Um Tio Quase Perfeito | Crítica

Em meio a filmes com youtubers, personalidades da mídia com biografias das vidas que nem chegaram aos 20 anos ainda e as mesmas comédias brasileiras de sempre, a produção Um Tio Quase Perfeito (2017) chega para trazer uma nova opção para o público. O mercado brasileiro parece ter acordado para produções diferentes, a medida que 2017 avança já tivemos filmes dramáticos um pouco diferente dos tradicionais como O Rastro e Além da Escuridão, mas no campo da comédia os filmes ficarem ainda mais focados em tentativas um pouco mais tradicionais e sem muitas mudança. Assim, o longa é uma novidade que conta com uma trama leve, interessante e engraçada sobre um cara que vive de pequenos golpes que acaba se aproximando dos filhos da irmã.

O humorista Marcus Majella faz sua estreia como protagonista nos cinemas como Tony, ou melhor o Tio Tony, um personagem cativante, esperto e claro cheio de preguiça. O típico 171 e malandrão ele e a mãe, Cecilia (Ana Lucia Torre) vivem aplicando pequenos golpes e armações por ai e acabam por ser despejados da casa onde moram. Eles vão parar na casa de Ângela (Leticia Isnard), irmã de Tony que mora com os três filhos, Patricia (Jullia Svacinna), João (João Barreto) e a caçula Valentina (Sofia Barros). A medida que a mãe precisa viajar para um compromisso de trabalho a dupla vai ter que cuidar das crianças e ter responsabilidade pelo menos uma vez na vida.

Foto: H2o Filmes/Sony Pictures

O filme tem ares de Meu Malvado Favorito (2010) junto com Uma Babá Quase Perfeita (1993) e Majella é como um imã que faz os espectadores ficarem grudados na tela do cinema. O ator consegue mostrar um carisma e talento para comédia muito grande e finalmente tem a chance de brilhar como protagonista. Diferente dos personagens feitos nos humorísticos da TV, Vai Que Cola e Ferdinando Show a atuação dele fica mais pé no chão onde mesmo nas passagens com frases prontas e bordões, já sua característica, vemos que o ator também entrega uma ótima atuação nas partes um pouco mais dramáticas e mostra versatilidade ao fazer o público rir mas com as cenas e atitudes que envolvem o personagem e não rir do personagem em si.

O filme também se preocupa em não ser e não ter um humor pastelão e as histórias são contadas de forma leve, mas com muitas referências e piadas que servem tanto para crianças, quanto para os fãs do humor mais ácido de Majella e até mesmo para os pais. Um Tio Quase Perfeito é um filme de família para família.

A direção de Pedro Antonio, também deixa o filme ficar fluido com um narrativa bem tradicional que se apoia em produções americanas do gênero. Com bastante tomadas externas a produção fica com uma cara mais real e menos artificial do que outros filmes brasileiros e isso acaba por ajudar a contar o desenvolvimento e a transformação do personagem principal junto com as crianças que dão um show de simpatia mesmo com pouca idade. Se você gostou de Margo, Edith e Agnes na franquia Meu Malvado Favorito, vai se apaixonar por Patricia, João e Valentina.

Foto: H2o Filmes/Sony Pictures

A personagem de Ana Lucia Torre, a avó Cecilia, talvez seja a ponta um pouco mais solta da produção mas a atriz em cena sempre é um bom agrado. O filme consegue conciliar todas as tramas e dramas da família que vão desde ir mal nas notas na escola, problemas com o pai que não dá muita bola para os filhos e até desenvolver um plot maior de criar uma peça de teatro infantil que acaba depois por dar norte para trama.

Com uma trilha sonora que acaba se encaixando bem no ritmo do filme a produção dá espaço para todas as crianças terem seu momento, cada uma lidando com um problema mas sem perder o foco da relação com tio, afinal a participação dele na vida das crianças e das crianças na dele acaba por criar momentos bonitos e que se encaixam com a proposta do filme como um todo. E dá espaço para Majela interagir com cada uma delas de forma diferente.

Então, Um Tio Quase Perfeito mostra além de tudo ser um comédia gostosa e divertida de se assistir, muito devido a química de seu personagem principal com o elenco infantil. A famosa pergunta do “então vale a pena?” deve ser respondida, como diria o Tio Tony, “se não é coisa que morre então pode”. O filme não só vale como é uma boa opção para o feriado.

Nota do Crítico:

Um Tio Quase Perfeito chega aos cinemas no dia 15 de junho.