wernerck transtornada em cena, com o destaque para as passagens onde sua personagem lambe o chão da cena do crime até mesmo quando pega nas partes intimas do colega em um bar.

As piadas, os tiques, o cacos e improvisos em Uma Quase Dupla funcionam e isso é o maior triunfo que o filme tem. Aqui, a investigação é deixada de lado e a picuinhas e pequenas provocações entre os policiais ClaudioKeyla são a eterna pausa para o café com rosquinhas, você sabe que a história precisa avançar mas ver a dupla em tela juntos acaba sendo bem mais legal do que quase qualquer outra coisa no filme.

O elenco de coadjuvantes formado pelos atores Alejandro Claveaux (ótimo como legista da cidade), Daniel Furlan e Augusto Madeira como os (suspeitos) moradores da pacata Joelândia também tem seus rápidos momentos juntamente com o delegado Moacyr (Ary França) acertam na composição do filme mesmo que no final, a dupla principal é responsável pelas risadas intermináveis.

Uma Quase Dupla poderia ser um quase desastre mas ao unir uma dupla de bons atores que sabem se conduzir com naturalidade em cena e que esbanjam química juntos fazem dessa comédia um filme bastante divertido.

Nota do Crítico:

Uma Quase Dupla chega nos cinemas em 19 de Julho!

Miguel Morales

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