Um Pequeno Favor | Crítica

Olá, Mães!

Para divulgar a produção, a atriz Blake Lively apagou todas as suas postagens no instagram e ficou “sumida” durante um tempo, já Anna Kendrick criou um perfil como sua personagem, onde a produção do filme postava dicas como se fosse a própria blogueira-mamãe. E então, desde dos primeiros teasers-trailers dessa campanha de marketing, Um Pequeno Favor (A Simple Favor, 2018) já parecia ser um filme daqueles divertidos e super instigantes.

E isso tudo serviu para ajudar a produção a ganhar uma exposição interessante, afinal, nos papeis principais de Um Pequeno Favor temos duas atrizes conhecidas em Hollywood e que não necessariamente combinam ou são as primeiras escolhas que se vem na mente. As duplas que vemos por ai meio são sempre um pouco parecidas entre si, como é o caso de Tina Fey e Amy Poehler, Jennifer Aniston e Courtney CoxKim Kardashian e Kendall Jenner mas aqui, Blake Lively e Anna Kendrick são uma dupla improvável e em Um Pequeno Favor acabam por fazer toda a diferença.

O motivo? É fácil demais ver as atrizes em suas personagens (ou pleno menos as personas que elas querem passar para o mundo), Lively e Kendrick acabam por ter uma química fantástica em tela, enquanto a Emily de Lively exala sedução até o último fio de cabelo, a Stephanie de Kendrick é a personificação da amiga chata e irritante mas que também não deixa de ser adorável e parceira.

E em Um Pequeno Favor a dupla consegue unir A e B e fazer um filme estiloso, cativante e que é cheio de reviravoltas maravilhosas.

Anna Kendrick in A Simple Favor (2018) um pequeno favor crítica
Foto: Lionsgate/Paris FIlmes

Aliás, de pequeno Um Pequeno Favor não tem nada. O filme abusa de figurinos arrojados, descolados, de cenários saídos de capas de revistas e principalmente da excentricidade dos personagens interpretados milimetricamente por suas atrizes principais. Emily e Stephanie mesmo tendo zero em comum – a primeira é uma dona de casa cheia de energia e a segunda uma empresária ah lá Miranda Prestley em O Diabo Veste Prada (2006) – trocam confidencias e pequenos segredos ocultos que fariam a dupla sérias candidatas para a nova temporada de Big Little Lies (HBO).

Um Pequeno Favor tem uma áurea única e um tom meio estranho e tudo isso se dá por conta de seus personagens que ficam a beira de serem caricatos, com a trilha sonora do filme por tocar músicas francesas chicletes mas, mesmo assim, a produção acaba por ser um filme que incita quem assiste para querer saber O que aconteceu com Emily? e embarcar na jornada maluca entre essas duas amigas.

Na trama, Emily pede um simples favor para sua (nova) amiga Stephanie: ir buscar o filho um dia na escola. Mas o que seria apenas uma carona compartilhada se torna uma busca pelo paradeiro de Emily que desaparece sem deixar vestígios. Assim, Stephanie usa seu canal no YouTube para criar um tipo de jornal virtual sobre as investigações enquanto ela e o marido de Emily, Sean (Henry Golding o novo queridinho de Hollywood pós-Podres de Ricos, inédito no Brasil) dividem a casa por conta dos filhos pequenos dos dois o que acaba por gerar um toque de telenovela que deixa a trama ainda mais interessante.

Blake Lively in A Simple Favor (2018) um pequeno favor crítica
Foto: Lionsgate/Paris Filmes

Um Pequeno Favor é um filme de pequenos detalhes, dicas sutis e onde nada parece ser o que é. Claro, a produção não está no mesmo nível de Garota Exemplar (2014) e Buscando (2018) em termos de saber criar e desenvolver uma tensão para deixar o espectador agoniado com a trama e o que virá pela frente. Mas o diretor Paul Feig sabe disso e apenas deixa as cenas fluirem naturalmente,  apoiadas no carisma de Lively e Kendrick, onde roteiro de Jessica Sharzer cria uma história com pitadas de humor e um ar de suspense na medida certa.

Como falamos, as reviravoltas são, junto com o elenco, o ponto alto. Em Um Pequeno Favor nem tudo é o que parece ser e o longa é ápice do ditado “a grama do vizinho é mais verde do que a minha”. O passado que os personagens tentam deixar para trás a todo custo, volta para assombrá-los e são nas pequenas pistas, nos pequenos objetos mostrados pela câmera e nas falas ditas e não quererem dizer nada em primeiro momento é que nós, enfim, conseguimos montar esse quebra-cabeça.

No final, Um Pequeno Favor é uma daquelas produções que acerta em ser mais um filme agradável visualmente do que por ter uma trama costurada e bem conectada. Mesmo com um ar provocador e com passagens engraçadas, o filme tem no seu elenco principal o seu grande destaque. Tudo começa com pequeno favor…..

Nota do Crítico:

Um Pequeno Favor chega nos cinemas em 27 de setembro

 

Miguel Morales

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