Um Lugar Silencioso | Crítica

Em Um Lugar Silencioso (A Quiet Place, 2018) três regras são fundamentais: não faça barulho, nunca saia do caminho e vermelho significa corra! E a sensação que temos ao assistir o filme basicamente orbita em torno desses três tópicos mas antes de mais nada, podemos dizer que o longa acaba sendo uma grande, assustadora e arrepiante experiência sonora.

Com atuações poderosas, uma edição fenomenal e um roteiro ousado e ágil, Um Lugar Silencioso deve completar o trio de ouro de grandes produções de terror e suspense que começou lá 2017 com Get Out (corra! aqui no Brasil) e It – A Coisa.  Ele vem nessa onda crescente, onde tivemos produções que ganharam a aceitação do público, fizeram rios de dinheiro nas bilheterias e também tiveram uma aprovação da crítica.

E aqui já podemos afirmar que Um Lugar Silencioso é sem dúvida uma das melhores estreias de 2018, até então, e deve agradar e muito os fãs do gênero.

Foto: Paramount Pictures

A trama é relativamente simples e conta a história de uma família que tenta se manter em total silêncio para sobreviver à ameaça que ronda a sua casa e que pode atacá-los ao menor sinal de barulho. O mais interessante de Um Lugar Silencioso é a preocupação com os detalhes e de ver como a família consegue desenrolar o seu dia-a-dia fazendo a menor quantidade de sons possíveis.

O filme desenrola algumas de suas cenas com tarefas praticamente comuns do dia-a-dia de qualquer um, como arrumar a mesa para o jantar, lavar a roupa ou até mesmo andar pela casa de um cômodo para o outro. E toda a dinâmica familiar é bem explicada e mesmo que nem tudo seja mostrado em tela a realidade incomum que eles vivem acaba sendo bastante crível e é contada para o público ao longo do filme com pequenos e rápidos detalhes, como por exemplo, recortes de jornais.

Um Lugar Silencioso começa calmo e silencioso, como o nome do filme já diz e mesmo que tenha um boom inicial, ele volta aos seus momentos contemplativos e faz quem assiste se acostumar com a rotina dos membros da família. E então, conhecermos cada um dos personagens, começando pelo pai, interpretado pelo ator John Krasinski que é um cara sério, centrado e parece ter com a única missão “sobreviver”.

Krasinski além de dirigir o filme também mostra uma atuação bastante intensa e consegue transmitir com sutileza as angustias de seu personagem e faz aqui um papel bastante marcante e bem diferente do que o ator esteve acostumado. A mãe, a fantástica e competente Emily Blunt, tenta deixar os filhos o mais confortável possível dentro de suas realidades e acaba sendo uma personagem que transita bem entre ser atenciosa e doce com uma ferocidade gigante para proteger seus filhos.

Foto: Paramount Pictures

As crianças tem personalidades opostas, a personagem da ótima e expressiva Millicent Simmonds acaba sendo mais expansiva e curiosa enquanto o menino interpretado pelo ator Noah Jupe é mais introspectivo e fechado. A dupla mirim acaba se completando e mostrando bem as diferenças de como eles tentam sobreviver naquele mundo estranho. As crianças em certo ponto acabem sendo os elos mais fracos do longa mesmo que suas atuações acabam se mostrando positivas nas cenas mais dramáticas. O quarteto tem uma uma química bastante interessante que fica ainda mais notável ao longo do filme na medida que eles começam a sofrer com o ataques dos monstros, os primos do Demogorgon da série Stranger Things.

E falando nessas ameaças, o roteiro de Um Lugar Silencioso acerta em criar e aumentar o medo dessas criaturas ao longo do filme. Afinal, logo de cara, mesmo que não vemos a forma ou como eles são, o mistério envolvido na presença deles é gritante. E o filme também acerta em não mostrar de cara o que a família enfrenta, o que acaba deixando a ameaça ainda mais perigosa, afinal lembre-se vermelho sinaliza perigo.

Como falamos a edição de som e a mixagem são fantásticas e mesmo com quase mais de 80% do filme se passando com os personagens em total silêncio, o trabalho da produção é louvável ao conseguir criar um sentimento sufocante de tensão. A crescente que envolve o longa é um dos seus maiores pontos positivos, a expectativa do que vai acontecer na maior parte das cenas de Um Lugar Silencioso acaba sendo mais impactante do que a ação propriamente dita.

O drama familiar chega a até ser desesperador em vários momentos, onde sentimento de sobrevivência acaba sendo também um dos pontos altos do longa. Afinal para quem assiste, tudo que acontece acaba passando a sensação que o famoso “ferrou vai todo mundo morrer” irá acontecer mas o longa se resolve de uma forma um pouco mais complexa do que isso. Com um clima angustiante do começo ao final, Um Lugar Silencioso consegue te deixar em silêncio o tempo todo ao longo de sua sessão e te deixará colado em sua cadeira sem se mover ou fazer nenhum barulho enquanto você acompanha o filme.

Com uma trama devastadora que mostra uma realidade cruel e excelentes atuações de Blunt e Krasinksi, Um Lugar Silencioso te fará perder o fôlego, afinal o silêncio também pode ser ensurdecedor.

Nota do Crítico:

Um Lugar Silencioso tem estreia marcada para 5 de abril.

Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter falando sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema e claro outras besteiras. Uso chapéu branco e grito It's Handled! Me segue lá: twitter.com/mpmorales